ICE é acionado judicialmente por “discriminação masculina” entre agentes
O agente James T. Hayes alega que lhe foi negada uma posição superior em detrimento de uma mulher menos qualificada pelo fato de ele ser homem
Uma ação judicial alegando casos de discriminação e retaliação no local de trabalho atingiu os altos escalões de um órgão governamental de imigração, contribuindo para a sensação de confusão em um departamento que sofre conflitos trabalhistas entre administradores e empregados. A ação, lançada por um alto funcionário do Departamento de Imigração (ICE) em New York, alega que lhe foi negada uma posição superior em detrimento de uma mulher menos qualificada pelo fato de ele ser homem. O agente, James T. Hayes, também acusa a chefe do órgão, Suzanne Barr, de “comportamento sexual ofensivo” que contribuiu para a atmosfera discriminatória contra os funcionários do sexo masculino.
Semana passada, Barr saiu do cargo e voluntáriamente deixou o órgão em licença remunerada, enquanto aguarda os resultados de uma investigação interna baseada em alegações de conduta inapropriada, informou um porta-voz.
As acusações apresentadas por Hayes provocaram um clima de tensão no Immigration and Customs Enforcement (ICE), subordinado ao Departamento de Segurança Interna (DHS).
O sindicato que reúne mais de 7 mil agentes de imigração, o National ICE Council, tem sido abertamente crítico com relação à liderança do diretor do órgão, John Morton, e resistente às mudanças de política implantadas por ele. O líder do sindicato acusou Morton, indicado ao cargo em 2009, por não consultar os agentes sobre os efeitos das novas diretrizes.
Semana passada, o sindicato postou em seu portal online um pedido de apoio público aos funcionários do ICE que “apoiam a lei”. Até a manhã de terça-feira (21), foram registradas mais de 55 mil assinaturas.
A ação de discriminação, que cita Janet Napolitano, a secretária geral do DHS, como única acusada, foi apresentada em maio desse ano por Hayes, agente especial do setor de investigações em New York. Ele alega que lhe foi negada a promoção de gerência sênior em favor de uma funcionária menos qualificada e que sofreu retaliações quando ameaçou apresentar uma reclamação por discriminação. Além disso, ele acusa Barr de contribuir para a atmosfera hostil aos homens no departamento.
Barr, segundo a ação judicial, “criou a atmosfera de irmandade que visa humilhar e intimidar os funcionários do sexo masculino”.
Os homens formam a maioria da liderança do ICE.
Brian Hale, diretor de assuntos públicos do ICE, disse que o órgão “responderá diretamente e decisivamente à essa ação civil no tribunal”. Ele acrescentou que as alegações de comportamento inapropriado foram enviadas a investigadores de assuntos internos do DHS e ICE.
Hayes alega que perdeu a oportunidade de promoção para Dora Schriro, que foi indicada em fevereiro de 2009 como conselheira especial de Napolitano para operações de detenção e remoção. Ele argumenta que foi “substituído de suas funções” porque, em parte, “ele não era do sexo feminino”, segundo a ação civil, apresentada no Tribunal Distrital dos EUA no Distrito de Columbia.
Hayes alega que Schriro não estava qualificada para a função porque não possuía experiência federal em segurança. Ela havia trabalhado anteriormente nos sistemas penitenciários de Missouri e Arizona, deixou o DHS em 2009 e atualmente é comissária do Departamento Penitenciário de New York City.



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