Preso ex-namorado suspeito de matar a tiros massagista brasileira
Kristofer Gould foi preso na região litorânea de Daytona por patrulheiros da praia, depois de ter sido encontrado dormindo na areia às 1:34 da manhã
Na manhã de quarta-feira (29), o ex-namorado da massagista brasileira Jorgete Acarie, morta a tiros em sua residência, foi preso no Condado de Volusia sob acusações não relacionadas ao crime. Kristofer Gould, de 33 anos, é considerado “suspeito” de homicídio, mas não foi formalmente acusado de assassinato, segundo o escritório do xerife do Condado de Orange, na Flórida.
Gould foi preso na região litorânea de Daytona por patrulheiros da praia, depois de ter sido encontrado dormindo na areia às 1:34 da manhã, nas proximidades da via A1A e Atlantic Avenue. Ele carregava uma sacola plástica que continha uma pistola, detalhou Tamra Marris, capitão da Patrulha Litorânea, publicou o diário Orlando Sentinel.
Ele disse aos policiais que o seu nome era Steven Johnson, mas não foi possível confirmar a sua identidade porque ele não portava nenhuma forma de identificação. Kristofer foi autuado na Penitenciária do Condado de Volusia com o nome de “John Doe” sob as acusações de “acampar” à noite na praia, fornecer nome falso ao ser preso e carregar uma arma. Posteriormente, ele foi identificado através de suas impressões digitais. Segundo as leis do condado, é considerado delito dormir nas praias.
Um juiz do Condado de Volusia determinou fiança para o incidente ocorrido na praia, entretanto, manteve a ordem de prisão devido às acusações no Condado de Orange, que incluem violação da liberdade condicional e atirar um objeto perigoso (tijolo) contra uma residência. Caso Gould decida pagar a fiança referente ao Condado de Volusia, ele será transferido para a Penitenciária do Condado de Orange.
Detetives do Departamento de Homicídios do Condado de Orange deslocaram-se até o Condado de Volusia para interrogar o suspeito sobre o assassinato da massagista brasileira.
Policiais descobriram o corpo de Jorgete crivado de balas no interior de sua residência no domingo (26), quando respondiam a um alarme ativado às 5 e meia da manhã. A brasileira foi encontrada na cama, próxima ao filho de 2 anos do casal. A criança não estava ferida e foi encaminhada ao Juizado de Menores, segundo o Departamento Infantil e Familiar da Flórida.
A prisão de Gould foi recebida com entusiasmo por parentes e amigos da vítima, que temiam mais violência, disse Eben Self ao diário Orlando Sentinel, que representava Jorgete em casos anteriores de violência doméstica e agora representa sua família.
Documentos apresentados no Tribunal indicam que Kristofer possui um histórico de violência e perseguição contra Acarie. Em abril de 2011, ele ameaçou matar a ex-namorada, com a qual tem um filho, e sua família. Fotografias apresentadas por Self, datadas de março de 2011, mostram Acarie com os dois olhos pretos.
Documentos públicos revelam que Jorgete teve um encontro violento com Gould poucos dias antes do homicídio. Apesar de duas ações judiciais e uma estadia na prisão, seu ex-namorado parecia não deixa-la em paz, segundo os arquivos.
Em 20 de agosto, a brasileira ligou para o telefone de emergência 911 para denunciar que Gould a perseguia. Ele começou esmurrando a porta principal de sua residência às 1:30 da madrugada, mas ela não abriu. Então, às 3:30 am, um tijolo foi jogado contra a janela do banheiro, onde ela passou quando foi beber água, segundo os arquivos.
Momentos depois, ela escutou Gould gritando, pedindo-lhe para entrar. Ela ligou novamente para o 911. Ela disse aos detetives que o viu ir embora em um Nissan Altima de cor preta. Policiais foram à residência de Kristofer no mesmo dia, mas ele não atendeu, conforme arquivos.
Não foi detalhado se os detetives deram continuidade ao caso ou tentaram localizar Gould, que está em liberdade condicional sob a acusação de perseguição com agravantes relacionada a Jorgete.
“Eu simplesmente não compreendo como ninguém parou isso”, disse Viviane Acarie, irmã da vítima, ao canal WFTV.
Viviane detalhou que observou por vários meses Gould se tornar cada vez mais assustador, fazendo ameaças, perseguindo sua irmã e invadindo a sua residência. Ela disse que Jorgete viveu as últimas semanas de sua vida com medo de que fosse assassinada.
Investigadores disseram que Gould não é considerado oficialmente suspeito, mas sim um indivíduo de “interesse” no caso. Entretanto, Viviane disse não ter dúvidas em seu coração.
“Eu não acho que ele tenha Deus em seu coração. Eu penso que ele é demoníaco. Ele não se importa com ninguém. Ele não se importa sequer com o próprio filho, que também poderia ter sido morto próximo à ela”, disse a irmã da vítima.
“Todo o tempo eu sinto que a minha irmã vai se aproximar de mim e me abraçar, mas eu sei que isso nunca mais acontecerá. Isso me machuca muito. Não há palavras agora que possam expressar a minha dor”, concluiu.



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