Brasileiro quer dificultar pedidos de asilo na fronteira dos EUA

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Igor C. Magalhães, de 23 anos, atua na área de política migratória da Texas Public Policy Foundation

Igor C. Magalhães, natural do Rio de Janeiro, imigrou para o Texas ainda na infância e defende a maior rigidez nos processos de pedido de asilo

Na semana passada, o carioca Igor C. Magalhães, de 23 anos, atuante na área de política migratória da Texas Public Policy Foundation, participou do painel de palestrantes que discutiram a crise na fronteira dos EUA e México e as possíveis soluções para o problema. Ele imigrou legalmente para o Texas com a família em 2008, aos 12 anos de idade, e naturalizou-se cidadão do país. Durante o discurso, o brasileiro enfatizou que sistema atual está ultrapassado e, portanto, precisa ser reformado, garantindo que menos imigrantes entrem nos EUA, e defendeu a maior rigidez nos processos de pedido de asilo.

“Agora, (nós) somos cidadãos americanos. Meus pais possuem e operam duas escolas de artes marciais na área de Houston (TX) que têm mais de 1.000 alunos no total. Minha irmã mais velha acaba de se formar na faculdade de Direito e vai atuar em Nova York. Recentemente, me formei na Universidade do Texas em Austin e agora trabalho na Fundação de Políticas Públicas do Texas como membro legislativo do Right on Immigration”, postou ele no website da entidade (texaspolicy.com).

“Entrar no país ilegalmente; atravessando a fronteira, permanecendo após a expiração de um visto ou aproveitando as brechas nas leis de imigração americanas; compromete a soberania dos Estados Unidos. Passar pelas vias legais da imigração mostra respeito ao país do qual se busca fazer parte. Foi isso que minha família fez e é para isso que continuarei a defender”, acrescentou.

Além disso, Magalhães tenta modificar a “Lei de Reautorização da Proteção às Vítimas do Tráfico”. Ele defende que as crianças naturais de El Salvador, Honduras e Guatemala, encontradas desacompanhadas na fronteira sul dos EUA, recebam o mesmo tratamento que as crianças naturais do México e Canadá.

. Queda das apreensões na fronteira:

O Departamento de Alfândega & Proteção de Fronteiras (CBP) prendeu mais de 42 mil imigrantes na fronteira dos EUA e México em outubro. Os índices indicam a tendência de queda depois de picos recordes registrados no início de 2019, anunciou no final de novembro o comissário interino do CBP, Mark Morgan.

O declínio nas prisões está alinhado com a recente tendência após um pico em maio, quando as apreensões aumentaram para quase 133 mil. O governo creditou a queda nas detenções à uma série de políticas; incluindo o programa informalmente conhecido como “permaneça no México” e parcerias regionais.

“Este governo tem e continua a tomar medidas ousadas para lidar com esta crise e os números mostram que está funcionando”, disse Morgan em entrevista coletiva na sala de reuniões da Casa Branca, observando que houve uma queda de 14% nas prisões em outubro em comparação a setembro.

A Patrulha de Fronteira prendeu 35.444 migrantes na divisa com o México em outubro, em contraste com 40.507 em setembro, segundo dados da agência, e 9.806 pessoas foram impedidas de entrar no país.

O número de migrantes que chegou à fronteira EUA-México disparou no ano passado, quando o CBP apreendeu e julgou inadmissível quase 1 milhão de pessoas durante o ano fiscal de 2019, anunciou Morgan em outubro. Durante o verão, as apreensões na fronteira atingiram recordes, esgotando os recursos do Departamento de Segurança Interna (DHS) e levando à superlotação nas instalações fronteiriças. No início de 2019, o CBP mantinha cerca de 20 mil pessoas sob a custódia dos EUA. Atualmente, a média é de menos de 3.500 detidos diariamente, detalhou Morgan.

A origem das pessoas que chegaram à fronteira sul dos EUA no início deste ano criou um desafio adicional para o DHS. A maioria delas oriundas da Guatemala, El Salvador e Honduras; muitos deles compostos por famílias ou crianças desacompanhadas em busca de asilo nos EUA. Para estancar o fluxo de migrantes, o governo introduziu políticas que limitam drasticamente quem é elegível para asilo nos EUA, incluindo uma regra que proíbe os migrantes que residiram ou passaram por países terceiros de solicitar asilo nos EUA.

A Suprema Corte abriu caminho para que a regra, que impede que as pessoas que atravessaram o México possam reivindicar asilo nos EUA, entre em vigor em todo o país enquanto o processo de apelação tramita nos tribunais.

Em 14 de novembro, Morgan destacou que houve uma mudança na origem dos estrangeiros em outubro, sendo a maioria dos imigrantes da América Central e México. “Pela primeira vez em quase 18 meses, o México foi o país de origem na maioria das apreensões e estrangeiros inadmissíveis, em vez dos países do Triângulo Norte (Guatemala, El Salvador e Honduras), com adultos solteiros superando as famílias”, relatou Morgan.

Até o momento, muitas das políticas implantadas pelo governo atual nos EUA não se aplicam aos migrantes mexicanos.

 

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