Censo 2010 causa polêmica entre ativistas brasileiros em MA
A proposta de boicotar a pesquisa nacional enfrenta forte oposição de vários grupos de ativistas locais
Um grupo de ativistas comunitários em Massachusetts está encorajando imigrantes ilegais e seus apoiadores a boicotarem o Census 2010 como forma de protestar contra a passividade do Governo local no que diz respeito à aprovação de uma reforma migratória, uma ação que poderá custar milhões de dólares ao estado. A polêmica campanha repercutiu em outras regiões dos Estados Unidos, principalmente aquelas que concentram comunidades formadas por imigrantes. Os dados captados pelo Censo são cruciais para determinar a quantidade de verba federal os municípios receberão.
Um boicote generalizado, alertaram representantes governamentais e grupos pró-imigrantes, poderia forçar Massachusetts a cortar serviços que vão desde o fornecimento de merendas escolares a construção de auto-estradas, além de aumentar a possibilidade da perda de assentos no Congresso.
Entretanto, os apoiadores do boicote alegam que a ação forçaria os políticos a resolverem os problemas enfrentados diariamente pelos imigrantes ilegais como, por exemplo, a separação familiar, culminando na aprovação de uma reforma migratória ampla que permitiria a legalização de milhões de estrangeiros.
“Legalize-nos antes de contar-nos”, disse Fausto da Rocha em um programa de rádio na cidade de Quincy (MA), segundo o Boston.Com. “Política tem a ver com poder e dinheiro e não dando a sua informação você estará tirando poder e dinheiro dos políticos”, acrescentou ele, líder comunitário brasileiro na região da Nova Inglaterra.
A proposta do boicote, organizada esse ano pela National Coalition of Latino Clergy and Christian Leaders, um grupo sediado em Washington – DC que representa 20 mil igrejas em todo o país, incluindo 300 em Massachusetts, causou polêmica entre as comunidades imigrantes. A proposta enfrenta forte oposição de vários grupos ativistas, entre eles o Massachusetts Immigrant and Refugee Advocacy Coalition, Service Employees International e o Brazilian Immigrant Center. Até o momento, o projeto de boicote tem sido passado de boca à boca, programas de rádio locais e blogs por alguns membros das igrejas participantes.
Eliseo Medina, vice-presidente executivo da SEIU, considerou o boicote “irresponsável” e gerente municipal do município de Chelsea (MA), Jay Ash, o chamou de “absolutamente louco”.
Embora o projeto de boicote seja de âmbito nacional, estados com grande concentração de imigrantes, como Massachusetts, New Jersey, Califórnia, New York e Flórida, tendem a perder mais devido às fórmulas que baseiam as verbas federais conforme a população. Ano passado, Massachusetts recebeu US$ 11.4 bilhões de verba federal e aqueles ignorarem o Censo podem custar ao Estado cerca de US$ 1.755 por pessoa, disse Brian McNiff, porta-voz da Secretaria de Estado de Massachusetts.
“É frustrante ouvir que qualquer indivíduo ou organização possa sugerir a alguém para não participar do Censo quando existe tanto a perder”, disse Kathleen Ludgate, diretora regional do Censo em Boston. “Esperamos que as pessoas participem do Censo para que, assim, recebamos a nossa cota justa em Boston e todo o estado”.
A participação no Censo é exigida por lei a cada 10 anos para que o Governo possa obter dados exatos de cada residente nos Estados Unidos, entretanto, a multa por não colaborar é de apenas US$ 100 e, geralmente, o Censo não pune os violadores. Ao invés disso, o órgão encoraja a participação gastando milhões de dólares em propaganda e trabalhadores que falam diferentes idiomas.
Um boicote poderia pôr o estado politicamente em risco, disse o secretário de Estado William F. Galvin. Devido à mudança da população para as regiões Sul e Oeste, disse ele, Massachusetts corre o risco de perder 1 dos seus 10 assentos no Congresso.
“Estamos à beira de perder um assento no Congresso”, comentou William. “Como ajudaria ter poucas vozes aqui?!”
Entretanto, defensores do boicote alegam que essa é a oportunidade de chamar a atenção dos políticos que falharam em aprovar uma legislação que resolvesse efetivamente o problema dos imigrantes ilegais, mesmo que seu número tenha alcançado 12 milhões em todo o país e cerca de 180 mil deles vivem em Massachusetts, ou seja, 1 entre 5 imigrantes. No geral, 14% da população no estado é estrangeira, sendo a maioria legalmente.
“Entendo que isso possa afetar o orçamento dos estados”, disse o Reverendo Victor Jarvis, da Igreja Ebenezer em Lawrence (MA), que apóia o boicote e planeja discuti-lo em um show de rádio. “Mas, você tem que fazer alguma coisa, de outra forma, na política, eles vão sempre utilizar os mais vulneráveis para beneficiarem a si próprios”.
A idéia do boicote pareceu favorável para inúmeros imigrantes e seus defensores que ligaram para a estação de rádio em Quincy (MA), semana passada.
No estúdio, localizado no porão da Igreja Assembléia de Deus, Rocha e o co-apresentador José Bravo e o pastor Emídio da Silva disseram estar impressionados pelos casos que presenciam todos os dias. Eles visitam penitenciárias, escutam histórias sobre entes queridos que não são vistos há anos e reclamações de trabalhadores que enfrentaram horas de trabalho árduo, mas nunca foram pagos.
O Presidente Barack Obama prometeu realizar uma reforma migratória em seu primeiro ano no cargo.
“Eles aproximam-se de você, mas você não pode votar”, disse Rocha, segundo o Boston.Com. “Você está perdendo o seu direito a ter um seguro. É dinheiro para saúde, educação, prefeitura e segurança, mas e a sua segurança?! Isso é problema dos outros”.
As ligações começaram a chegar imediatamente. Entretanto, o Brazilian Ministers Network e o Brazilian Immigrant Center, no qual Rocha atua como diretor executivo, são contra o boicote.
Eduardo Siqueira, presidente da associação, criticou o plano e alegou que ele poderá provocar mais prejuízos que vantagens. “Poderá gerar mais antagonismo contra os imigrantes”, disse ele. “Não é um tipo de campanha que faça sentido”.



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Sinto muito por termos que fazer esse boycote pra que os ( esquecidos ) ou os Ignorados ) possam ser ouvidos. It's better than sit your ass down and do nothing !!
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