Brasileiro compara deportação à “pena de morte”

Foto12 Nestor Marchi Brasileiro compara deportação à “pena de morte”
“A vida terminou para mim, pois estando aqui há tanto tempo eu simplesmente tento ser americano agora”, disse Nestor Marchi
Foto12 Andy Marchi Brasileiro compara deportação à “pena de morte”
“Sabendo a forma de como é a medicina brasileira, conhecendo o jeito de como os hospitais e médicos são, isso é uma pena de morte”, desabafou Andy Marchi

Nestor Marchi, que sofre de vários problemas de saúde, recebeu uma carta do ICE o comunicando para sair dos EUA até 15 de junho

O imigrante Andy Marchi decidiu tornar-se bombeiro na cidade de Greensboro (NC) porque seus pais o ensinaram a pensar nas pessoas. “O meu pai e a minha mãe sempre me ensinaram a colocar os outros em frente de mim”, disse ele ao canal de TV Fox 8.

Marchi salva vidas para ganhar a vida, mas, nesse momento, existe uma vida que o brasileiro não pode salvar e essa vida é a do próprio pai. “Eu realmente não posso ajuda-lo. Isso é difícil e realmente doloroso”, comentou.

O pai, Nestor Marchi, é um imigrante indocumentado brasileiro. Ele trouxe a família para os EUA em 1994 em busca de oportunidades. “O meu objetivo era chegar aqui e dar algo a ele e proporcionar à minha família uma vida melhor”, disse Nestor.

Ele permaneceu nos EUA após o vencimento do visto de turista e começou a trabalhar como mecânico aéreo. Em 2004, ele foi preso durante uma batida migratória ocorrida no ambiente de trabalho. O Departamento de Segurança Nacional (DHS) pediu a Nestor que ele denunciasse fraudes e abusos que ocorressem na indústria aérea. Ele concordou e, então, o governo americano concedeu-lhe a permissão de trabalho.

Entre 2005 e 2012 Marchi compareceu ao escritório do Departamento de Imigração (ICE) uma vez a cada 30 dias. Depois de 2012, ele passou a comparecer anualmente. Ele teve que informar qualquer mudança de endereço, entretanto, em abril de 2017, o brasileiro foi notificado que deveria deixar os EUA até 15 de junho.

“A vida terminou para mim, pois estando aqui há tanto tempo eu simplesmente tento ser americano agora”, relatou.

. Pena de morte:

Ele planeja acatar as ordens do ICE e já comprou o bilhete só de ida para o Brasil com o embarque marcado para 14 de junho. Entretanto, Nestor espera que as autoridades concedam-lhe mais tempo, pois sofre de insuficiência cardíaca congestiva e outros problemas de saúde. O brasileiro e o filho temem que sistema de saúde lento do Brasil o deixe sem a consulta a um médico por até 1 ano e Marchi não resistiria a isso.

“Conhecendo o meu pai, que ele deverá voltar sem qualquer coisa planejada, sabendo a forma de como é a medicina brasileira, conhecendo o jeito de como os hospitais e médicos são, isso é uma pena de morte”, desabafou Andy.

O advogado de Nestor, Jeremey McKinney, tenta junto à chefia do ICE atrasar a deportação do cliente para que ele possa melhorar a saúde.

Marchi acredita que, se as autoridades prestarem atenção melhor em sua saga, talvez o concedam uma segunda oportunidade. “Eu penso que as pessoas deveriam ser mais humanas, mais compreensivas, caso a caso, por que? Verificar se é verdade; é isso o que eu estou pedindo”, disse ele.

Nestor espera melhorar a saúde para que um dia ele possa retornar aos Estados Unidos e permanecer junto à sua família. “Conseguir algo que me mantenha vivo, pois eu quero voltar, eu quero voltar e ver o meu filho. Eles (o filho e a nora) estão falando sobre crianças e eu quero ver os netos”, concluiu Marchi.

 

Sobre o autor

O jornalista Leonardo Ferreira é formado em Comunicação Social pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso – FACHA, sediada no Rio de Janeiro - RJ.

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