Após fuga de CEO brasileiro, Japão aumenta segurança na imigração

Foto18 Carlos Ghosn Após fuga de CEO brasileiro, Japão aumenta segurança na imigração
O brasileiro Carlos Ghosn respondia à acusação de fraude financeira no Japão quando fugiu para o Líbano

As autoridades japonesas tornaram mais rigorosas as medidas migratórias para impedir que outros detentos fujam do país

O aeroporto internacional japonês onde o executivo Carlos Ghosn iniciou a fuga do país, aparentemente, tinha uma falha na segurança que o permitiu embarcar facilmente num voo particular. Uma das pessoas que organizou a viagem do ex-CEO da Nissan desde Tóquio até o Líbano descobriu que bagagens grandes que não cabem na máquina de raios X do Osaka’s  Kansai International Airport. Isso permitiu que o brasileiro embarcasse num jato rumo a Istambul no interior de uma caixa que armazena equipamentos de áudio com furos feitos no fundo para que ele possa respirar.

Os agentes de segurança deveriam abrir qualquer bagagem grande demais para passar pela máquina de raios X. Entretanto, bagagens pertencentes a passageiros de jatos privados nem sempre recebem o mesmo tratamento, pois essas pessoas oferecem risco menor de terrorismo. A descoberta ocorreu depois da fuga de Carlos e as autoridades japonesas terem tornado mais rigorosas as medidas migratórias para impedir que outros detentos fujam do país.

A ministra de justiça japonesa, Masako Mori, disse no domingo (5) que ela instruiu as autoridades migratórias para endurecer os procedimentos de partida depois que Ghosn fugiu enquanto aguardava julgamento por fraude financeira, uma acusação que ele nega. As autoridades também avaliam a possibilidade de os suspeitos portarem monitores eletrônicos enquanto estão em liberdade sob fiança. Mori realizou a primeira coletiva de imprensa sobre o caso desde que Ghosn apareceu em Beirute na semana passada.

“Nós gostaríamos de avançar rapidamente as discussões sobre o assunto, levando em consideração as fugas recentes e as opiniões variadas que recebemos”, disse ela.

Apesar de Carlos não ter sido obrigado a portar um monitor, ele era constantemente vigiado por uma equipe de seguranças e câmeras de vigilância na casa dele em Tóquio. Entretanto, os vigilantes particulares pararam de monitorar Ghosn em 29 de dezembro, o mesmo dia em que ele pegou um trem bala de Tóquio a Osaka. Já em Osaka, ele voou para Istambul e depois Beirute. A MNG Jet, a companhia privada turca que descobriu a caixa preta que transportou Carlos, apresentou uma acusação criminal contra um empregado suspeito de ter falsificado documentos para os 2 aviões que ajudaram o brasileiro a escapar.

Mori disse que as autoridades japonesas ainda podem pressionar para a extradição de Ghosn, mesmo que o país não tenha acordo de extradição com o Líbano. “A fuga é uma forma injusta e sem os procedimentos corretos equivale a contrabando, uma saída ilegal é o mesmo que um crime”, concluiu.

 

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