Cabeleireira deportada em New Jersey chega ao Brasil
Deise Moreira, natural de Governador Valadares (MG), concedeu uma entrevista exclusiva à equipe de reportagem do BV, momentos antes de pegar o vôo para sua cidade natal
Após 20 dias de angústia e incerteza, na última quarta-feira, 5 de agosto, a cabeleireira Deise Moreira, natural de Governador Valadares, interior de Minas Gerais, foi liberada do Centro de Detenção de Elizabeth (NJ) e deportada dos Estados Unidos. Ao chegar ao Brasil, ela ficou alguns dias em São Paulo, na residência de parentes de ex-colegas de trabalho, e na última sexta-feira (7) viajou para sua cidade natal. A saga de Deise foi destaque na edição nº 1097 – 5 de agosto - do BV e causou revolta e espanto nos brasileiros radicados na região norte do Estado Jardim. Segundo a própria cabeleireira, a deportação aconteceu em decorrência de uma denúncia feita por outro imigrante brasileiro nos EUA.
Diretamente de São Paulo, via telefone, Deise concedeu uma entrevista exclusiva à equipe de reportagem do BV, momentos antes de embarcar no vôo para Governador Valadares (MG). Confiante no futuro, ela detalhou como Wagner Biscaia, 24 anos, um ex-cliente do salão de beleza onde Deise trabalhava, tornou-se seu namorado, depois companheiro de apartamento e, finalmente, o pivô de sua deportação.
“Ele colocou o “leasing” (Contrato de aluguel) do apartamento no nome dele, a PSE&G (Conta de gás e luz) no nome dele, abriu conta no banco para fazer crédito, ou seja, ele estava querendo amadurecer, sair debaixo da saia da mãe”, disse Deise.
Segundo a cabeleireira, as brigas do casal eram constantes, pois o ciúme de Wagner aumentava quando ele bebia. “Eu o ajudei muito nessa época, em muitas outras coisas, o ajudei a se firmar, incentivando-o a amadurecer e crescer. Mas ele tem um vício muito grande de cigarro, quando eu comecei a namorá-lo já sabia disso, e ele bebe muito. Eu fui dando-lhe conselhos para parar, então eu pedi ajuda à mãe dele, que sabia desse problema, mas ela não me ajudava em nada e a irmã dele muito menos e costumava me dizer: “Você conheceu ele assim”. A família nunca o incentivou a parar. Além disso, ele fazia muitas festas em casa e bebia até às quatro ou cinco da manhã”, acrescentou.
A separação definitiva do casal ocorreu no último 4 de julho, quando Wagner, também conhecido como “Xuxu”, celebrou sua festa de aniversário no apartamento e sequer convidou a namorada. “No dia seguinte, esperei ele sair, peguei o que era meu e fui embora”, disse ela.
O fato de Deise ter levado a maior parte da mobília quando Xuxu não estava em casa, gerou uma disputa material entre ela e o ex-namorado. Ela afirmou possuir as notas fiscais de todos os objetos que havia comprado. Segundo a cabeleireira, a disputa chegou aos ouvidos da família dele.
“Quando foi à noite, a irmã dele me ligou, sequer foi ele, me ameaçou e deixou uma mensagem que tenho guardada até hoje em meu celular. Ela falou que era para eu ligar para ela em meia hora senão iria à polícia dar queixa do que eu “roubei”, foi assim quem ela falou. Caso eu não fizesse isso, a coisa ficaria pior para mim e, então, ela começou a me ameaçar com a Imigração. Eu não respondi e liguei para alguns amigos que me informaram que ela não poderia fazer nada e quem deveria fazer a queixa era o Wagner, mesmo assim, eu tenho o recibo de tudo. Eu fiquei esperando, me ameaçaram de ir no salão e me bater, eu não liguei para eles em nenhum momento, então, eles ligavam para outras pessoas e ameaçavam”, disse Deise.
Após ser detida por agentes de imigração em 16 de julho, em Newark – NJ, Deise alega ter descoberto quem a havia denunciado no próprio Centro de Detenção. “Eles (os agentes) não podiam falar, por isso, confirmaram com a cabeça. Assim que eu cheguei lá, eles me deixaram fazer quantas ligações eu quisesse e quando eu falava eles confirmavam com a cabeça. Então, eu perguntei aos agentes: Existem milhares de pessoas ilegais em Newark,eu estava morando na casa da Juliana (Proprietária do salão onde a cabeleireira trabalhava) há menos de uma semana, como é que eles descobriram o meu endereço? Foi denuncia da família Biscaia? Quando eu disse isso, eles balançaram a cabeça confirmando”, disse ela.
Deise disse que não guarda mágoas de seu ex-namorado e sua família, mas que, depois de ter perdido a ingenuidade, agora consegue ver as coisas de uma forma diferente. Até o fechamento dessa edição, a equipe de reportagem do BV tentou, via telefone, contatar a família Biscaia, sem obter resposta.
Já com propostas de emprego no Brasil, em São Paulo, e com vários planos para o futuro, Deise espera escrever o livro “Nancy 23”, no qual retratará sua dramática experiência em um Centro de Detenção dos Estados Unidos e, possivelmente, tentar a sorte na Europa.



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