Brasileiro processa Forças Armadas por dispensa sem explicação

Foto16 Lucas Calixto Brasileiro processa Forças Armadas por dispensa sem explicação
Lucas Calixto, de 28 anos, nasceu no Brasil e imigrou para os EUA aos 12 anos

Lucas Calixto diz que foi dispensado do serviço militar sem qualquer aviso prévio ou razão aparente

Um soldado da Reserva das Forças Armadas dos EUA processou judicialmente por ter sido dispensado sem qualquer aviso prévio ou explicação, aparentemente devido a participação dele num programa para imigrantes. Na quinta-feira (5), a agência de notícias Associated Press publicou que as Forças Militares estão dispensando soldados que não são cidadãos americanos. Isso inclui Lucas Calixto, um soldado de 2ª classe que processou as autoridades militares, em 28 de junho, pela dispensa inesperada. O processo alega que ele foi retirado sem qualquer razão formal, mas no campo “instruções adicionais” do formulário de dispensa estava escrito “MAVNI – Military Personel Security”.

As iniciais MAVNI representam “Acesso Militar Vital para o programa de Interesse Nacional”, o qual permite que determinados imigrantes que não são cidadãos americanos ou residentes legais permanentes (green card) se alistem nas Forças Armadas se eles tiverem habilidades que as autoridades militares precisam. Tais recrutas recebem a promessa de uma rota “acelerada” para a obtenção da cidadania americana. Calixto, de 28 anos, nasceu no Brasil e imigrou para os EUA aos 12 anos.

“Agora, a sensação ótima que eu tive quando me alistei está indo ralo adentro”, relatou Lucas. “Eu não entendo porque isso esteja acontecendo”.

“Era o meu sonho servir nas Forças Armadas. Uma vez que esse país tem sido tão bom para mim, eu pensei que o mínimo que poderia fazer é retribuir ao meu país adotivo e servir nas Forças Armadas dos Estados Unidos”, acrescentou Calixto.

Calixto se alistou nas Forças Armadas no início de 2016 e desde então não nunca foi disciplinado ou motivo de reclamação, conforme o processo. De fato, ele foi promovido a recruta de 2ª Classe pouco antes de ser dispensado. A ação judicial argumenta que as Forças Armadas violaram as próprias regras, as do Departamento de Defesa e o direito de ser ouvido num tribunal ao não explicar a dispensa ou conceder a possibilidade de resposta. As diretrizes das Forças Armadas exigem que alguém que esteja sujeito à uma “ação administrativa desfavorável” receba por escrito um comunicado amplo e detalhado sobre as razões da decisão e a oportunidade de resposta.

O processo de Calixto pede ao tribunal que cancela a ordem de dispensa e emita uma declaração na qual indique o as Forças Armadas violou as próprias regras.

O brasileiro não está sozinho, pois mais de 40 indivíduos enfrentam o mesmo dilema. A advogada de imigração Margaret Stock, que também é coronel interina aposentada na Reserva das Forças Armadas, disse ter recebido mensagens numerosas de recrutas que foram dispensados abruptamente. Todos eles haviam se alistado e feito o juramento; muitos deles na reserva.

“Os imigrantes vem servindo nas Forças Armadas desde 1775”, disse Margaret. “Nós não teríamos vencido a revolução sem os imigrantes. Nós não iremos vencer a guerra global contra o terrorismo atualmente sem os imigrantes”.

O programa MAVNI, que Stock ajudou a criar, foi uma tentativa de aumentar o alistamento militar e ajudar a encontrar pessoas com aptidões médicas ou fluência em 44 idiomas específicos. Quase 110 mil membros das Forças Armadas se tornaram cidadãos dos EUA desde 2001, detalhou o Departamento de Defesa. Além disso, um estudo revelou que esses recrutas apresentam um custo-benefício melhor que os colegas americanos natos.

 

 

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