Brasileiro é acusado de atuar em esquema milionário na Flórida

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O suposto esquema montado por Antônio Carlos e os sócios José Manuel Ordoñez e Júlio Enrique Rivera movimentou mais de US$ 150 milhões

Antônio Carlos de Godoy Buzaneli é acusado de conspirar para cometer fraude postal e 12 acusações de fraude postal

Na segunda-feira (20), o Promotor Público Gregory G. Brooker anunciou a acusação de Antônio de Godoy Buzaneli, de 56 anos, e José Manuel Ordoñez Jr., de 46 anos, no esquema fraudulento de investimento que movimentou US$ 150 milhões envolvendo venda de débitos (factoring) brasileiros. Júlio Enrique Rivera, de 61 anos, terceiro envolvido no esquema, foi acusado de passar criminalmente informações e assumiu a culpa em 9 de novembro. Buzaneli e Ordoñez foram detidos em 17 de novembro e compareceram no mesmo dia à tarde na audiência preliminar ocorrida na Corte Distrital de Miami, Flórida. Ambos também compareceram no dia seguinte (21) à uma audiência na qual foram discutidas as detenções perante o Juiz John O’Sullivan no prédio C. Clyde Atkins US Courthouse em Miami (FL). As informações são da Promotoria Pública do Distrito de Minnesota.

Conforme os documentos apresentados no tribunal, Buzaneli, Ordoñez e Rivera eram os diretores da Providence Holdings International, Inc., uma companhia com sede em Key Biscayne (FL). Em 2009 e 2010, os três sócios fundaram a Providential Financial Investiments, Inc., e a Providence Fixed Income Fund LLC com o objetivo de obter dinheiro de investidores. Ainda segundo os documentos, entre 2010 e junho de 2016, a Providence movimentou aproximadamente US$ 150 milhões de investidores em todas as partes do mundo informando que a companhia investiria o dinheiro em “factoring” brasileiro. O “Factoring” é uma transação financeira na qual as contas recebedoras são compradas com desconto. O material de marketing da Providence explicava que consumidores no Brasil preenchiam 10 cheques pré-datados de US$ 100, um por mês, para pagar US$ 1 mil em artigos de varejo como, por exemplo, eletrônicos ou mantimentos. O vendedor a varejo então vendia esses cheques pré-datados a Providence por US$ 820 e a companhia lucrava US$ 180 ao longo dos 10 meses enquanto os cheques compensavam. Como resultado, a Providence alegava conceder 48% de retorno anual ao dinheiro investido no Brasil.

Segundo os documentos, a Providence levantou mais de US$ 64 milhões de investidores nos EUA utilizando uma rede de representantes não licenciados que vendiam notas promissórias com juros anuais entre 12% e 24%. Os investidores eram informados que o dinheiro seria utilizado para manter contas de recebimento no Brasil. Buzaneli, Ordoñez e Rivera proviam esses representantes com materiais de marketing para mostrar aos investidores que o dinheiro deles era utilizado para manter contas de recebimento no Brasil. Os materiais alegavam falsamente que os fundos seriam usados “somente para o propósito” de realizarem empréstimos à subsidiária da Providence no Brasil “que utilizaria o lucro dos empréstimos para adquirir contas de recebimento ou instrumentos financeiros como cheques pré-datados e/ou duplicatas no Mercado Brasileiro de Factoring”.

As acusações alegam que Buzaneli e Ordoñez ao invés disso utilizaram uma parcela significativa do dinheiro dos investidores para pagarem os lucros de outros investidores e comissões aos representantes. Ambos também desviaram dinheiro dos investidores para outras empresas que eles controlavam, incluindo uma empresa de importação & exportação, uma agência de viagens, um serviço de restauração de crédito, uma empresa de catering e um foodtruck (caminhão de venda de comidas) operado pela esposa de Buzaneli.

Conforme documentos apresentados no tribunal, um dos representantes da Providence, um indivíduo identificado pelas iniciais J.C., era proprietário e operava uma firma de consultoria financeira em Saint Louis Park (Minn.). Entre julho de 2013 e janeiro de 2016, J.C. levantou aproximadamente US$ 2.4 milhões para a Providence de investidores em Minnesota informando-os que a Providence investiria o dinheiro deles em “Factoring” no Brasil.

Em 28 de julho de 2016, a Providence Financial Investiments, Inc., e a Providence Fixed Income Fund LLC declararam falência, alegando que os bens de ambas as companhias totalizavam entre US$ 0 a US$ 50 mil. Como resultado do esquema de fraude, os investidores da Providence em todo o mundo perderam o total de mais de US$ 100 mil.

A Providence tinha escritórios e representantes em Londres, Hong Kong, Taipei, Shanghai, Singapura, Vancouver, Panamá, entre outros lugares.

Antônio Carlos, morador em Coral Gables (FL), e José Manuel, residente em Davie (FL), são acusados de conspirar para cometer fraude postal e 12 acusações de fraude postal. Já Júlio Enrique Rivera, de Pembroke Pines (FL), foi considerado culpado de conspirar para cometer fraude postal.

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