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Projeto FACE: Reconstruindo rostos, transformando vidas no Brasil

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image “Nós atendemos os pacientes mal-formados com seqüela de traumas”, disse a Dra. Vera Cardim

As cirurgias são feitas nos pacientes portadores de deformidades craniofaciais de baixa renda através do Sistema Único de Saúde (SUS)

Este objetivo é lema e expressa a motivação da existência da  F.A.CE – Facial Anomalies Center (Centro de Anomalias Faciais),  uma entidade sem fins econômicos, localizada em São Paulo (SP), fundada pela Dra. Vera Lúcia Nocchi Cardim  que se dedica ao  tratamento e recuperação físico-emocional dos portadores de deformidades craniofaciais, especialmente crianças.

A Dra. Vera Cardim, natural do Rio Grande do Sul, decidiu ir para São Paulo, fazer especialização na área de cirurgia craniofacial e ao término do curso, não mais retornou ao seu estado natal, passando a fazer parte da equipe médica do Hospital Beneficência Portuguesa, um dos maiores de São Paulo.

Desde o início da sua profissão, ela decidiu que não faria cirurgias apenas com a finalidade estética, embora seja uma das mais renomadas profissionais nessa área no Brasil, mas que atenderia gratuitamente pessoas com deformidades craniofaciais sem  condições financeiras para custear os altos custos dessas cirurgias.

Os trabalhos iniciais foram desempenhados com afinco e aos poucos surgiram novos colaboradores, todos eles especialistas em cirurgias de crânio e face, que se dispuseram a ajudar. Em 2003, dois antigos pacientes da Dra. Vera Cardim, portadores da Síndrome de Crouzon, começaram a elaborar a gestão administrativa do plano de projeto da entidade.

Nos 11 anos de atividade, a entidade de interesse social,  já atendeu mais de 4 mil pessoas, vindas de todas as regiões do país, sendo 40% com  idade entre 1 e 10 anos o que possibilita, inclusive, melhores chances de recuperação. A  Dra. Vera, membro associada da International Society of Craniofacial  Surgery, no entanto, já abraça esta causa  há 32 anos.

Além do propósito humanitário, a entidade tem também  propósito científico, ­treinando  profissionais  médicos no aperfeiçoamento e desenvolvimento de técnicas de tratamento das anomalias craniofaciais. E é  justamente dos recursos advindos do  Simpósio anualmente realizado, evento que aborda as principais técnicas de cirurgias plásticas da face, e de procedimentos estéticos minimamente invasivos,  que a entidade é mantida. A equipe médica, altamente qualificada de cirurgiões craniofaciais, é também responsável pela criação e manutenção do primeiro curso de Pós-Graduação em Cirurgia Craniofacial reconhecido pelo MEC ( Ministério da Educação e Cultura ) e pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Craniofacial.

“Nós atendemos os pacientes mal-formados com seqüela de traumas, são pacientes que trazem com eles, além da deformidade física, uma tentativa de adequação social. Então com a deformidade  a gente procura justamente atender  problemas familiares que eles trazem junto”, diz Rodrigo Dornelles, cirurgião plástico, que faz parte da equipe.

O preconceito e a falta de auto-estima também são problemas a serem enfrentados  pelos pacientes atendidos. As deformidades são de tal extensão que muitas crianças e adultos atendidos viveram até o início do atendimento de forma isolada, sem nunca terem saído de suas casas, por medo e vergonha.

“O negócio não é lidar apenas com o preconceito externo das pessoas nas ruas, é também lidar com os preconceitos internos”, diz Alberto Barroso de Sousa, um dos pacientes atendidos.

Outro paciente beneficiado pelo trabalho da entidade, Getúlio Barroso de Sousa, desabafa: “Eu tinha que agüentar as piadas: era o ‘cara amassada’, o ET. Essas eram mais leves que riam de mim. A escola era um ambiente terrível porque já existem as piadinhas normais quando a criança é gordinha, baixinha, de outra raça, de outra religião; imagina quando ela é deformada”.

As deformidades craniofaciais são anomalias congênitas que geram  no seu portador alterações anatômicas,   funcionais,   estéticas e psicológicas , o que torna necessário, como complemento do tratamento, que a entidade,  além da equipe de especialistas em cirurgias de crânio e de face,  conte com uma equipe multidisciplinar composta de voluntários na área de psicologia, ortodontia, fonoaudiologia e assistência social, essencial na readaptação. Os pacientes também tém acesso a medicamentos, órteses, próteses e curativos gratuitos.

A Dra. Vera e sua equipe verificam  que o número de pacientes carentes com deformidade craniofaciais atendidos em seu consultório crescem ano a ano, vindos de todas as regiões do Brasil.

As cirurgias são feitas através do Sistema Único de Saúde (SUS), sistema público,  mas a escassez de recursos públicos disponíveis no Brasil para diagnóstico e tratamento das deformidades craniofaciais, o acesso restrito às cirurgias, aos  medicamentos e aparelhos para os pacientes mais necessitados, tem impossibilitado a FACE de desenvolver o objetivo visado,  tanto no suprimento da demanda crescente de   pessoas portadoras de   deformidades , quanto na criação do Centro de Pesquisa , que terá grande potencial para se transformar  em um centro de referência mundial de deformidade craniofacial.

Os pacientes em geral, vem de lugares distantes, acompanhados de mães ou responsáveis, que não tem qualquer condição de hospedagem e nem alimentação  durante o acompanhamento do tratamento, sempre de médio e longo prazo, sendo necessárias inúmeras intervenções cirurgias para as correções devidas, dependendo da gravidade.

“Nem sempre esses pacientes têm condições de permanecer aqui, então eles acabam ficando em uma pensão aqui nas imediações com o pouco dinheirinho contado, às vezes, a gente até ajuda com alguma refeição e coisas do gênero”, diz Rouf Lucas Salomons, cirurgião plástico integrante da equipe.

Uma casa de apoio, com o objetivo principal de auxiliar a entidade, para acolher seus pacientes e familiares  é essencial. Mas, como uma entidade sem fins lucrativos, a  FACE depende da doação financeira de  empresas do setor privado e do apoio de particulares. E é  nessa solidariedade  que acredita a Dra. Vera Cardim , quando afirma que “se a gente der um pouquinho de amor, tudo se multiplica”.

“Esse trabalho de reconstruir faces, transformando vidas com respeito e dignidade”, finaliza Cardim. “Se Deus quiser, não se acabará nunca e deverá se multiplicar”.

Obtenha mais informações sobre o FACE: http://www.facebrasil.org.br, e-mail:  face@associacaoface.org.br ou tel.: 55 (011) 3171-0254 / 3284-2355, ramal 28.

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