24 imigrantes morreram sob a custódia do ICE na administração Trump

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O iraniano Kammyar Samimi morreu quando estava sob a custódia do ICE num centro de detenção privado (detalhe) (Foto: ACLU)

As mortes recentes ocorreram enquanto o número de imigrantes sob a custódia federal atinge nível recorde

As mortes de 3 detentos desde abril, com a divulgação de relatórios internos sobre as condições dos centros de detenção, gerou ultraje entre ativistas defensores dos direitos dos imigrantes. Ainda em abril, um mexicano de 54 anos morreu depois de passar vários dias com febre numa solitária. Em maio, um jovem indiano de 21 anos enforcou-se numa penitenciária no Arizona. Em 1 de junho, a solicitante de asilo Johana Medina, de 25 anos, morreu num hospital do Texas depois de quase 6 semanas sob a custódia do Departamento de Imigração (ICE).

“O que nós estamos vendo é a expansão negligente e sem precedentes de um sistema que é punitivo, perigoso e caro”, disse Katharina Obser, conselheira sênior da Comissão das Mulheres Refugiadas. “O Governo dos EUA não está sequer fazendo o mínimo para garantir que os imigrantes recebam os cuidados de médicos e de saúde mental que eles necessitam”.

Vinte e quatro imigrantes morreram sob a custódia do ICE durante a administração Trump, segundo a análise de dados federais  realizada pelo canal ABC News. Pelo menos 4 outros e Medina Leon morreu pouco depois de ter sido liberada da custódia do ICE. O número de mortes durante custódia permanece abaixo do pico de 32 mortes em 2004, a primeira vez em que os dados foram avaliados.

Além disso, 5 crianças morreram sob a custódia de outros órgãos federais.

As mortes recentes ocorreram enquanto o número de imigrantes sob a custódia federal atinge nível recorde. No início de junho, o ICE prendeu mais de 2.500 imigrantes por dia num sistema de mais de 200 centros de detenções espalhados pelo país, em contraste com 34 mil durante a administração Obama.

Mortes durante custódia do ICE permanecem “altamente raras” , disse um porta-voz do órgão ao NBC News. O ICE informou que gasta mais de US$ 269 milhões para prover “cuidados médicos amplos” para cada um dos 300 mil a 500 mil indivíduos que entram em custódia todos os anos  e revê as circunstâncias de todas as mortes que ocorrem durante a custódia do ICE.

O ICE “leva muito a sério a saúde, segurança e bem-estar daqueles sob os nossos cuidados, incluindo aqueles com problemas médicos anteriores ou que nunca tinham recebido tratamento médico adequado anteriormente”, disse Danielle Bennett, porta-voz do ICE. “Qualquer morte que ocorra durante a custódia do ICE é motivo de preocupação”.

Os imigrantes detidos pelo ICE são presos civis e não criminosos, portanto, a detenção deles não visa ser punitiva. O inspetor geral do Departamento de Segurança Nacional (DHS) reiterou esse fato ao citar o relatório que revelou “violações notórias” em 2 centros de detenção que o órgão inspecionou, incluindo forcas nas celas dos detidos, cuidados médicos inadequados, comida estragada e outras condições que põem em perigo a saúde dos detentos. Funcionários do DHS e ICE demonstraram preocupação sobre lapsos na supervisão médica e negligência que expõem os imigrantes em risco de dano físico ou morte, conforme entrevistas e documentos internos.

Em maio, uma investigação realizada pela NBC News revelou que sob as administrações Obama e Trump o ICE rotineiramente colocou os imigrantes que sofrem de doenças mentais e físicas em confinamento solitário.

 

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