Brasileira enfrenta deportação após ser parada por luz de freio

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“Uma vida boa no Brasil equivale a uma vida pobre nos EUA”, disse Jussara Davis, ao lado dos filhos Leonardo e John de Campos (Foto: Tampa Bay Times)

 

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Leonardo de Campos (esq.), o mais velho, nasceu no Brasil e John de Campos (dir.), o caçula, nasceu nos EUA (Foto: Tampa Bay Times)

A curitibana Jussara Davis dirigia sem carteira de motorista na Flórida

Os imigrantes indocumentados que dirigem sem carteira de motorista devem tomar cuidado redobrado, pois um farol quebrado, não parar no “stop sign”, vidros do carro escuros demais ou ultrapassar um sinal pode ter consequências desastrosas. Após um dia longo de trabalho na limpeza de casas, a paranaense Jussara Davis, de 42 anos, moradora em Tampa (FL), dirigia de volta à casa quando uma viatura de polícia do Condado de Pasco sinalizou para que ela parasse. O motivo: uma das luzes de alerta do freio estava queimada. Tentando manter a calma, ela pensou “não sou uma criminosa”, pois nunca havia sido presa, é proprietária de uma casa, paga os impostos, possui um filho adolescente nascido nos EUA e é voluntária na igreja que frequenta. O policial Brian Hernandez caminha em direção da janela do motorista, informa o problema com a luz e pede-lhe a carteira de motorista e o registro do veículo. Pega de surpresa, a brasileira entrega por engano a carteira do seguro de saúde e uma cédula de identificação (ID) emitida por uma agência de serviços local. As informações são do jornal Tampa Bay Times.

“Você ainda mora em Washington?” Pergunta Hernandez, em referência à placa do carro. Washington é um dos 12 estados no país que emite carteiras de motoristas para os residentes indocumentados. “Sim, eu ainda tenho os meus amigos aqui, meus filhos”, respondeu ela, pensando que isso não a traria tantos problemas.

Jussara telefonou para a dona da casa que havia acabado de limpar, Kristin Martin, enquanto o policial voltava à viatura. Mais viaturas chegaram ao local, uma, duas, três. “Talvez, eu seja uma criminosa”, pensou ela. Martin estacionou o carro próximo ao da faxineira por 40 minutos, quando um policial ordenou que a brasileira saísse do veículo. Ela recebeu ordem de prisão por dirigir com uma carteira de motorista vencida, em 2012, e a posse do ID particular fez com que os agentes contatassem a Patrulha da Fronteira (CBP).

Após ser detida e encaminhada ao Land O’Lakes Detention Center, Jussara só veria os dois filhos, Leonardo de Campos, de 18 anos, e John de Campos, de 15 anos, 27 dias depois, quando foi transferida para a estação da Patrulha da Fronteira em Tampa. Durante a administração do então Presidente Barack Obama, os agentes federais não priorizariam alguém como a brasileira, que mantém a casa, sustenta os filhos e não possui antecedentes criminais em decorrência de uma infração menor de trânsito. Atualmente, qualquer imigrante indocumentado é passível de deportação, após o Presidente Donald Trump ter assinado um decreto de lei, em fevereiro, criminalizando a imigração clandestina.

“Pais de cidadãos americanos sem antecedentes criminais são deportados todos os dias”, disse a advogada Marianthe Poulianos, que está representando Jussara no caso de deportação. “Eu sempre sinto que as pessoas duvidam de mim quando digo isso. Aqui está um exemplo bastante real disso”.

. Vida difícil no Brasil:

Aos 21 anos, Jussara casou-se com Jaconias de Campos, pai de seus dois filhos, em 1995 e Leonardo nasceu no Brasil em 1999. A oportunidade de uma vida melhor ocorreu quando o irmão do esposo convidou o casal para ficar com ele em Tampa. Eles aplicaram para o visto de turista e compraram bilhetes somente de ida.

“Uma vida boa no Brasil equivale a uma vida pobre nos EUA”, disse Davis.

Posteriormente, ela teve outro filho, John, comprou uma casa de 3 quartos, pintou a sala de amarelo claro e a encheu com fotos da família, após passar por um divórcio difícil. Atualmente, Leonardo estuda Engenharia Mecânica na University of South Florida, graças ao Deferred Action for Childhood Arrivals (DACA), assinado pelo Presidente Barack Obama. O programa protege da deportação os indocumentados que imigraram aos EUA ainda na infância e permite, temporariamente, que eles trabalhem legalmente no país. Ele é diabético e precisa tomar constantemente insulina.   

Enquanto aguarda ansiosa a audiência em 28 de dezembro, Jussara conjectura se, um dia, olhará para trás e o fatídico verão de 2017 parecerá somente uma lembrança distante, mas que nunca sairá da memória. 

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