Brasileiro que fugiu de prisão no Japão diz que agiu sozinho

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Carlos Ghosn negou que a família dele tenha participado em sua fuga para Beirute, no Líbano

O executivo escapou da prisão domiciliar através da Turquia e relatou que planejou e executou tudo sozinho, sem a ajuda dos parentes

No 2º comunicado divulgado desde que escapou da prisão domiciliar, em Tóquio, Japão, na segunda-feira (30), o executivo da aliança Renault-Nissan, Carlos Ghosn, negou que a família dele tenha participado em sua fuga para Beirute, no Líbano.

“As alegações da mídia que minha esposa Carole e outros membros da minha família tiveram um papel importante na minha partida são falsas. Eu fui o único que organizou minha partida”, disse Carlos através de nota divulgada na quinta-feira (2).

A fuga para o Líbano é o mais novo capítulo na história de Carlos Ghosn com a Justiça japonesa, que começou em novembro de 2018. Na ocasião, ele foi preso pela polícia depois de ser acusado de ocultar parte de seu patrimônio (sonegação fiscal). Ele ficou vários meses na penitenciária fechar um acordo de US$ 14 milhões e entrar em prisão domiciliar. Apesar de as acusações da promotoria japonesa terem sido feitas há pouco mais de 1 ano, ainda não havia sido agendado um julgamento em Tóquio.

O brasileiro alega “perseguição” econômica e política, portanto, não teria um julgamento justo no Japão. Conforme estatísticas, geralmente, 99% dos casos criminais no Japão resultam em condenação.

A fuga de Carlos ainda é cercada de mistérios. Segundo notícias divulgadas, o brasileiro teria usado um passaporte francês, pois seus demais documentos haviam sido confiscados pela justiça japonesa. A bordo de um jato particular, ele pousou na Turquia antes de seguir rumo a Beirute. Ao longo de 2019, ele recebeu várias manifestações de apoio do governo libanês. Na quinta-feira (2), o Líbano recebeu um pedido de prisão da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) contra Carlos, afirmou Albert Serhan, ministro da Justiça libanês, através da agência de notícias oficial do país, a NNA.

Na Turquia, em Istambul, foram presos 4 pilotos suspeitos de terem ajudado Ghosn a fugir para o Líbano. Ele possui nacionalidades brasileira, libanesa e francesa e teria fugido do Japão com o passaporte francês, pois os outros dois haviam sido confiscados pelas autoridades japonesas. O ministro libanês afirmou que o governo vai “cumprir suas obrigações” em relação ao alerta da Interpol, sugerindo que Ghosn poderá ser interrogado, entretanto, reforçou que o Líbano e o Japão não têm acordo de extradição. Ele adiantou que de forma alguma o Líbano entregará o ex-executivo brasileiro às autoridades japonesas.

A França também adiantou que não extraditaria Ghosn, pois o país não deporta seus próprios cidadãos.

Ghosn deixou o cargo de CEO da Nissan em 1 de abril de 2017, permanecendo como presidente da empresa. Ele foi preso no aeroporto de Haneda em 19 de novembro de 2018, sob alegações de sub-relato de seus ganhos e uso indevido de ativos da empresa. Em 22 de novembro de 2018, o conselho da Nissan tomou a decisão unânime de demitir Ghosn como presidente da Nissan. Seguiu-se o conselho da Mitsubishi Motors em 26 de novembro de 2018. Renault e o governo francês continuaram a apoiá-lo, considerando-o inocente até que se prove a culpa. No entanto, Ghosn renunciou ao cargo de presidente e CEO da Renault em 24 de janeiro de 2019.

Enquanto estava sob fiança, Ghosn foi preso em Tóquio em 4 de abril de 2019 devido a novas acusações de apropriação indébita de fundos da Nissan. Em 8 de abril de 2019, os acionistas da Nissan votaram a favor de expulsar Ghosn da diretoria da empresa. Ele foi libertado sob o pagamento de fiança em 25 de abril. Meses depois, o executivo brasileiro fugiu para o Líbano, país onde cresceu e possui parentes.

 

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