Brasileira é separada do neto com autismo na fronteira dos EUA

Foto23 Menores na fronteira dos EUA  Brasileira é separada do neto com autismo na fronteira dos EUA
Milhares de menores de idade foram separados de seus pais na fronteira dos EUA com o México

Maria Vandelice de Bastos, detida no Texas, e Matheus da Silva Bastos, num abrigo em Connecticut, não se veem há cerca de 10 meses

Há 10 meses, Maria Vandelice de Bastos, natural de Goiás, e o neto dela de 16 anos chegaram ao Posto de Entrada em Santa Teresa, no Novo México. Os dois brasileiros disseram aos patrulheiros que buscavam asilo. Embora Maria tenha passado pelo processo padrão aplicado em tais pedidos, conhecido como entrevista de “credibilidade de medo”, ela e o neto foram logo separados e ela não tem visto o neto desde então, segundo o advogado dela.

Enquanto ela está detida num centro de detenções federais em El Paso (TX), Matheus da Silva Bastos, que sofre de epilepsia severa e tem autismo, está a mais de 2 mil milhas de distância num abrigo em Connecticut. Apesar das alegações da administração Trump de que esteja separando somente as famílias que buscam asilo e são detidas nas áreas entre os postos de entrada e que a prática é recente, o caso de Bastos parece provar o oposto. Além disso, os profissionais que cuidam de Matheus em 2 estados diferentes têm pressionado as autoridades federais a reunir o adolescente com a avó dele.

O advogado de Maria, Eduardo Beckett, disse que a cliente dele informou as autoridades durante a entrevista de “credibilidade de medo” que ela e o neto fugiram do Brasil depois que policiais de folga a ameaçaram por expor o que considera condições horríveis na escola que Matheus frequentava. “Ela fez barulho, foi à polícia, justiça e depois imprensa. A diretora da escola foi demitida, mas tem um irmão que é policial”, disse Eduardo. “Então, o policial a visitou e disse-lhe: ‘Nós veremos o que acontecerá com você’. O caso tornou-se anônimo”. As informações são do jornal The Texas Tribune.

Logo após se entregarem na fronteira dos EUA, avó e neto foram separados e, desde então, ele tem estado sob a custódia de organizações diferentes que cuidam de crianças imigrantes. Embora ela tenha documentos brasileiros que a identificam como guardiã legal de Matheus, ele foi classificado como menor “desacompanhado” porque Maria não foi autorizada a entrar nos EUA.

O advogado relatou que Bastos já portou uma vez um visto de turista emitido pelos EUA. Durante vários anos, ela entrou e saiu do país até que foi parada no Aeroporto Internacional John F. Kennedy, em 2007. Na ocasião, ela admitiu fazer o que milhares de portadores de visto de turista fazem todos os anos: Ela trabalhava como babá e ganhava US$ 300 semanais; culminando na deportação dela. Após isso, ela foi proibida de entrar nos EUA durante 5 anos.

Depois que retornou ao Brasil, Maria assumiu a custódia do neto, depois que os pais abandonaram o filho e imigraram para os EUA, onde a mãe do adolescente vive atualmente legalmente. Segundo um centro estadual em Connecticut, os pais não podem cuidar do jovem porque trabalham em horário integral, portanto, não podendo fornecer os cuidados 24 horas que ele necessita.

“Matheus foi cuidado e criado pela avó dele no Brasil e agora vivencia muitas dificuldades nessa nova atmosfera”, cita uma carta redigida pelo Departamento de Crianças & Famílias em Connecticut. “Ter a avó dele presente seria benéfico”.

Conforme estatísticas federais, os brasileiros que aplicam para asilo geralmente possuem índice baixo de sucesso. Em 2016, 366 brasileiros aplicaram para asilo, sendo que somente 7 foram aprovados e 36 negados. Muitos outros foram negados, abandonados ou cancelados. Perguntado sobre o Matheus sobre o que aconteceria se a avó dele for deportada, Eduardo disse que o Governo dos EUA teria a custódia dele até que completasse 21 anos. “Depois disso, quem sabe”, concluiu o advogado.

 

Related posts

Comentários

Send this to a friend