Agentes do ICE “perdem a paciência” com política caótica de Trump

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A postagem de Trump no Twitter também pôs em risco a segurança dos agentes envolvidos nas batidas migratórias (Foto: ICE)

Postagens de última hora no Twitter e mudanças bruscas de ideia têm confundido as autoridades migratórias

Na segunda-feira (17), quando o Presidente Donald Trump postou no Twitter que a administração dele realizaria batidas migratórias, na semana seguinte, com o objetivo de deportar “milhões de estrangeiros ilegais”, os agentes do Departamento de Imigração (ICE) foram obrigados a se organizar rapidamente. O órgão não estava preparado para realizar uma operação dessa magnitude. Preparações que tipicamente levariam os agentes entre 6 a 8 semanas foram concluídas em alguns dias e, devido à postagem de Trump no Twitter, os agentes entrariam em comunidades que sabiam da vinda deles.

“Isso foi uma manobra política idiota que prejudicaria somente os agentes”, disse John Amaya, antigo chefe de pessoal do ICE. No sábado (22), poucas horas antes da operação supostamente começar em 10 metrópoles espalhadas nos EUA, o Presidente mudou o rumo adiando para mais 2 semanas.

“Quase ninguém estava esperando por essa operação”, relatou um oficial do ICE. “Foi um desperdício inútil, um pesadelo”.

Mesmo na véspera da data da operação, muitos dos detalhes mais importantes ainda não haviam sido resolvidos. “Tratava-se de uma operação envolvendo famílias. Então, onde nós iríamos colocar as famílias? Não há espaço para detê-los, então iríamos coloca-los em hotéis?” Perguntou o oficial.

Na sexta-feira (21), a resposta veio da liderança do ICE: As famílias seriam postas em hotéis enquanto o ICE descobria o que iria fazer com elas. Em contrapartida, surgiram outras perguntas. “Então, as famílias estarão em hotéis, mas quem vai vigiá-las?” Questionou o oficial. “O que acontece se a pessoa que prendemos possui um filho que é cidadão dos EUA? O que nós fazemos com as crianças? Nós precisamos ter apoios nos assentos das caminhonetes? Nós teremos que ter brinquedos para as crianças brincarem?”

A postagem de Trump no Twitter também pôs em risco a segurança dos agentes envolvidos nas operações. “Nenhum órgão de segurança vai e fala, ‘amanhã, entre as quatro e oito, nós estaremos nessa vizinhança”, acrescentou o oficial.

Desde o início, o plano enfrentou resistência. A secretária do Departamento de Segurança Nacional (DHS), Kirstjen Nielsen, argumentou que as detenções seriam difíceis de serem realizadas, em parte, porque crianças americanas estariam envolvidas, muitas delas nasceram nos EUA de pais incluídos na lista para detenção, recursos limitados e uma operação dessa magnitude tiraria a atenção da fronteira, onde a crise humanitária piora cada vez mais a cada dia.

Ron Vitiello, chefe do ICE, antigo oficial da Patrulha da Fronteira (CBP), também compartilhou as preocupações de Nielsen. Essas preocupações não eram somente “éticas” e sim mais logísticas: Executar uma operação tão vasta seria extremamente difícil, com inúmeros detalhes, e o final poderia ser desastroso. Quatro meses depois, Trump os demitiu. O substituto de Vitiello, Mark Morgen, que já havia sido demitido por Trump uma vez e reconquistou a confiança do Presidente depois de ter aparecido diversas vezes no canal de TV Fox News, anunciou que continuaria com a operação.

 

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