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Anistia temporária para jovens não encerra luta pela legalização nos Estados Unidos

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image “Você não pode parar essa força. Esse é poder de pessoas que cresceram nesse país e querem fazer parte do seu futuro”, disse o Senador Richard Durbin, de Illinois

Jovens formaram longas filas nas portas de igrejas e organizações comunitárias para aprender mais sobre a nova diretriz da administração Obama

As filas na quarta-feira (15) eram enormes, como uma verdadeira fita humana no Navy Pier, em Chicago, que atravessava corredores e escadas chegando à Lake Shore Drive. Milhares de jovens imigrantes ilegais formaram filas similares em cidades de todo o país. Eles fizeram filas nas portas de igrejas e organizações comunitárias, segurando papéis e pastas, para aprender mais sobre a nova política da administração Obama, que os protegeriam da deportação e os concederia permissão para trabalhar.

Foi o primeiro dia de aplicações para o programa “Ação Diferida”, que não legaliza definitivamente os imigrantes indocumentados, mas evita a deportação por 2 anos. É um simples reajuste da deportações indiscriminadas, uma reordenação das prioridades no cumprimento das leis relacionadas aos jovens cumpridores das leis que foram trazidos ao país de forma ilegal ainda na infância. Além disso, trata-se do reconhecimento do senso comum. Entretanto, para os críticos mais ardentes de Obama, a quarta-feira (20) representou nada menos que o fim da constituição. Um deles considerou “A-Day”, para a anistia, e citou a queda do império romano.

No Arizona, a Governadora Jan Brewer na quarta-feira (15) emitiu uma ordem executiva barrando qualquer pessoa autorizada pela Ação Diferida (Deffered Action) de receber benefícios públicos ou obter a carteira de motorista. Por que as leis no estado já impedem esses tipos de benefícios para os imigrantes ilegais, a sua atitude parece ser motivada basicamente por vingança política. O Senador Jeff Sessions, do Alabama, comentou que a nova política de Obama: “Representa um perigo direto ao cumprimento das leis e ao claro desejo do povo norte-americano por um sistema legítimo de imigração”.

Na verdade, é o oposto. As imensas filas de quarta-feira (15) foram muito mais que meras demonstrações de entusiasmo; foram a escala gigante da lei e ordem; ou seja, de pessoas querendo cumprir as leis, de viver de forma legal em um país que necessita deles.

Aqueles que, por ventura, qualificam para a Ação Deferida; jovens estudantes cuja militância é motivada por um sistema falido. Quando o Congresso funcionava melhor, havia apoio bipartidário para que eles se legalizassem através do projeto de lei Dream Act. Entretanto, legisladores republicanos rejeitaram a proposta, preferindo o status ilegal, forçando milhões de imigrantes a viverem nas sombras e o Governo gastar bilhões de dólares para, vagarosamente, pegar um por um.

As novas regras garantem uma “anistia” de dois anos aos jovens de 15 a 30 anos que estejam radicados nos EUA desde antes dos 16 anos de idade. O prazo de 2 anos pode ser usado para que o imigrante tente obter visto de trabalho. Obama diz que a intenção disso é liberar recursos para que seja priorizada a deportação de imigrantes com antecedentes criminais.

A oposição republicana acusa o governo Obama de ter adotado a nova política como forma de agradar ao eleitorado latino, que pode ser crucial na eleição presidencial de novembro.

Necessitou coragem para esses jovens saírem às ruas, estarem prontos para se apresentarem às autoridades federais. Não haverá apelações, caso suas aplicações forem rejeitadas. É entusiasmante presenciar entidades comunitárias e sem fins lucrativos organizar reuniões e palestras informativas, a custo razoável, para processar as aplicações e proteger os jovens de indivíduos inescrupulosos. Organizações e escritórios de advogados estão doando tempo e conhecimento para ajudar que o programa funcione. Empresários e grupos filantrópicos estão tentando angariar doações privadas para ajudar aos candidatos a pagarem as tarifas.

Será um investimento inteligente. Como o Senador Richard Durbin de Illinois, que apresentou o Dream Act, celebrou com os estudantes em Chicago e disse: “Você não pode parar essa força. Esse é poder de pessoas que cresceram nesse país e querem fazer parte do seu futuro. Elas estão criando uma força moral além da força legal”.

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