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Dono de hotel força funcionários latinos a mudarem de nome

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image “Que tipo de bobo, idiota ou empresário ruim organizaria essa coisa louca que tem me custado uma enorme quantidade de dinheiro, tempo e dor de cabeça?!” Questionou Larry Whitten

Novas diretrizes geram protestos organizados por

ex-funcionários e residentes no município de Taos


No final de julho, o empresário Larry Whitten rumou ao município de Taos (NM) com uma missão: recuperar um hotel falido. Assim que chegou, o ex-oficial da Marinha fez algumas deter­minações. Entre elas, ele proibiu que os funcionários latinos falassem espanhol em sua presença (Ele temia que estivessem falando dele) e ordenou que outros adotassem versões inglesas de seus nomes oficiais.

A forma de administrar de Whitten tem funcionado em outros hotéis que ele comprou em várias partes do país nos últimos anos. Entretanto, ele não estava preparado para as conseqüências. Suas determinações e demissões de alguns empregados latinos enfureceu outros funcionários e residentes nesse enclave liberal de 5 mil habitantes localizado aos pés das montanhas Sangre de Cristo, onde formas alternativas de vida e o idioma espanhol convivem pacificamente há séculos.

“Eu pisei nesse terreno minado de anglo-saxões contra espanhóis contra mexicanos contra índios e contra todo mundo aqui. Estou somente fazendo o que sempre quis”, explicou ele.

Ex-funcionários e seus parentes e alguns residentes do município realizaram uma passeata em frente ao hotel.

“Acho que ele é racista, mas racista devido à ignorância. Ele não sabe que o que está fazendo é errado”, disse o ativista Juanito Burns Jr., que se identificou como o líder do grupo chamado Los Brown Berets de Nuevo Mexico.

Whitten já atua há 40 anos no ramo hoteleiro, transformando mais de 20 hotéis falidos no Texas, Oklahoma, Flórida e South Carolina, antes de se mudar com sua esposa para Taos. Ele já havia visitado a cidade anteriormente e sentiu-se atraído por sua beleza, quando percebeu que o hotel Paragon Inn estava a venda, não pensou duas vezes.

A cidade abriga os Tao Pueblo, uma reserva indígena habitada há mais de 1 mil anos e uma igreja católica que tornou-se famosa depois de ser retratada pela célebre pintora Georgia O’Keeffe.

Depois que chegou, ele encontrou-se com os empregados. Ele disse que percebeu imediatamente a hostilidade com relação à sua forma de administrar e temeu que os trabalhadores pudessem tramar algo contra ele em espanhol.

“Em virtude disso, eu pedi que as pessoas falassem somente inglês quando estivessem na minha presença porque eu não entendo espanhol”, disse Whitten. “Trabalhei 24 anos no Texas e temos bastante latinos lá, mas nunca tive que pedir a ninguém que falasse somente inglês em minha presença porque nunca tive razões para isso”.

Alguns funcionários foram demitidos, alegou Whitten, porque eram hostis e insubordinados. O empresário disse que era chamado de “Branco”. Entretanto, a ex-gerente do hotel, Kathy Archuleta, disse que inicialmente os funcionários tentaram ajustar-se ao estilo do novo dono. “Já tínhamos passado por quatro ou cinco diferentes proprietários antes, então sabíamos o que esperar”, disse Kathy. “Eu disse (aos funcionários) que precisávamos dar-lhe uma oportunidade”.

Então, Whitten disse a alguns funcionários que ele estava mudando seus nomes em espanhol. Ele justificou que se trata de uma rotina em seus hotéis alterar os nomes dos funcionários que trabalham no atendimento a clientes, caso sejam difíceis de entender ou pronunciar.

“Não tem nada a ver com racismo. Não estou fazendo isso por qualquer outro motivo que não seja a satisfação de meus clientes, pois pessoas de inúmeras partes dos Estados Unidos não conhecem o sotaque espanhol, a cultura hispânica ou nada de espanhol”, disse ele.

Martin Gutierrez, outro empregado demitido, disse que se sentiu desrespeitado quando foi determinado que ele utilizasse a versão inglesa de seu nome. Ele disse que respondeu a Whitten que espanhol já era falado em New Mexico antes do idioma inglês. “Ele disse-me que não se importava com o que eu pensava porque aquela era a empresa dele”.

“Eu não tenho que modificar meu nome, idioma ou herança cultural”, disse Martin. “Sou um profissional da forma que eu sou”.

Darren Cordova, prefeito de Taos, disse que Whitten não estava fazendo nada de ilegal, entretanto, ele frisou que o empresário deveria familiarizar-se melhor com a cidade e sua cultura antes de decidir comprar o hotel por US$ 2 milhões. “Taos é tão característica que há coisas que você faria aqui de forma diferente em outros lugares”.

“Que tipo de bobo, idiota ou empresário ruim organizaria essa coisa louca que tem me custado uma enorme quantidade de dinheiro, tempo e dor de cabeça?!” Questionou ele.

Whitten deveria ter lidado com a situação de forma diferente, especialmente numa cidade de maioria hispânica, disse o artista Ken O’Neal, de 71 anos, enquanto tomava café no centro histórico de Taos.

“Fazer exigências como ele fez parece ser meio excessivo”, disse Ken. “Ninguém venceu nesse caso. Nem sempre vale à pena vencer. Algumas vezes, a solução está naquilo que você aprende”.

Acompanhe este comentário em Comentários (2 Incluído):

matias braga em 03/11/2009 12:00:03
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nao vejo nada de racismo em pedir alguem para falar a lingua local e ter um nome mais facil para memorizar...
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EDUARDO ALMEIDA em 03/12/2009 21:58:04
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