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Caso Sean Goldman é destaque no Larry King Show

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image “Já passei por todos esses obstáculos antes”, comentou David. “Ainda acordo todos os dias na casa, no final do corredor onde fica o quarto de Sean, e ele não está dormindo em sua cama”

O programa foi ao ar na última quarta-feira, 4 de março, no Canal CNN

Na última quarta-feira, 4 de março, às 9 horas da noite, o drama vivido por David Goldman, que há 4 anos e meio tenta reconquistar a guarda do seu filho, Sean Goldman, de 8 anos, levado pela mãe ao Brasil, foi destaque no Larry Show. O programa é o mais antigo exibido pela CNN.

Quando a ex-esposa de David, Bruna Bianchi Ribeiro e seu filho Sean embarcaram num avião no Newark Liberty International Airport em junho de 2004, ele planejava juntar-se a eles uma semana depois no Rio de Janeiro. Dias depois, durante uma ligação telefônica feita por Bruna ele é informado que a relação havia acabado e que ela queria o divórcio. Bruna informou-lhe que ficaria de vez no Brasil, sua terra natal, juntamente com seu filho.

A partir dessa ligação, a família Goldman tornou-se conhecida como mais um caso de rapto internacional de menores por seus pais ou responsáveis. A disputa pela guarda do menor continua nas Cortes brasileiras e norte-americanas e recentemente atingiu os níveis mais altos da administração do Presidente Barack Obama.

Em fevereiro desse ano, David viu seu filho somente uma vez, desde que a criança enbarcou naquele fatídico vôo para o Brasil há cerca de 4 anos e meio. Entretanto, ele nunca mais viu Bruna, que morreu de complicações pós-parto durante o nascimento de sua filha, fruto do segundo casamento com o famoso advogado carioca João Paulo Lins e Silva, que a representava no caso contra o ex-marido.

O incidente vem estremecendo as relações diplomáticas entre o Brasil e Estados Unidos e, provavelmente, fez parte da agenda quando a Secretária de Estado Hillary Rodham Clinton e Celso Amorin, Ministro do Exterior do Brasil, encontraram-se antes da reunião entre os presidentes Barack Obama e Luis Inácio Lula da Silva, marcada para 17 de março, terça-feira.

O ponto básico da polêmica, é que o Brasil faz parte das nações integrantes da Convenção de Haia, um acordo destinado a resolver casos de rapto internacional de menores por seus pais ou responsáveis.

“Se a disputa envolvesse a recuperação de um artefato ou documento histórico, seria triste mais até aceitável que demorasse tantos anos para ser decido nas cortes”, comentou Bernard Aronson, ex-assistente da Secretaria de Estado para Assuntos Inter-Americanos, que tem assistido David Goldman. “Entretanto, estamos lidando com uma criança que vem sendo privada de seu contato com o pai por quatro anos e meio. O tempo é o inimigo”.

Apesar do aparente silêncio por parte dos veículos de comunicação no Brasil, o caso tem ganhado espaço na mídia no exterior, além de páginas eletrônicas no Facebook, MySpace e o web site: BringSeanHome.org, que foi desenvolvido e criado por amigos de David e voluntários. Duas resoluções estão pendentes no Congresso exigindo que o Governo Brasileiro repatrie Sean.

David Goldman conheceu sua ex-esposa quando atuava como modelo fotográfico em Milão, Itália, em 1997; onde ela estudava moda. Eles casaram-se em 1999 e fixaram residência em Tinton Falls, New Jersey, próximo ao litoral. Ela deu à luz a Sean em 2000.

David Goldman, 42 anos, que atualmente trabalha como capitão de um navio de pesca, corretor imobiliário e modelo, alegou não ter a mínima idéia que sua esposa estava infeliz até que ela ligou em 20 de junho de 2004, exigindo o divórcio e custódia de Sean. “Não tinha a menor idéia”, disse ele. Em agosto de 2004, um juiz da Corte Superior de New Jersey determinou que os esforços de Bruna Goldman em manter Sean no Brasil eram “errados”, então, ele ordenou a repatriação imediata do menino. 

Entretanto, a pressão dos Estados Unidos não surtirá efeito. A opinião é do advogado da família brasileira do menino, Carlos Eduardo Martins, ouvido pela colunista Mônica Bergamo. A entrevista foi publicada na Folha de São Paulo na última sexta-feira (6). Para o defensor, o fato de o garoto já estar adaptado ao Brasil e à família brasileira é motivo suficiente para mantê-lo no país.

No início de setembro, após Bruna não ter obedecido a órdem do juiz norte-americano, o advogado de David notificou o Escritório de Assuntos Infantis do Departamento de Estado, que auxilia cidadãos norte-americanos em casos de rapto internacional infantil. Os Estados Unidos e Brasil estão entre os 68 países que assinaram um acordo, conhecido como Convenção de Haia, que provê mecanismos entre os países participantes para resolver casos de raptos de crianças.

David também acionou judicialmente o Brasil pela repatriação de Sean, utilizando como base a Convenção de Haia. Em outubro de 2005, um juiz federal do Rio de Janeiro, Fábio Tenenblat, escreveu numa decisão que a “transferência ou retenção  do menino no Brasil ocorreu ilegalmente”, segundo as leis de New Jersey.

Entretanto, Tenenblat citou uma cláusula da Convenção que permite que uma autoridade judicial decida que a criança permaneça no segundo país, caso “seja comprovado que o menor esteja habituado no novo meio-ambiente” se já passaram mais de 1 ano desde a data do rapto e o início de uma ação legal no segundo país.

Sean atendeu uma das melhores escolas do Rio de Janeiro, tinha inúmeros amigos e era “uma criança normal e feliz”, disse Tenenblat, e, por isso, autorizou que Bruna Goldman permanecesse com Sean.

Os advogados de David apelaram junto à Corte Suprema Federal do Brasil, alegando entre outros pontos que a ação baseada na Convenção de Haia havia sido iniciada dentro de 1 ano após o rapto de Sean, disse Patrícia Apy, advogada em New Jersey.

Durante a batalha pela custódia da criança, Bruna conseguiu o divórcio no Brasil e casou-se com o advogado que a representava, João Paulo Lins e Silva. Em agosto de 2008, com o caso ainda pendente na Corte Suprema Federal, ela morreu durante o parto da primeira filha do casal. Dias depois, David Vôou ao Brasil para assumir a custódia do filho, entretanto, a Vara de Família havia concedido a custódia de Sean a Lins e Silva sob a alegação de “garantir o desenvolvimento pessoal e emocional de Sean. Além disso, a Corte negou o pedido de David de visitar o próprio filho.

Goldman disse que já viajou 8 vezes ao Brasil. “Basicamente, sempre levo com a porta na cara e sou mandado de volta para casa”, disse ele.

Atualmente, existem cerca de 50 casos, baseados na Convenção de Haia, envolvendo crianças levadas dos Estados Unidos ao Brasil, revelou o Departamento de Estado.

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