Ilegais viram “super-heróis” em ensaio fotográfico em NYC
A fotógrafa mexicana Dulce Pinzón, de 36 anos, destaca algumas das funções exercidas por trabalhadores estrangeiros, em sua maioria latina
Buscando retratar os verdadeiros “heróis” que ajudam a movimentar a economia norte-americana, a série fotográfica da artista plástica mexicana, Dulce Pinzón, radicada em New York, destaca algumas das funções exercidas por trabalhadores estrangeiros, em sua maioria latina. Apesar do tom aparentemente satírico, ela detalhou que o seu objetivo foi prestar uma homenagem aos “heróis silenciosos” que lutam diariamente pelo sustento de suas famílias e, consequentemente, são parte integrante do mercado de trabalho.
“Eu nasci na Cidade do México em 1974. Depois de estudar na Universidade das Américas no México, eu me mudei para New York City e me tornei uma fotógrafa em 1995. Eu cresci em uma família de classe média; o meu pai era proprietário de uma companhia de construção. Entretanto, depois que as minhas economias acabaram em New York, eu tive que trabalhar para me manter: Eu trabalhei como garçonete e babá, portanto, percebendo o quanto é difícil ser imigrante. Inicialmente, eu tinha um visto de estudante. Antes de conseguir o meu green card (residência permanente), eu também tive que atravessar constantemente a fronteira a cada seis meses. Foi uma experiência bastante marcante”, disse Dulce.
Na composição das fotos, ela procurou manter as características histórias de cada super-herói, combinando-as com as atividades exercidas pelos trabalhadores estrangeiros: A Mulher Maravilha trabalha em uma lavanderia; o Super-Homem entrega pizzas de bicicleta; o Homem-Elástico é garçom em uma lanchonete do bairro; já o personagem Tocha-Humana é cozinheiro e operador de forno em um restaurante. Nem o Homem-Rocha escapa, operando uma britadeira entre colegas de construção.
Além disso, Pinzón trabalhou como professora de inglês e sindicalista, ajudando outros imigrantes mexicanos em vários assuntos como, por exemplo, disputas entre inquilinos e senhorios.
“Através desse trabalho, eu conheci muitos trabalhadores latinos em New York. Eu quis compartilhar suas experiências, mas não da forma a qual geralmente escutamos, sendo que algumas vezes sequer as ouvimos. De certa forma, os trabalhadores latinos estão escondidos; escondidos em cozinhas; escondidos em casas. A maioria das notícias sobre imigração é bastante triste; disputas ferrenhas no Arizona ou imagens de imigrantes desesperados tentando cruzar a fronteira. Tanta dor que até atordoa”, comentou ela.
É muito simples ignorar as contribuições praticas dos imigrantes para a sociedade norte-americana, assim como a enorme contribuição financeira que eles geram enviando dinheiro para casa. Inúmeras famílias latinas necessitam desse dinheiro para sobreviver; alguns (especialistas) especulam que as remessas de dinheiro ao país ultrapassa o lucro com a comercialização do petróleo, nesse caso o México.
A ideia surgiu quando a fotógrafa observou uma fantasia de Homem-Aranha em uma loja em novembro de 2001. “Foi quando tudo isso começou a passar pela minha cabeça. Os super-heróis das histórias em quadrinho possuem um alter ego, assim como os imigrantes nos Estados Unidos. Eles podem até ser insignificantes ou invisíveis para grande parte da sociedade, mas são considerados verdadeiros heróis em nosso país de origem”, disse Dulce.
“A maioria das pessoas que fotografei para essa série, entre 2004 e 2009, foram meus alunos ou pessoas com quem convivi quando trabalhava como sindicalista. Nós tivemos um relacionamento amigável; eles confiaram em mim o suficiente para me darem os seus nomes verdadeiros e quando dinheiro eles enviam para casa. Eu considero muito importante incluir essas informações. O meu trabalho é um tributo a eles”, concluiu.



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