Atletas, artistas e empresários podem qualificar para visto de residência

Foto28 Gisele Ambrosio Atletas, artistas e empresários podem qualificar para visto de residência
A advogada Gisele Ambrósio aponta os requisitos necessários para que profissionais com habilidades extraordinárias possam viver legalmente no país

Os EUA é um dos destinos mais procurados pelos brasileiros para viver, assim como Canadá e Portugal

Os vistos que permitem cidadãos brasileiros a morar e trabalhar legalmente nos EUA são inúmeros, porém específicos para cada atividade, situação e objetivo. Atletas, músicos, artistas e empresários têm muitas chances de atuar como profissionais em território americano, sendo remunerados por seus trabalhos de maneira segura e oficial. Na maioria destes casos, o visto O-1 é o mais indicado, segundo a advogada especialista em obtenção de vistos de trabalho e Green Card, Gisele Ambrósio, com escritório em Los Angeles (CA).

De acordo com a Embaixada dos EUA no Brasil, profissionais com habilidades extraordinárias nas áreas de ciências, artes, educação, negócios e atletismo ou cinema e televisão se qualificam para o visto O-1. Sendo assim, para aplicar para esta categoria, o candidato deve apresentar uma série de provas que comprovem o seu destaque e renome na sua respectiva área de atuação.

“Se for no esporte, para provar sua habilidade extraordinária, o é importante solicitamos que o atleta tenha provas de que já venceu competições (nacionais ou internacionais). Comprovação de que já serviu como juiz em competições, também é válida. Outras evidências que podem ser usadas são comprovantes  de presença na mídia, como matérias jornalísticas; anúncios publicitários para marcas importantes; cópias de contratos anteriores com patrocinadores de nome e documentos que confirmem participação em eventos de grande porte.  Além disso, é fundamental que tenha um patrocinador ou um agente nos EUA que queira levá-lo para trabalhar através do visto O”, explica a advogada.

Já o visto P, pode ser uma alternativa àqueles que ainda não tenham conquistado tal notoriedade dentro da sua atividade, pois os requerimentos são mais leves, comparados aos do visto O.  “Esse visto serve para tanto atletas individuais, como para times ou grupos de artistas, como uma banda, por exemplo. Ainda assim, a equipe também irá necessitar de um patrocinador americano para assinar o pedido do visto”, esclarece Gisele.

Quanto ao tempo de permanência nos EUA, o visto O é concedido, inicialmente, por no máximo 3 anos, de acordo com a duração do contrato com o patrocinador americano ou do itinerário de competições. Depois dos 3 anos iniciais, o visto pode ser renovado por períodos de um ano, se o patrocinador provar que ainda precisa do atleta no país. Já o visto P tem a duração inicial de no máximo 1 ano e varia conforme a duração do evento ou competição para o qual o profissional irá participar.

Segundo Ambrósio, os profissionais com habilidades extraordinárias têm a possibilidade de aplicar para o Green Card, no futuro, mas os requerimentos, apesar de serem iguais aos do visto O, são olhados com muito mais rigorosidade pela imigração.

Contudo, Gisele alerta que um visto de Habilidade Extraordinária pode ser negado a um candidato em potencial, caso ele tenha violado o status imigratório durante uma viagem anterior aos EUA. “Caso a pessoa tenha entrado com um visto de turista ou estudante e tenha descumprido as condições deste visto, como ter excedido o tempo limite de permanência no país ou que tenha ficado por apenas alguns dias produzindo peças publicitárias, material de audiovisual, ou de fotografia, sem o visto de trabalho, possivelmente ela terá seu visto O negado no futuro”, afirma.

A especialista explica que durante a entrevista para pedidos de vistos, os agentes consulares podem encontrar em redes sociais ou nas buscas na internet, indícios que comprove que o solicitante tenha realizado algum trabalho no território americano sem o visto correto, o que contribui para que o visto O seja negado.

“Estas situações são recorrentes no escritório. Já tive vários clientes em consulta, que, após virem com visto de turista e produzir, por exemplo, um vídeo clip de dois ou três dias, tiveram seu visto O negado porque a imigração descobriu que haviam trabalhado em solo americano sem o visto apropriado. Às vezes, pessoas com grande potencial e com futuro promissor na América botam tudo a perder por agirem sem ter a informação sobre o visto correto”, frisa.

Os EUA é um dos destinos mais procurados pelos brasileiros para viver, assim como Canadá e Portugal, segundo uma pesquisa realizada pela companhia de recrutamento e seleção Talenses. As respostas de 1.470 profissionais brasileiros apontam que 91% têm interesse em deixar o Brasil para morar e trabalhar em outro país.

Esta amostra se confirma quando comparada aos últimos dados da Receita Federal. Os registros de entrega de declaração de saída definitiva do país, obrigatória para quem vai morar no exterior, cresceram de forma acentuada a partir de 2014. Até então, estes pedidos não superavam 10 mil. Em 2018, 22.4 mil pessoas entregaram a declaração de saída definitiva.

 

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