Empresas de ônibus são acusadas de manter ilegais cativos nos EUA
Utilizando caminhonetes, as companhias transportavam centenas de imigrantes ilegais do México à cidades espalhadas pelo país
Batidas em 14 empresas de ônibus clandestinas revelaram um mercado negro que transportava imigrantes ilegais por todo o país e que, algumas vezes, os mantinham cativos até que seus parentes pagassem valores exorbitantes, disseram representantes federais na última quinta-feira (4). Utilizando caminhonetes, as companhias transportavam centenas de imigrantes ilegais do México à cidades espalhadas pelos EUA, trafegando por estradas adjacentes, especialmente à noite, para evitar as autoridades, segundo um relatório apresentado na Corte Federal do Distrito. Vinte e duas pessoas foram presas no início da semana sob a acusação de utilizar suas companhias para transportar imigrantes ilegais.
As empresas de ônibus trabalhavam exclusivamente nas operações de tráfico de pessoas, disseram as autoridades. Os proprietários pagavam comissões de até US$ 300 por cada passageiro aos “coiotes” (Traficantes de seres humanos) que atravessassem os imigrantes através da fronteira. Depois, eles mantinham os imigrantes em casas vigiadas por vários dias, geralmente, sob guarda, até colocá-los em caminhonetes, conforme documentos na Corte.
Os agentes disseram que em uma das companhias de ônibus vasculhadas essa semana, a Super Express Van Tours, eles descobriram que os operadores utilizavam cães da raça pitbull e guardas armados para evitar que os imigrantes deixassem a casa, vizinha ao escritório de operações.
“Essas não são companhias legítimas como a Greyhound”, disse John Connolly, agente especial interino lotado no Departamento de Imigração (ICE) de Houston, Texas.
As companhias cobravam muito mais que empresas legítimas para realizar as viagens, pedindo aos imigrantes a quantia de até US$ 650 para uma viagem entre as cidades de Los Angeles, Atlanta e Miami. A tarifa era geralmente cobrada no final do trajeto por parentes dos imigrantes disseram as autoridades. Em alguns casos, os motoristas se recusavam a liberar os passageiros se os familiares dos imigrantes, por ventura, não pudessem pagar.
“Essas companhias não tratavam seus passageiros como pessoas, mas simples mercadorias que eram compradas e vendidas”, disse John T. Morton, assistente secretário do Departamento de Segurança Interna, durante uma conferência de imprensa realizada na última quarta-feira (3).
As batidas realizadas em Houston marcaram uma mudança de estratégia, disseram as autoridades. No passado, agentes de imigração interceptavam motoristas individuais e prendiam os imigrantes ilegais que eles transportavam, mas dessa vez as autoridades rastrearam os proprietários e operadores de companhias de transportes, uma ligação fundamental no tráfico de seres humanos.
Algumas dessas companhias vinham operando há vários anos. Alguns veículos da Super Express Van Tours já haviam sido parados pela polícia e a Patrulha da Fronteira 7 vezes entre 2004 e 2009, em diversos estados, e todas as vezes o motorista foi preso por transportar imigrantes ilegais, segundo documentos na Corte.
O proprietário, Fermin A. Tovar, que foi preso na última terça-feira (2), cobrava as viagens entre US$ 200 a US$ 600, dependendo do destino, entretanto, camuflava os valores absurdos cobrados através de um sistema de códigos, conforme as acusações.
O dinheiro arrecadado das viagens era enviado eletronicamente a Tovar através de representações da Western Union ou depositados pelos motoristas em contas bancárias em filiais de todo o país, geralmente em valores baixos o suficiente para não chamar a atenção das autoridades. Em um período de 2 anos e meio, Tovar arrecadou US$ 900 mil em depósitos em dinheiro de 2 contas-correntes que ele administrava, conforme as acusações.



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