Filha de vítima de chacina abandonou tudo na luta por justiça
Logo após saber do desaparecimento misterioso da mãe, padrasto e irmão caçula nos Estados Unidos, Tatiana Klein não pensou duaz vezes e deixou a cidade de Florianópolis (SC) para o município de Omaha, Nebraska. A mudança teve como principais objetivos, acompanhar as investigações de perto e pressionar as autoridades locais a descobrirem o paradeiro de Vanderlei, sua esposa, Jacqueline, e o filho do casal, Christopher Szczepanik.
Tatiane foi uma das últimas pessoas a falar com a mãe em 16 de dezembro de 2009, talvez, o mesmo dia em que ocorreu a chacina, pois ninguém mais teve contato com a família depois dessa data. Em 16 de fevereiro de 2010, quando desembarcou no aeroporto internacional de Omaha, a brasileira foi recebida por um grupo de repórteres, porque o caso já havia sido destaque nacional nos veículos de imprensa.
“Depois de todo esse tempo, não sei se faria tudo o que fiz de novo”, analisa Klein. “Assim que cheguei, o principal suspeito do crime ainda estava solto. Fico imaginando o que poderia ter acontecido comigo”.
Em abril desse ano, os advogados de defesa do réu José Carlos Oliveira Coutinho, natural de Minas Gerais, fizeram um pedido incomum em nome de seu cliente. Eles pediram ao juiz para “isolar” os jurados durante o período de 4 semanas, até o julgamento do réu. Tal ação não seria somente rara, mas também caríssima, publicou o diário World Herald.
As autoridades do Condado de Douglas estimam que a decisão custaria ao governo local até US$ 100 mil com quartos de hotel e horas extras pagas aos representantes do xerife que monitorariam os jurados. Entretanto, Horácio Wheelock e Todd Lancaster, advogados públicos que representam Coutinho, alegaram que a despesa não deveria influenciar a decisão dos juízes. Ao invés disso, os advogados argumentaram que, o magistrado deveria levar em consideração o dano que o excesso de publicidade poderia fazer à imagem do réu, comprometendo o seu julgamento.
O juiz distrital do Condado de Douglas, Thomas Otepka, analisará o assunto, assim como outras moções.
José Carlos está agendado para ir a julgamento em setembro desse ano e enfrenta três acusações de homicídio em primeiro grau. Os promotores públicos alegam que ele planejou os assassinatos em dezembro de 2009 da família brasileira Szczepanik no interior da antiga Paul VI High School, que eles estavam reformando em South Omaha. A família de missionários evangélicos vivia há 10 anos nos EUA.
Os familiares de Jacqueline, Vanderlei e Christopher ainda esperam justiça. “Eles são brasileiros que assassinaram brasileiros”, disse Tatiane Klein, filha de Jacqueline, que veio aos Estados Unidos para acompanhar o julgamento. “Eu quero ter paz e paz para a minha família, para que eu possa voltar ao Brasil e recomeçar a minha vida sabendo que a justiça foi feita”.
“Ele viu o Christopher nascer, morou por anos com a minha mãe e o meu padrasto, já era considerado parte da família. Como pôde fazer isso? Por que ele matou minha família?”, Questionou ela.



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