Brasileiros na Carolina do Sul protestam contra o tráfico humano

Foto16 Protesto contra trafico humano Brasileiros na Carolina do Sul protestam contra o tráfico humano
Oito ativistas posaram para as lentes do fotógrafo Marcelo Todd em cima de uma ponte e rio fictícios, simulando a divisa entre os EUA e México

A política atual “jogou” os imigrantes nas mãos dos cartéis de tráfico de pessoas, cujos negócios estão explodindo na fronteira dos EUA com o México

Buscando chamar a atenção para o problema do tráfico de pessoas, um grupo de brasileiros moradores na Carolina do Sul resolveu de forma criativa e artística de protestar. Liderados por Renata Rodrigues, 8 ativistas posaram para as lentes do fotógrafo Marcelo Todd em cima de uma ponte e rio fictícios, simbolizando a divisa entre os EUA e México. A intenção é que seja criado um acervo com materiais referentes ao tema e que possa ser doado às ONGs que lutam contra o tráfico de pessoas.

Também participaram do trabalho Maiane Camelo, Rodrigo Camelo e Morgana Bezerra, entre outros.

. Situação preocupante:

Enquanto traficantes de seres humanos (coiotes) circulam por pontos de ônibus, abrigos de imigrantes  e as ruas na cidade fronteiriça de Reynosa, México, aparentemente, eles não têm problemas em encontrar clientes. O hondurenho Julian Escobar Moreno chegou à Reynosa com o objetivo de aplicar para asilo nos EUA. Entretanto, a política atual o jogou nas mãos dos cartéis de tráfico de pessoas, cujos negócios estão explodindo.

“Eu honestamente não quero cruzar (a fronteira) clandestinamente, mas realmente não tenho escolha”, disse Moreno, de 37 anos,

A administração Trump, que paralisou parcialmente o governo federal durante a disputa da liberação de verba para a construção de um muro ao longo de toda a fronteira entre os EUA e México, tem adotado uma série de estratégias, nos últimos 2 anos, para deter os imigrantes e persuadi-los a retornarem aos seus países de origem; ou sequer tentarem.

Em Reynosa e outras cidades, a demora causada pela nova política faz com que muitos imigrantes avaliem os custos e perigos de uma opção mais rápida: Contratar um coiote a preços cada vez mais altos para entrar clandestinamente nos EUA. Em novembro, o número de famílias imigrantes detidas quando tentavam cruzar a fronteira atingiu os níveis mais altos registrados, sendo algumas delas tendo a ajuda de coiotes em alguma parte da jornada.

“O que nós vemos é que ninguém está atravessando a fronteira”, disse Hector Silva, diretor de um centro que provê serviços a imigrantes nas margens do Rio Grande, que separa Reynosa de McAllen (TX). “Isso força as famílias, com todo o desespero que sentem, a irem clandestinamente”.

A decisão de espera muito tempo ou clandestinamente acelerar a viagem aos EUA não ocorre somente em Reynosa, onde o barulho de tiros se tornou comum, mas ai longo de grande parte da fronteira com o país vizinho. O fenômeno chega até Tijuana, onde milhares de pessoas esperam a vez para cruzar a fronteira. Uma visita a um centro de imigrantes em Reynosa deixa rapidamente evidente quantas pessoas estão avaliando a possibilidade de tráfico.

“Eu tenho medo de ir a um posto da Patrulha da Fronteira (CBP), pois eles me deportariam”, disse Máximo Renê Arana Nunez, um guatemalteco que chegou a Reynosa há pouco dias e espera para cruzar clandestinamente. “Eu estou preso aqui até a minha família nos Estados Unidos juntar dinheiro suficiente para pagar o coiote”, relatou.

Para aqueles capazes de pagar e estão dispostos a enfrentar os riscos, encontrar coiotes em Reynosa é fácil. As ruas estão repletas de membros de cartéis do tráfico humano, que anunciam publicamente os serviços. Os perigos das travessias clandestinas não são suficientes para dissuadir os imigrantes. Eles têm medo, mas muitos acham que não há outro recurso. Para muitos, a motivação é baseada numa verdade simples: O que eles deixaram para trás é pior daquilo que está à frente.

“Eu não tenho opção, não posso ficar lá”, disse Moreno sobre o país natal. “O nosso governo é totalmente corrupto e, se os mexicanos ou americanos me deportarem, eu estarei morto”, acrescentando que trabalha em turnos de até 12 horas, tentando juntar dinheiro suficiente para pagar um coiote.

“O desespero faz você fazer coisas loucas”, disse o recém-casado Osman Noé Guillén, de 28 anos, acompanhado da esposa. “Eu não acho que nada me impediria e certamente não um muro”, concluiu.

 

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