Após deportação do marido, mineira que viveu em Newark retorna ao Brasil

Foto21 Gernubia Após deportação do marido, mineira que viveu em Newark retorna ao Brasil
Gernúbia exibe o bracelete magnético GPS posto pelas autoridades migratórias na perna direita dela

Após cruzarem clandestinamente a fronteira dos EUA com o México, Gernúbia viveu aproximadamente 2 anos com a família em Newark (NJ)

Durante entrevista ao website G1, a ex-imigrante Gernúbia (o sobrenome foi omitido), natural de Minas Gerais, relatou que ela, seu marido, conhecido como “Alemão”, e 3 filhos deixaram o Brasil há cerca de 2 anos com o objetivo de proporcionar um futuro melhor às crianças. As informações são do jornal Brazilian Times.

“Mas, a maior parte do tempo lá foi de sofrimento”, disse ela.

O retorno aconteceu depois que o marido, chamado de Alemão, foi deportado há 2 semanas depois de ficar preso por 3 meses. A família morou ilegalmente em Newark (NJ). Agora, eles recomeçarão a vida no Brasil. Antes de se aventurar nos EUA, os brasileiros tinham casa própria, carro e uma vida estável, apesar de simples. Gernúbia conta que, por vontade do marido, venderam tudo que tinham e pagaram um coiote (traficante de pessoas) que levou a família através da fronteira com o México.

Ela relata que a família foi de avião até o México, depois seguiram até Ciudad Juárez, que fica na fronteira com os EUA. Quando eles chegaram à divisa, a família se separou. Alemão atravessou primeiro e, 1 mês depois, Gernúbia passou. Os dois disseram aos agentes da Patrulha da Fronteira (CBP) que deviam dinheiro a agiotas, portanto, não poderiam voltar ao Brasil; o que não era verdade.

“Todo mundo que vem pra cá inventa. Na hora eles não pediram provas, a gente tinha que provar depois”, disse Gernúbia.

Após entrarem nos EUA, eles tinham 1 ano para contratar um advogado e dar prosseguimento à solicitação de asilo no país, entretanto, não continuaram com o processo. Para conseguir o asilo, é preciso provar ter sofrido perseguição por pertencer a uma raça, religião, nacionalidade, grupo social ou ter uma opinião política específica, segundo o Departamento de Imigração (ICE).

A família foi morar em Newark e, logo que chegaram, ela e o marido precisaram usar braceletes eletrônicos GPS nos tornozelos por 3 meses e receber visitas de agentes do ICE em casa, todas as segundas-feiras. Eles não podiam sair de casa na segunda-feira por nenhum motivo. O bracelete quando descarregava, apitava e uma voz eletrônica anunciava: ‘bateria baixa, bateria baixa’, chamando a atenção de outras pessoas.

Mesmo assim, as crianças foram matriculadas na escola local e Alemão conseguiu um emprego, como operador de escavadeira, que lhe dava uma renda mensal de US$ 7.5 mil (cerca de R$ 29 mil), segundo ela relatou ao G1.

Durante a entrevista, os brasileiros não detalharam como as crianças entraram nos EUA.

 

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