Avós brasileiros são presos em Miami por “sequestro” do neto

Foto5 Nicolas e Chris Brann Avós brasileiros são presos em Miami por sequestro do neto
O médico Chris Brann durante visita ao filho, Nicolas, no Brasil, em 2014
Foto5 Nicolas Brann Avós brasileiros são presos em Miami por sequestro do neto
Atualmente, Nicolas Brann tem 8 anos de idade e vive no Brasil (Foto: Interpol)

Carlos Otávio e Jemima Guimarães foram detidos assim que chegaram ao Aeroporto Internacional de Miami (FL)

Na quarta-feira (7), a Procuradoria Pública do Distrito Sul do Texas informou que a prisão de um homem de negócios internacionais e a esposa dele foram presos em decorrência da acusação de sequestro internacional de criança, segundo no Procurador Federal Ryan K. Patrick. Carlos Otávio Guimarães, de 67 anos, e Jemima Guimarães, de 65 anos, foram detidos no Aeroporto Internacional de Miami (FL), na manhã de quarta-feira (7), quando chegavam de um voo vindo do Brasil. Eles compareceram na tarde do mesmo dia perante o Juiz John J. O’Sulivan para ouvirem oficialmente as acusações pendentes.

A ação judicial apresentada em Houston (TX) alega que o casal e a filha deles, Marcelle Guimarães, de 39 anos, conspiraram ilegalmente para manter um menor de idade no Brasil. A mãe e a criança viajaram ao Brasil para participarem de um evento na família em julho de 2013 e deveriam retornar aos EUA até 20 de julho do mesmo ano, conforme as acusações. Marcelle também é acusada, mas ainda não foi detida. O pai da criança vive em Houston (TX), ainda a ação judicial foi apresentada ao tribunal.

Segundo os documentos apresentados na Corte, a criança ainda não retornou aos Estados Unidos. Caso sejam considerados culpados, cada um dos réus poderá ser condenado a 5 anos de detenção numa penitenciária federal por conspirarem o sequestro e até 3 anos, caso sejam considerados culpados do sequestro. O FBI conduziu a investigação e a Promotora Pública Federal Sherri L. Zack é a responsável pelo caso.

A disputa pela custódia de filhos tendo como base o sequestro internacional de crianças tem afetado as relações entre o Brasil e os EUA há vários anos. Um caso similar fez com que o Congresso aprovasse em 2014 uma lei que visa fortalecer a habilidade governamental de reunir pais americanos com os filhos que foram levados ao exterior.

“Eu sinto muito que isso tenha chegado a esse ponto”, disse o médico Chris Brann, o pai da criança e ex-genro do casal de brasileiros preso em Miami (FL). “Tudo que eu simplesmente quis, e ainda quero, é que o meu filho Nico tenha acesso aos dois pais amorosos”.

Ele acrescentou que, caso o filho seja retornado imediatamente a Houston, “eu estou disposto a pedir à Procuradoria Pública a ser leniente na forma de lidar com os casos de Carlos e Jemima”.

Conforme a acusação criminal apresentada na quarta-feira (7), os Guimarães ajudaram a filha, Marcelle Guimarães, a fixar-se permanentemente no Brasil em julho de 2013, violando um acordo legal que ela e Brann tinham assinado no Texas em maio do mesmo ano. A ação detalha que ela utilizou o pretexto de um casamento na família para conseguir a permissão do então marido para que a criança, Nicolas, viajasse ao Brasil. Logo que chegou ao país em julho de 2013, Marcelle teria apresentado o pedido de custódia unilateral da criança num tribunal brasileiro e, durante semanas, omitiu do esposo a intenção de ficar permanentemente no país com o filho.

O agente especial do FBI, Christopher Petrowski, escreveu na acusação que os avós do menor eram cúmplices na mentira e citou como evidência o fato de que a criança havia sido matriculada meses antes numa escola em Salvador (BA); a qual é administrada por Jemima Guimarães. Petrowski também frisou que Carlos Otávio Guimarães enganou Brann sobre as intenções da filha ao enviar ao genro por e-mail o itinerário de voo indicando que Marcelle e o filho viajariam de volta aos EUA no início de agosto de 2013.

Carlos Otávio, Jemima e Marcelle possuem cidadanias brasileira e americana, segundo o advogado de defesa de Brann, Jared Genser. Carlos é executivo sênior da ED & F MAN, uma companhia multinacional de produtos agrícolas. Marcelle também é acusada na ação judicial, a qual foi apresentada na Corte Federal no Texas. Ela e Nicolas, que atualmente tem 8 anos de idade, permanecem no Brasil.

Brann tem lutado pela custódia do filho na vara de família do Brasil e tentou que a administração Obama fosse mais agressiva no esforço dele de recuperar a criança. “Eu nãio pararei de lutar até que o Nico volte para casa”, escreveu ele em 2015 ao jornal Washington Post.

 

 

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