Agentes do ICE prendem “por engano” cidadão americano

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“Foi assustador, perturbador, humilhante e eu ainda estou tentando processar o fato de ser parado por causa da minha cor e raça”, disse Andrade (Foto: OregonLive.com)

Isidro Andrade Tafolla saía do prédio do tribunal com a esposa quando foram abordados por 2 indivíduos à paisana

Agentes federais confundiram um antigo funcionário do Condado de Washington, Oregon, com um imigrante indocumentado justamente ao lado de um protesto contra a prisão de indocumentados que terminava em frente ao prédio do tribunal em Hillsboro. O “engano” abalou Isidro Andrade Tafolla, de 46 anos, pai de 3 filhos, morador em Forest Grove e que trabalha na manutenção de ruas e estradas para o Condado há quase 20 anos.

“Foi assustador, perturbador, humilhante e eu ainda estou tentando processar o fato de ser parado por causa da minha cor e raça”, disse Isidro na terça-feira (19).

Na manhã anterior, Andrade achou estranho ver uma caminhonete estacionada em local proibido em frente à caminhonete dele, enquanto ele e a esposa saíam a Corte do Condado de Washington, relatou.

Os deputados federais Suzanne Bonamici e Earl Blumenauer disseram que estavam “bastante preocupados” com o relato de Isidro sobre o que aconteceu com ele e a esposa quando deixavam o prédio do tribunal na manhã de segunda-feira (18). O casal estava próximo à esquina da Northeast Lincoln Street e 3rd Avenue, distante um quarteirão da Corte, e passava pelo o que restou da manifestação. Aproximadamente, 70 pessoas protestavam a prisão de 2 imigrantes indocumentados semana passada por agentes do Departamento de Imigração (ICE) quando estava do lado de fora do prédio do tribunal.

Andrade, que é latino e cidadão americano naturalizado, disse que primeiramente não ocorreu a ele, quando um homem e uma mulher saíram da caminhonete e repetidas vezes perguntaram o nome dele e por identificação, que havia cruzado o caminho do ICE.

“Eles nunca se identificaram, nem mesmo quando eu e minha esposa perguntamos quem eles eram e por que queriam saber as minhas informações”, disse Andrade. “Eu disse a eles meu nome. Eles responderam que tinham uma fotografia minha, que eu não estava aqui legalmente e, quando mostraram para mim e minha mulher a fotografia, não havia nenhuma semelhança comigo, exceto que éramos ambos latinos”. A mulher da caminhonete tinha a foto no telefone celular dela.

Andrade acompanhava a esposa para uma audiência na Corte e posteriormente se lembrou de ter visto o homem e a mulher sentados próximos a eles no lado de fora do prédio, entraram com eles para a audiência e, aparentemente, seguiram o casal até o lado de fora. Quando ele e a esposa tentavam explicar que ele não era a mesma pessoa da foto, mais 4 veículos pararam em volta deles e 8 pessoas saíram, detalhou. Um homem trajava uma jaqueta com a palavra ICE escrita nela e tinha um crachá. Nenhum deles também se identificou e, em determinado momento, o homem da jaqueta olhou para a foto e Isidro e, então, disse: “Esse não é ele, vamos sair daqui”.

A mulher disse simplesmente “desculpe” e também foi embora. O encontrou durou aproximadamente 1 minuto e meio. “Foi como ver baratas fugindo quando se acende a luz”, relatou. “Eles simplesmente deixaram a mim e minha esposa em pé e sozinhos”.

O American Civil Liberties Union Foundation of Oregon e sua equipe legal informaram que já viram pelo menos 10 pessoas serem detidas por agentes do ICE no tribunal do Condado desde abril desse ano. Nesse mesmo mês, o juiz chefe de Oregon, Thomas Balmer, escreveu uma carta ao Promotor Público Geral Jeff Sessions e o então secretário do Departamento de Segurança Nacional (DHS), John F. Kelly, pedindo que o ICE parasse de realizar prisões dos lados de dentro e fora do prédio das Cortes de Oregon.

 

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