Nova política migratória de Obama poderá beneficiar 60 mil ilegais em NJ
O grupo Migration Policy Institute estima que o número se aproxime a 1.4 milhão, incluído os aproximados 60 mil no Estado Jardim
Milhares de jovens imigrantes ilegais, incluindo aproximadamente 60 mil em New Jersey, poderão permanecer nos EUA e aplicar para a permissão de trabalho, segundo a nova política migratória anunciada na sexta-feira (15) pelo Presidente Obama. A determinação alivia o cumprimento de algumas leis atuais. Entretanto, ele frisou que a mudança de política não significa “um caminho à cidadania”.
“Vamos deixar bem claro, isso não é uma anistia, não é imunidade; não é uma solução permanente”, disse o presidente democrata no Rose Garden. “Essa é a coisa certa a fazer”.
Apesar de receber elogios de inúmeros eleitores, os oponentes consideram a ação simplesmente uma estratégia política para conquistar o eleitorado latino, publicou o portal eletrônico NJ.com.
Conforme a nova política, os imigrantes ilegais estariam imunes à deportação se chegaram aos Estados Unidos antes de completarem 16 anos, vivem no país há pelo menos 5 anos, não podem ter mais de 30 anos de idade, devem estudar, ter graduado na escola secundária ou supletivo (GED) ou servido nas Forças Armadas. Além disso, os jovens não devem possuir antecedentes criminais ou representar risco à segurança pública. Além disso, eles poderão aplicar para a permissão de trabalho válida por 2 anos e sem limite de renovação.
Andrés Lopez, de 21 anos, residente em North Plainfield (NJ), disse que a mudança representa um grande alívio para ele e outros imigrantes que vivem em constante receio de serem deportados.
“Sinto-me mais livre. Não somente pelo medo que me faz olhar para trás todo o tempo, mas a aceitação”, disse Lopez. “Você se sente finalmente aceito”.
• Ordem executiva
Lançada através de uma ordem executiva, a nova política entrou em vigor imediatamente e não exige aprovação do Congresso. Representantes da administração atual estimam que aproximadamente 800 mil estudantes sejam beneficiados em todo o país. Entretanto, o Migration Policy Institute (MPI), um grupo não partidário com sede em Washington-DC, estima que o número se aproxime a 1.4 milhão, incluído os aproximados 60 mil em New Jersey.
“Tratam-se de jovens que estudaram em nossas escolas, eles brincam em nossas vizinhanças, eles são amigos de nossos filhos, eles prestam juramento à nossa bandeira”, disse Obama. “Eles são a América no coração, em suas mentes, em qualquer aspecto, mas um: no papel”.
“Estes jovens farão contribuições extraordinárias e, na realidade, já contribuem para a nossa sociedade”, acrescentou. “Nós sempre ganhamos forças por ser uma nação de imigrantes, assim como um país de leis. A minha esperança é que o Congresso reconheça e supere isso”.
Na sexta-feira (15), o governador republicano Chris Christie não quis comentar o assunto, segundo o seu porta-voz Michael Drewniak.
• Vida nas sombras
Lopez nasceu na Colômbia e chegou aos Estados Unidos com 8 anos de idade. Ele estudou no Raritan Valley Community College, mas saiu devido ao alto custo financeiro. Atualmente, desempregado, mas nutrindo o sonho de iniciar uma carreira cinematográfica, ele acredita que a mudança beneficiará jovens imigrantes e suas famílias.
“Os pais são os mais felizes, pois seus filhos não devem conviver com o medo”, disse ele. “Tudo aquilo que você faz; você pensa que alguém está observando. Tudo pode mudo de repente na sua vida”.
Carlo Alban, de 33 anos, residente em Union City (NJ), também já conheceu o medo. Na infância, quando residia em Sayreville, ele tinha o constante receio de ser mandado de volta para o Equador.
“Era aterrorizante”, disse Alban, que atuou no programa Vila Sésamo por 5 anos na década de 90. “O show foi uma benção, mas aumentou a exposição, ou seja, a ameaça da humilhação pública”.
Albán escreveu uma peça, “Intrigulis”, baseada em sua infância como imigrante e os 12 anos do processo que culminou em sua legalização. “Isso afetou a nossa vida familiar. A ameaça estava sempre presente”.
Por isso, ele comemorou a aprovação das novas diretrizes de sexta-feira (15), a qual Albán acredita melhorará a vida de muitas famílias.
“Alivia bastante a pressão, não somente do ponto de vista prático, mas a nível psicológico e emocional”, comentou. “Eu estou entusiasmado com isso, pois espero que leve a mudanças futuras na política migratória”.
Ativistas comunitários também celebraram a ação de Obama. Diana Mejia, que administra o grupo Wind of the Spirit em Morristown (NJ), considerou a ação “um bom primeiro passo”.
“Certamente, não é o suficiente, mas já uma esperança”, disse ela. “Nós precisamos mudar nossa mentalidade e dar à nossa juventude a oportunidade de fazer parte da sociedade. Dar-lhes a oportunidade de trabalhar e ter acesso à educação”.
Joyce Antila Phipps, diretora da Casa Esperanza, um grupo filantrópico sediado em Bound Brook (NJ) de ajuda a imigrantes e refugiados, demonstrou cautela.
“Este programa oferece uma oportunidade enorme para que muitas pessoas regularizem o seu status”, disse Phipps. “É o primeiro passo rumo a algo que há muito tempo vem sendo reconhecido como importante”.
• Críticas à ordem executiva
Entretanto, nem todos estão aplaudindo a decisão de Obama. Tom Fitton, presidente do Judicial Watch, um grupo conservador sediado em Washington-DC, considerou as ações de Obama “política fraca”.
“A população americana especificamente rejeita isso”, disse Fitton, referindo-se ao projeto de lei conhecido como DREAM Act, que o Congresso não aprovou em 2010. “Realmente, isso é abuso de poder. É o presidente usando poderes que ele não tem. O DREAM Act, se ele quiser, precisa passa pelo Congresso”.
“A maioria das pessoas não querem isso, então, ele (Obama) usou como recurso uma ordem executiva, o que é uma atitude tirânica”, disse Ron Bass, presidente e fundador do grupo United Patriots of New Jersey. “O seu trabalho é fazer com que as leis do país sejam obedecidas, assim como está escrito pelos representantes do Congresso. Ele não está fazendo cumprir as leis da fronteira ou nossas leis migratórias. Ele está dando anistia para os filhos de imigrantes ilegais”.
• Por que demorou tanto?!
Outros, mesmo os beneficiados pela reforma, questionaram a época em que a ordem executiva foi adotada, ou seja, tão próxima das eleições presidenciais. “A reação inicial foi, por que demorou tanto?” Questionou Angelo Falcon, presidente do National Institute for Latino Policy in New York.
Inúmeros eleitores latinos estavam frustrados com a aparente inabilidade de Obama em cumprir suas promessas de uma reforma migratória ampla, acrescentou o ativista. “Havia certa quantidade de cinismo. Graças a Deus estamos próximos à uma eleição, porque milagres por milagres, ele conseguiu fazer algo”.
Uma pesquisa realizada pelo Pew Hispanic Center em 2011 revelou que 59% dos latinos desaprovava a forma como o presidente democrata lidava com as deportações. Falcon disse que o pronunciamento de sexta-feira (15) poderá resolver essa preocupação.
“Isso pode criar uma espécie de respeito, quase uma folga”, comentou. “Entretanto, você pode argumentar que eles provocaram tanto prejuízo; é tarde demais? Nós teremos que esperar para ver”.



del.icio.us
Digg
Add to Any
AskJeeves
BlinkList
Blue Dot
ButterFly
Diigo!
Facebook
FeedMarker
Furl
Google
Linkroll
MyLinkVault
Myspace
Netvouz
NowPublic
Rojo
Socialize it!
Windows Live Favorites
Yahoo MyWeb