Assessores de Arpaio ignoraram ordem judicial de parar blitz migratórias

Foto5 Joe Arpaio Assessores de Arpaio ignoraram ordem judicial de parar blitz migratórias
“Por que eles estão saindo com isso agora? É suspeito, já que estou concorrendo a xerife”, disse Arpaio (esq.) em entrevista

As revelações ocorrem quando Arpaio e um ex-membro de alto escalão citados na investigação estão concorrendo nas eleições primárias republicanas de 2020

Um investigador nomeado pelo tribunal concluiu que assistentes de alto escalão do ex-xerife da região metropolitana de Phoenix (Ariz.), Joe Arpaio, desconsideraram a ordem de um juiz federal para fossem interrompidas as batidas migratórias contra latinos. O investigador também descobriu que uma investigação interna foi ocultada para proteger os assessores da responsabilidade.

As revelações ocorrem quando Arpaio e um ex-membro de alto escalão citados na investigação estão concorrendo nas eleições primárias republicanas de 2020 para o cargo de xerife do condado de Maricopa, o mais populoso do Arizona.

As descobertas do investigador abrangem a suposta má conduta no escritório de Arpaio entre o final de 2011 e 2016. Arpaio, que ficou conhecido nacionalmente por sua linha dura contra os imigrantes indocumentados, perdeu o cargo em 2016.

Arpaio, que se autodenominou o mais severo policial dos EUA, foi condenado por negligência criminal após recusar a interrupção de blitz no trânsito que visavam imigrantes, mas foi perdoado pelo Presidente Donald Trump, que elogiou o mandato de 24 anos de Joe como xerife e “seu legado em proteger o público dos flagelos do crime e da imigração ilegal”.

Entre os assessores do xerife criticados pelo investigador está Jerry Sheridan, que era o segundo no comando de Arpaio e está concorrendo com seu antigo chefe nas primárias. Sheridan alega que não tinha conhecimento da popular ordem judicial emitida em 2011 quando atuava como vice-chefe na administração de Arpaio, entretanto, o relatório do investigador revela que ele estava presente em uma reunião com Arpaio quando a ordem foi discutida.

O investigador, Daniel Giaquinto, é ex-promotor e juiz. Ele foi contratado pelo Juiz Distrital Federal Murray Snow para reexaminar as investigações de má conduta do escritório de Arpaio depois que o magistrado considerou algumas das investigações como “manchadas por decisões tendenciosas que protegiam alguns funcionários”.

As descobertas de Giaquinto em 2017, depois que Arpaio deixou o cargo, não foram divulgadas e o escritório do xerife do condado de Maricopa alegou que elas não poderiam ser liberadas até que os funcionários mencionados no relatório fossem disciplinados. Entretanto, o fez depois que a Primeira Emenda da Clínica da Faculdade de Direito da Universidade Estadual do Arizona os exigiu. Nos documentos, Giaquinto criticou duramente a nomeação de Arpaio, em 2015, do chefe Mike Olson para decidir se Sheridan deveria ter sido disciplinado por não fazer cumprir a ordem judicial de suspender as batidas migratórias. Sheridan atuava como comandante de Olson e os dois eram amigos, disse o investigador nos documentos.

“Essa anomalia estrutural fez com que o que deveria ter sido um processo independente e imparcial parecesse ser manipulado a favor do departamento”, escreveu Giaquinto.

Sheridan não liderava o departamento do xerife encarregado das blitz migratórias, mas Giaquinto descobriu que Sheridan, como o segundo em comando de Arpaio, tinha a função de garantir que a ordem judicial fosse obedecida, segundo os documentos.

Giaquinto escreveu que “uma infinidade de evidências sobre esse assunto demonstra que o Sheridan recebeu uma notificação da liminar que proibia as batidas migratórias logo após a emissão e permaneceu conscientemente indiferente a ela”.

O investigador também revelou que outros 4 assessores, dois dos eles de alto escalão, falharam em pressionar o departamento a cumprir a ordem do juiz.

Arpaio e Sheridan questionaram se a divulgação dos relatórios do investigador foi politicamente motivada, embora alguns documentos tenham sido solicitados pela agência de notícias Associated Press (AP) há mais de dois anos.

“Por que eles estão saindo com isso agora? É suspeito, já que estou concorrendo a xerife”, disse Arpaio em entrevista.

Sheridan considerou as conclusões do investigador injustas, dizendo que estava se concentrando nas prioridades de outros delegados, incluindo inúmeras investigações de crimes sexuais que a agência havia fracassado quando a ordem do juiz sobre as batidas migratórias foi emitida.

“Não gosto dessa injustiça”, disse Sheridan, acrescentando que não concorreria com o xerife se pensasse que ele “estive comprometido”.

O escritório de Arpaio agora é liderado pelo democrata Paul Penzone, que derrotou o xerife e negou motivações políticas ao divulgar os relatórios de Giaquinto.

 

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