Acusado de matar brasileiros pode pegar morte ou prisão perpétua
A falta dos cadáveres de Vanderlei e Jacqueline Szczepanik dificulta julgamento de José Carlos Oliveira Coutinho, suspeito de ser o líder da chacina
Em abril desse ano, os advogados de defesa do réu José Carlos Oliveira Coutinho, natural de Minas Gerais, fizeram um pedido incomum em nome de seu cliente. Eles pediram ao juiz para “isolar” os jurados durante o período de 4 semanas, até o julgamento do réu. Tal ação não seria somente rara, mas também caríssima, publicou o diário World Herald.
As autoridades do Condado de Douglas estimam que a decisão custaria ao governo local até US$ 100 mil com quartos de hotel e horas extras pagas aos representantes do xerife que monitorariam os jurados. Entretanto, Horácio Wheelock e Todd Lancaster, advogados públicos que representam Coutinho, alegaram que a despesa não deveria influenciar a decisão dos juízes. Ao invés disso, os advogados argumentaram que, o magistrado deveria levar em consideração o dano que o excesso de publicidade poderia fazer à imagem do réu, comprometendo o seu julgamento.
O juiz distrital do Condado de Douglas, Thomas Otepka, analisará o assunto, assim como outras moções.
José Carlos está agendado para ir a julgamento em setembro desse ano e enfrenta três acusações de homicídio em primeiro grau. Os promotores públicos alegam que ele planejou os assassinatos em dezembro de 2009 da família brasileira Szczepanik no interior da antiga Paul VI High School, que eles estavam reformando em South Omaha. A família de missionários evangélicos vivia há 10 anos nos EUA.
Os promotores públicos alegam que Coutinho e outros 2 trabalhadores, Valdeir Gonçalves Santos e Elias Lourenço Batista, tambem naturais do interior de Minas Gerais, espancaram Vanderlei Szczepanik até à morte em consequência de uma disputa salarial. Então, os três agressores mataram a esposa da vítima, Jacqueline Szczepanik, e o filho de 7 anos do casal, Christopher Szczepanik, enforcando-os nas escadarias da antiga escola, onde a família residia.
No último outono, as autoridades locais encontraram os restos mortais de Christopher no fundo do rio Missouri. Os corpos de seus pais ainda não foram encontrados. Caso seja considerado culpado, José Carlos pode ser condenado à prisão perpétua ou pena de morte. Os seus advogados não somente querem que os jurados sejam isolados: Eles querem que o julgamento seja transferido para outro condado, em virtude da publicidade ocorrida durante as audiências prévias.
Os promotores públicos Jim Masteller e John Alagaban recusaram ambos os pedidos, frisando que Douglas é o maior condado e o mais diverso no estado e que, por isso,é capaz de produzir um corpo de jurados mais diverso. Eles citaram vários julgamentos notórios que não foram movidos do condado e jurados que não foram isolados durante todo o julgamento. Entre eles, O julgamento de Roy Ellis na morte de Amber Harris, de 12 anos, e o julgamento de Christopher Edwards na morte de Jessica O’Grady.
Lancaster argumentou que as ações tradicionais de evitar que os jurados não tenham contato com qualquer cobertura jornalística é inadequada, especialmente com a proliferação do acesso a notícias através de telefones e outros aparelhos eletrônicos.
“Parece que essa área foi inundada com histórias sobre esse caso”, disse Lancaster. “Ao menos que você esteja vivendo sob uma pedra, você já ouviu falar sobre esse caso”.
Coutinho costumava brincar com Christopher e era considerado o “mão direita” do carpinteiro Vanderlei ao lidar com os outros operários no projeto da construção da igreja Assembleia de Deus. Entretanto, especula-se que ele estava furioso com o patrão, pois havia sido demitido e readmitido por salário mais baixo.
Em entrevista ao diário Estado de Minas, Batista negou envolvimento na chacina e disse que a confissão de Santos o pegou de surpresa.
“Valdeir deve estar louco. Ele não deve ter suportado a pressão de estar preso”, disse ele ao diário Times Sun em Ipaba, interior de Minas Gerais. “Nós não falamos inglês muito bem e os carcereiros te colocam sozinho em uma cela. Eles te forçam a confessar e colocam uns contra os outros”.
Os familiares de Jacqueline, Vanderlei e Christopher ainda esperam justiça. “Eles são brasileiros que assassinaram brasileiros”, disse Tatiane Klein, filha de Jacqueline, que veio aos Estados Unidos para acompanhar o julgamento. “Eu quero ter paz e paz para a minha família, para que eu possa voltar ao Brasil e recomeçar a minha vida sabendo que a justiça foi feita”.
Entretanto, é quase nula a probabilidade de que Batista seja extraditado aos Estados Unidos, pois o país não deporta seus próprios cidadãos. Ele disse estar disposto a ajudar a promotoria pública norte-americana, mas que não retornará aos EUA.
“Se as autoridades (norte-americanas) quiserem vir aqui e ouvirem o que tenho a dizer; eu ajudaria o máximo possível, mas não voltarei para lá”, disse Batista.
Falando para repórteres em Omaha, Tatiane disse que sente algum conforto com o descobrimento dos restos mortais do irmão, mas descartou a ideia de que isso representa consolo para ela e sua família.
“Eu nunca terei conforto”, concluiu Klein.



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