Rose Rodrigues: “Minha filha não era dançarina Go Go!”

Mãe nega alegações de jornais sobre o passado da brasileira Amanda Rodrigues, viúva do ex-boxeador canadense Arturo Gatti, que cometeu suicídio durante férias no Brasil

Ultrajada com as alegações de que sua filha trabalhava como dançarina exótica em clubes noturnos, Rose Barbosa Rodrigues, mãe de Amanda Rodrigues, 23 anos, viúva do ex-boxeador canadense Arturo Gatti, 37 anos, concedeu uma entrevista exclusiva à equipe de reportagem do BV.

“A Amanda é muito bonita e carismática e é isso que me magoa; por que todas as brasileiras que são bonitas são taxadas de striper ou Go Go?! Não estou querendo recriminar, mas a Amanda é uma menina de família que tem base religiosa, a gente tem uma religião; eu vou à missa todos os domingos. Isso fica chato; eu estar lá todos os domingos e minhas amigas lêem uma coisa dessas nos jornais. A minha mãe tem 63 anos, o que você acha que foi isso?! Um baque! Ela ficou duas semanas de cama”, disse Rose.

Contradizendo o que foi publicado na ocasião da morte do ex-boxeador, Rose explicou como sua filha e Arturo se conheceram: “A gente não cria os filhos para isso, a gente cria os filhos para terem um futuro melhor. Por isso que vim para cá, para estudá-las. Ela trabalhava em um “dealer” (Concessionária) da Toyota e ele (Arturo) levava amigos para comprar carros. Ele freqüentava muito Hoboken (NJ) e ela também passou a ir lá. O Arturo foi muito educado, inclusive, ele foi até à minha casa”, acrescentou.

Em 11 de julho, Gatti foi encontrado já sem vida pela própria esposa no balneário de Porto de Galinhas, litoral sul de Pernambuco, Brasil. Durante as investigações, a Polícia Civil de Pernambuco indiciou Amanda por homicídio doloso duplamente qualificado. Na ocasião, o delegado Josedith Ferreira alegou não haver dúvidas de que ela era responsável pela morte do marido. O ex-boxeador, a mulher e o filho do casal passariam 30 dias de férias na região. As autoridades locais suspeitaram do fato de ter passado cerca de 9 horas até que Amanda descobrisse o corpo de Arturo e a utilização da alça de sua bolsa no incidente.

“Esse delegado errou muito em ter acusado minha filha dessa forma. Ele não sabe o estrago que ele fez na cabeça dela. Agora, esse mesmo delegado que acusou a minha filha, eu gostaria que ele devolvesse as jóias, ou seja, as coisas do meu genro que foram tiradas do corpo dele. Até agora, ninguém falou nada. Onde estão os dólares?! Cadê o relógio caríssimo, os brincos enormes de diamante?! Cadê o cordão?! Não devolveram nada. Até agora, nada. Levaram a bolsa da minha filha, o delegado falou que precisava de levar tal bolsa, e não devolveu essa bolsa com as coisas”, disse Rose.

“Eu quero que minha filha entre com uma ação contra o Governo não é por causa de dinheiro não, porque isso lá no Brasil não dá em nada, mas é para ele responder da mesma forma que ele acusou, que queremos as coisas de volta. São coisas que foram tiradas do corpo da pessoa, então, tem que haver uma explicação. E os dólares?! A minha filha ficou sem um centavo. Até o pai e minha outra filha chegarem para levar dinheiro para ela demoraram dois dias. Onde estão as coisas? Também queremos resposta”, acrescentou.

Entretanto, exames realizados durante a autópsia determinaram a causa da morte como suicídio. A página eletrônica do ESPN, na seção de Boxing, publicou que “a investigação policial concluiu que Arturo se matou”, disse Célio Avelino, advogado da brasileira. “Eu havia dito antes que teria sido impossível para ela suspender e enforcar um homem daquele tamanho”.

A brasileira foi liberada da prisão dias depois e, na ocasião, não pôde acompanhar o velório e enterro do marido no Canadá. “Aquele delegado acusou a Amanda sem provas. Ela ligou para o serviço de emergência no Brasil e pensou que fosse à delegacia para apenas prestar um depoimento, sair dali e cuidar do corpo do marido dela. Ela sequer teve a chance de se despedir”, comentou Rose.

Segundo ela, suas filhas, Flávia e Amanda, tiveram uma educação sólida e estudaram nos colégios mais tradicionais de Belo Horizonte (MG). Em virtude da crise financeira no país, ela decidiu imigrar para ajudar financeiramente nos estudos de Flávia, que cursava Medicina na capital mineira, e trouxe Amanda, na época com 14 anos, aos EUA. “Eu resolvi vir com a Amanda para New Jersey porque aqui me oferecia uma qualidade de vida melhor. O primeiro lugar que moramos foi em Union, depois Hillside e, então, Elizabeth. A Amanda começou o High School (Estudo secundário) em Union e terminou em Hillside. Ela teve uma adolescência normal; na verdade, o primeiro trabalho da Amanda foi numa deli em Hillside que vendia só frutas, só de chineses. A Amanda nunca teve vergonha de trabalhar, ela é como eu”, disse ela.

“Ela teve a garra que eu tive, pois nos primeiros anos aqui, todo mundo sabe, não são fáceis. Ela dormia no chão comigo, porque a gente não deve ter vergonha de contar o que passou, pois para estar onde estamos hoje é até motivo de orgulho”, acrescentou.

Rose detalhou que Arturo, Amanda e o filho do casal, Arturo Gatti Jr. haviam ido ao Brasil para participarem da festa de formatura de Flávia em Medicina em Minas Gerais e que, posteriormente, rumariam para o nordeste brasileiro, onde ficariam 1 mês.

Ela disse que sua família sempre teve um excelente relacionamento com o ex-boxeador e que o considerava um filho. Entretanto, em virtude da dependência química de Arturo, o casal enfrentava alguns problemas. Rose acrescentou que o ex-boxeador chegou a ser internado em um centro de desintoxicação na Flórida, mas que a família do lutador o tirou antes do término do tratamento. Ela alegou que busca esclarecer os fatos para que no futuro seu neto, Arturo Gatti Jr., tenha conhecimento da verdade.

Rose concordou que a família de Arturo Gatti no Canadá realizasse uma nova autópsia no corpo. “Concordo, eu faria o mesmo. Eu rezo muito para eles, porque a dor que eles estão sentindo não é menor que a minha. Eu sei que ela era a mãe, mas eu era a sogra e tinha o Arturo como um filho. Acho que o pouco tempo que convivemos, foram três anos e pouco, isso não diminui nem aumenta, porque amor não se mede. Estou sofrendo muito e sofrendo pelo o que minha filha está sofrendo. Por que a Amanda passou por um trauma, ela foi presa, acusada, ficou longe do filho e do marido, ela não teve a chance, porque problemas eles tinham, eles brigavam, mas ela tinha que ter a chance de se despedir do marido dela. Isso vai faltar na vida dela, ela pulou essa etapa. Ela não teve a oportunidade de se despedir e cuidar do corpo dele”, disse Rose.

Rose disse que planeja acionar judicialmente os veículos de comunicação que citaram sua filha como dançarina em clubes noturnos. “De onde eles tiraram isso, não é verdade?! Por que eles utilizaram esse adjetivo pejorativo para a minha filha? Eles utilizaram como uma forma de agredi-la. Claro que não estou preocupada em esclarecer isso para os nossos amigos e familiares, pois todo mundo conhece a minha filha. Amanhã, o Júnior vai querer saber a história do pai dele e isso estará no meio. Ele terá que saber da história e a mãe dele não foi nada disso do que estão escrevendo nos jornais, do que estão falando. Estou fazendo isso pelo meu neto”, explicou ela.

Ela agradeceu ao apoio espiritual recebido pela Paróquia da Igreja Católica Santa Catarina em Elizabeth – NJ, na pessoa do Padre Geraldo, durante os momentos mais difíceis.

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