Brasileiros são acusados de lavagem de dinheiro e tráfico humano na FL

Foto21 Eduardo Pereira e Marcia Tiago 1024x576 Brasileiros são acusados de lavagem de dinheiro e tráfico humano na FL
A Juíza Mindy Glazer determinou as fianças de Eduardo Pereira (esq.) e Márcia Tiago (dir.) em US$ 300 mil cada

Caso sejam considerados culpados, Eduardo Pereira e Márcia Tiago poderão ser sentenciados a décadas de prisão

Enfrentando várias acusações relacionadas à lavagem de dinheiro, o casal Eduardo Pereira, de 49 anos, e Márcia Tiago, de 48 anos, moradores em North Miami (FL), poderão passar décadas atrás das grades. Eles são acusados de lavar milhões de dólares resultantes de uma rede sofisticada de tráfico humano que operava no Brasil através de diversos estabelecimentos comerciais locais. As informações são do canal de TV local NBC Miami.

Na audiência preliminar de terça-feira (23), a Juíza Mindy Glazer, do Condado de Miami-Dade, determinou a fiança dos dois. Eles são acusados de agirem como os principais lavadores de dinheiro de Vantuir de Souza, o suposto chefe da organização  e que está em prisão domiciliar no Brasil, enquanto aguarda as acusações de contrabando humano, segundo o mandado de prisão.

Souza também é acusado de organizar a viagem de uma embarcação que se perdeu no mar do Caribe em novembro de 2016. Dois capitães do barco e 17 pessoas que tentavam entrar clandestinamente nos EUA ainda estão desaparecidas e foram declaradas mortas pelas autoridades. As atividades da rede de contrabando humano foram descobertas depois da criação da Operação: Rota Caribe, uma força-tarefa formada pelo Departamento de Segurança Nacional e que tem como alvo os traficantes de pessoas.

Embora os réus Eduardo e Márcia sejam acusados no Condado de Miami-Dade, o escritório do xerife do Condado de Broward liderou a operação, batizada de “Flórida Phoenix”, a qual descobriu os detalhes do fluxo ilícito de dinheiro.

Os agentes descobriram que o esquema de Souza havia montado uma rede de capitães e embarcações pequenas que separadamente traficavam narcóticos e pessoas aos Estados Unidos.

“Durante o curso dessa investigação, uma sofisticada rede internacional de tráfico e lavagem de dinheiro foi identificada. Essa organização aparentava traficar ativamente pessoas para os Estados Unidos e lavavam o lucro obtido com isso”, detalha o mandado de prisão. “Esse esquema elaborado de lavagem de dinheiro através do comércio foi utilizado para lavar milhões de dólares de ações lícitas gerados pela organização de contrabando”.

Pereira e Tiago enfrentam as mesmas acusações: 3 acusações lavagem de dinheiro de valor maior que US$ 100 mil, 2 acusações por envolvimento em serviços de remessa de dinheiro com valor maior de US$ 100 mil e 1 acusação de envolvimento ilícito na remessa de dinheiro com valores entre US$ 20 mil e US$ 100 mil. As acusações federais podem resultar na prisão dos brasileiros durante várias décadas.

A Juíza determinou prisão domiciliar se os brasileiros puderem pagar a fiança determinada em US$ 300 mil cada. Além disso, eles terão que provar que o dinheiro utilizado para o pagamento das fianças veio de fonte legítima.

Segundo o relato de testemunhas que cooperaram com as investigações, as autoridades calculam por baixo que centenas de pessoas foram traficadas aos EUA. Primeiramente, através da rota do Brasil ao Caribe, onde não é exigido visto, e depois um barco até o sul da Flórida. As pessoas traficadas eram transportadas para New Jersey e Pensilvânia, onde geralmente estabeleciam residência. A rede cobrava em média US$ 25 mil por pessoa traficada. A soma era geralmente paga em dinheiro por amigos ou parentes da pessoa que era traficada.

Eduardo e Márcia são acusados de lavarem US$ 3.6 milhões em 2015, US$ 4.5 milhões em 2016 e US$ 170 mil em 2017 através das empresas identificadas como Maxdu Properties LLC, Get Trade Enterprises LLC, Alaska Inc. e Auto Exchange USA Corp.

 

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