Brasileira detida pela Imigração é separada do filho

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Jocelyn está detida no centro de detenção do ICE em El Paso (detalhe) desde agosto de 2017 e o filho de 14 anos foi enviado a um abrigo em Chicago (Ill.)

Ativistas alegam que tal prática visa desencorajar os imigrantes a pedirem asilo

Milhares de pais que cruzaram clandestinamente a fronteira entre os EUA e México nos últimas anos têm sido detidos em companhia dos filhos nos centros do Departamento de Imigração (ICE). Entretanto, o caso da brasileira, identificada como Jocelyn, e o filho dela de 14 anos é um exemplo do que os ativistas consideram uma abordagem dura no cumprimento das leis migratórias, cujo objetivo é separar os pais dos filhos. Ela está sendo mantida presa no Texas, enquanto o jovem foi enviado para um abrigo em Illinois. O objetivo obscuro, conforme os ativistas, é desencorajar os pais a tentar a travessia clandestina ou pedir asilo.

Jocelyn relatou que fugiu da violência doméstica. Ela entrou clandestinamente nos EUA em agosto de 2017 em companhia do filho, acrescentando que o adolescente foi ameaçado por gangues de rua. Eles esperavam solicitar asilo.

Famílias imigrantes como a de Jocelyn geralmente passam por tribunais de imigração, um processo administrativo. Tais famílias são detidas juntas ou liberadas sob o compromisso de comparecer posteriormente à Corte. O Presidente Trump prometeu acabar com essa prática, conhecida como “pega e solta” (Catch and release).

Jocelyn disse que fugiu do Brasil para escapar do marido abusivo. Durante uma audiência recente no centro de detenção de El Paso onde ela está presa, levantou uma das mangas do seu uniforme branco para mostrar as cicatrizes nos braços dela que alega ser o resultado de agressões por parte do marido, um segurança armado que se recusa a concedê-la o divórcio. Ela e o filho viajaram até o México em 24 de agosto, cruzaram a fronteira 2 dias depois , se entregaram à Patrulha da Fronteira próximo a El Paso e foram informados que seriam separados.

“Eu não sabia para onde estavam levando ele”, disse ela sobre o filho. “Eles (autoridades) não me disseram. Eu perguntei muitas vezes. Eles simplesmente responderam: ‘não se preocupe”.

Em outubro do ano passado, ativistas defensores dos imigrantes em El Paso perguntaram aos representantes da Patrulha da Fronteira (BP) se eles estavam separando os pais imigrantes dos filhos. “Eles responderam que sim, ‘nós estamos separando as famílias”, disse Dylan Corbett, diretor do Hope Border Institute, acrescentando que um patrulheiro “disse que esse era o procedimento padrão naquele setor de separar todas as crianças acima de 10 anos de suas famílias. Nós todos ficamos chocados”.

A advogada de imigração Bridget Cambria representa 15 casos de separação familiar, incluindo várias mães processadas e separadas dos filhos em El Paso. “Há questões imensas se isso é legal quando eles (os imigrantes) estão buscando asilo. Eles (autoridades) estão usando estatutos federais como razão para tirar as crianças”, disse ela.

É desconhecido o número de pais como Jocelyn foram separados dos filhos, pois defensores públicos não monitoram isso. Em 22 de setembro de 2017, um juiz federal em Las Cruzes considerou a brasileira culpada de entrar clandestinamente nos EUA. Ela teve a sentença suspensa e foi transferida para um centro de detenção do ICE em El Paso. Ao invés de se auto deportar, ela permaneceu nos EUA para pedir asilo.

Jocelyn soube através do Consulado do Brasil que o filho estava num abrigo em Chicago e desde então já conversou com ele por telefone 4 vezes. A brasileira disse que o jovem a relatou que as outras crianças no abrigo tentaram fugir porque sentiam a falta dos pais. Jocelyn encorajou o filho a ficar no local. Ele prometeu que ficaria.

A brasileira demonstra preocupação, mas está esperançosa. Recentemente, as autoridades migratórias descobriram que ela tem o receio legítimo de voltar para casa; o primeiro passo no processo de obter asilo, e um advogado voluntário (pro bono) está tentando liberada sob fiança. Durante lima ligação telefônica recente, ela tentou encorajar o filho. “Assim que eu sair, eu vou te pegar”, disse ela.

 

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