Polícia Federal prende no Brasil o maior “coiote” do mundo

Foto16 Saifullah Manun Polícia Federal prende no Brasil o maior “coiote” do mundo
Saifullah Manun vive há aproximadamente 6 anos no tradicional bairro do Brás, na capital paulista, onde administra 2 negócios, uma agência de viagens e um mercado
Foto16 Bras SP Polícia Federal prende no Brasil o maior “coiote” do mundo
No tempo em que estiveram no bairro do Brás (foto), os estrangeiros teriam sofrido maus-tratos, incluindo agressões físicas, tortura psicológica, assim como cárcere privado

Saifullah Manun era especializado em transportar pessoas do sudeste asiático, via Brasil, aos EUA através da fronteira com o México

Na quinta-feira (31) a Polícia Federal (PF), com o apoio do Departamento de Alfândega & Imigração (ICE) dos EUA, localizou e prendeu em São Paulo (SP)o imigrante Saifullah Manun. Ele é considerado pelas autoridades americanas o maior traficante de seres humanos do planeta e se dedicava a transportar clandestinamente imigrantes oriundos do sudeste asiático, via Brasil, aos EUA. Calcula-se que ele tenha levado ilegalmente, através da fronteira com o México, pelo menos 200 pessoas.

Através do status de refugiado, Saifullah vive há aproximadamente 6 anos no tradicional bairro do Brás, na capital paulista, onde administra 2 negócios, uma agência de viagens e um mercado. Além disso, ele é proprietário de várias empresas, as quais ele contratava utilizando o nome de outras pessoas e movimentava diversas contas bancárias em nome de terceiros também.

Os imigrantes saíam de avião de países como o Afeganistão, Bangladesh, Índia, Nepal e Paquistão, desciam no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, de onde seguiam para o Acre. No estado, iniciava uma longa e perigosa jornada de ônibus, barco e a pé através do Peru, Equador, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Honduras, Nicarágua, El Salvador e Guatemala. A meta de “coiotes” e imigrantes era atravessar a fronteira do México e entrar nos EUA.

Mortes e maus tratos aconteciam pelo caminho, revelou a investigação liderada pela PF. No caminho aos EUA, que durava até 3 meses, os imigrantes corriam vários riscos, entre afogamentos e sequestros. As autoridades brasileiras relataram que 8 bengaleses foram sequestrados, em junho de 2019, por narcotraficantes na fronteira do México com os EUA, oriundos do Brasil. Ainda conforme as autoridades, durante o tempo em que estiveram em São Paulo, no bairro do Brás, os estrangeiros teriam sofrido maus-tratos, incluindo agressões físicas, tortura  psicológica, assim como cárcere privado.

Nas batidas de quinta-feira (31), os agentes federais encontraram cerca de 7 imigrantes escondidos numa residência no Brás, os quais foram encaminhados à delegacia para prestarem depoimento. Em decorrência das apreensões, as batidas foram batizadas de “Estação Brás”, bairro paulistano onde a quadrilha atua, e “Tigre de Bengala”, devido à nacionalidade de alguns imigrantes.

A investigação revelou que os coiotes cobravam cerca de R$ 47 mil (US$ 12 mil) para levar os imigrantes clandestinamente aos EUA. A lavagem de dinheiro envolvia 20 países do continente americano. A maior parte dos clientes é originária de 5 países: Afeganistão, Bangladesh, Índia, Nepal e Paquistão. Agentes da PF identificaram 500 vítimas nas 2 operações, sendo que 84 delas foram presas nos EUA devido ao fato de não portarem documentos, inclusive menores de idade desacompanhados.

 

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