Ativistas lutam contra a política de perseguição aos ilegais no Arizona
O combate contra os abusos perpetrados pelo Xerife Joe Arpaio envolveu residentes, artistas, profissionais e políticos locais
O Xerife Joe Arpaio, do Condado de Maricopa, Arizona, cuja ação judicial por abuso dos direitos civis continua essa semana em Phoenix, por pouco não chegou a ser a celebridade mais notória no combate à imigração ilegal. As câmeras e microfone são como oxigênio para ele. Onde quer que vá, ele carrega consigo equipes de TVs, grupos de seguidores, voluntários e, a cada quatro anos, suplicantes candidatos presidenciais republicanos. A penitenciária que ele chama “campo de concentração” é voltada a radiar poder. Na região arenosa de Phoenix, ele brilha ao sol.
Os indivíduos que ele abusa e humilha, ao contrário, não são convidados frequentes do canal Fox News. Os homens e mulheres sob a custódia como resultado das batidas migratórias são geralmente indocumentados e desconhecidos. As vizinhanças que ele vasculha parecem locais traumatizados, silenciosos e mudos pelo medo do Xerife Joe.
Entretanto, esse cenário está incompleto. Certamente, muitos latinos evitam qualquer tipo de contato com o xerife e seus representantes. Mas o Arizona também abriga residentes corajosos que lutam bravamente contra a campanha do medo lançada pelo xerife. Eles formam um grupo diverso, latinos e anglos, imigrantes e cidadãos natos, ativistas nas ruas e músicos, cineastas e bloggers, além de um pequeno grupo de legisladores. Eles não despertaram tanto a atenção nacional, mas, enquanto os detalhes mais ultrajantes da campanha mantida pelo xerife do Condado de Maricopa são expostos durante o mês de julho na Corte Distrital de Phoenix, seu trabalho e esforço estão sendo finalmente reconhecidos.
Entre os ativistas mais reconhecidos, está o mexicano-americano de bigode e rabo de cavalo, Salvador Reza, um veterano da Força Aérea com longa experiência em mobilizar comerciantes latinos e trabalhadores diaristas. Quando o Xerife Arpaio juntou-se a comerciantes locais para perseguir os trabalhadores em 2007, Reza ajudou a organizar protestos semanais em frente à loja de móveis M.D. Pruitt, uma série de confrontações que levaram vigilantes do Minutemen e ativistas racistas para o outro lado da rua. Reza tem sido um incômodo na campanha de Arpaio desde então. Policiais do xerife o prenderam em 2010, quando participava de um protesto, e o apresentaram perante a um juiz em um uniforme da penitenciária. Um promotor público admitiu que ele havia sido preso sem motivo e ele foi liberado.
Mary Rose Wilcox, a única democrata, mulher e latina do Comitê dos Supervisores do Condado de Maricopa, foi uma das primeiras críticas do Xerife Arpaio, denunciando as “patrulhas de saturação” de vizinhanças latinas em 2008, quando poucos legisladores eleitos ousavam desafiar Arpaio. Ela pagou um preço alto: Wilcox foi indiciada por um júri popular em 2009 em decorrência de mais de uma dezena de acusações falsas de corrupção. Um juiz cancelou o caso, dizendo que o promotor público do Condado, um aliado do xerife, Andrew Thomas, forjou uma “aliança política com o xerife do Condado de Maricopa, que abusou dos seus poderes políticos para perseguir membros do Comitê dos Supervisores do Condado através de investigações criminais”. Posteriormente, ela venceu uma ação judicial no valor de US$ 975 mil do Condado e Thomas foi oficialmente expulso do cargo.
Entre outros ativistas menos famosos, está Stephen Lemons, um blogger e reportes do jornal Phoenix New Times e Phil Gordon, ex-prefeito de Phoenix e um dos primeiros legisladores a pedir uma investigação federal contra o xerife.



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