Cidade oferece travessia ilegal da fronteira como atração a turistas
Organizadores alegam que o objetivo não é treinar as pessoas, mas desencorajá-las a tentar a perigosa travessia exibindo as dificuldades
Um coiote (traficante de pessoas) trajando uma máscara de esqui grita ordens: “Nós temos que atravessar! Nós vamos em grupos de três. Vamos!” Um grupo pequeno caminha por uma estrada de terra deserta. Sirenes começam a soar, então, eles saem da estrada e descem uma ribanceira repleta de pedregulhos. Alguém grita “essa é a imigração” e um agente derruba um homem ao solo. Os outros se escondem no escuro.
“Eles o pegaram”, diz um menino. “Imigração”.
O município mexicano de Alberto fica localizada a 700 milhas da fronteira com os EUA e a “imigração ilegal” tornou o que antes era cidade quase fantasma em exótico ponto turístico. As pessoas pagam US$ 18 para participarem da “La Caminata” (A caminhada), para vivenciarem a aventura de atravessa clandestinamente a fronteira dos EUA.
“O que tentamos fazer é elevar a consciência sobre o sofrimento enfrentado pelos imigrantes”, disse Poncho ao cineasta Jamie Meltzer. Ele atua como guia na simulação, enquanto outros atuam como agentes da fronteira. Ao todo, La Caminata emprega 100 residentes em Alberto, praticamente um oitavo da população da cidade.
“Quando começamos a Caminata, 90% de nossa comunidade estava indo embora”, disse Poncho. “Haviam somente 10% vivendo aqui, entretanto, agora temos 35% morando aqui”.
Outro guia de La Caminata, Julian Garcia, disse ao diário Huffington Post que a itenção é desencorajar a imigração clandestina mostrando o quanto é difícil e perigoso, mesmo que pareça o contrário.
“Algumas pessoas pensam que estamos treinando as pessoas (para a travessia)”, disse Garcia. “Caso estivéssemos treinando, seria muito mais difícil!”



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