Brasileiros deportados dos EUA são “abandonados” em Confins

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Muitos passageiros chegaram sem bagagens, acompanhados de crianças, apenas com a roupa do corpo ao Aeroporto de Confins (MG)

Desde 1 de outubro de 2018, o total de 17.900 brasileiros foram detidos por agentes da CBP, sendo necessários 60 voos para repatria-los

Na noite de sexta-feira (7), mais de 130 brasileiros que foram deportados dos Estados Unidos desembarcaram no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, no município de Confins (MG). Pessoas de diversas regiões do país, incluindo Minas Gerais, Rondônia e Goiás, que relataram os maus tratos vividos no lugar em que sonhavam recomeçar a vida. Entretanto, muitos passageiros chegaram sem bagagens, acompanhados de crianças, apenas com a roupa do corpo e ainda não sabem como vão fazer para finalmente retornar aos seus estados de origem. Vários deles concederam entrevistas à imprensa local, ainda no aeroporto, e relataram que não sabiam como iriam voltar para casa.

Desde 1 de outubro de 2018, o total de 17.900 brasileiros foram detidos por agentes da Patrulha da Fronteira (CBP), quando tentavam cruzar clandestinamente a divisa com o México e entrar clandestinamente nos EUA. Seriam necessários 60 voos para repatriar todos eles. Muitos deles estão acompanhados de crianças, pois têm conhecimento da política conhecida como “cai-cai”, na qual os adultos acompanhados de menores de idade eram autorizados a permanecer nos EUA até a resolução de seus casos. A administração Trump suspendeu tal política.

Em 24 de janeiro, 24 brasileiros deportados dos EUA desembarcaram no mesmo aeroporto, muitos deles praticamente só com a roupa do corpo. Em 26 de outubro do ano passado, 70 brasileiros deportados chegaram à capital mineira e, entre eles, conterrâneos nas mesmas condições. Muitos deles reclamaram das dificuldades passadas nos centros de detenção ao longo da fronteira, como a dificuldade de se comunicarem com parentes e a má qualidade das instalações e comida.

O endurecimento das políticas migratórias é um sinal de Trump à sua base eleitoral, pois em novembro de 2020 ele concorre à reeleição e o combate à imigração clandestina é novamente uma das bases de sua plataforma política. Ele conquistou multidões ao hastear a bandeira do nacionalismo e vincular os imigrantes clandestinos às diversas mazelas que o povo americano enfrenta, como o contrabando de drogas, criminalidade e a falta de vagas de emprego no mercado de trabalho.

Em visita à Nova Dheli, Índia, o Presidente Jair Bolsonaro disse que “em qualquer país do mundo onde as pessoas estejam de forma clandestina, é um direito daquele chefe de Estado, usando a lei, devolver esses nacionais”, em resposta aos três últimos voos de imigrantes deportados ao Brasil, nos últimos 5 meses.

Aparentemente, a desigualdade social, ideológica e econômica entre as nações comprometem a integração global, prevista no início da década de 90, tornando-a cada vez mais utópica.

 

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