Proposta de carteira de identidade para ilegais avança em Los Angeles
O Conselho Municipal aprovou o projeto que envolve a participação de companhias privadas na confecção e administração de um sistema de identificação
Em março, a cidade de Los Angeles (CA) parou de rebocar os veículos de qualquer motorista que dirigia sem carteira, consequentemente, permitindo que inúmeros imigrantes ilegais mantivessem seus carros. Então, em outubro, o chefe de polícia anunciou que o seu departamento pararia de enviar ilegais acusados de pequenos delitos ao Departamento de Imigração (ICE) para deportação. Agora, Los Angeles poderá ser a maior cidade do país a conceder carteira de identidade aos imigrantes indocumentados. O objetivo é permitir que eles abrissem contas-correntes e tenham acesso a outros serviços.
Na terça-feira (16), o Conselho Municipal aprovou por unanimidade o projeto que envolve a participação de companhias privadas na confecção e administração de um sistema de identificação. A proposta deverá ser avaliada por todo o Conselho para que seja votada.
“Esta carteira permitirá que as pessoas que têm vivido nas sombras saiam à luz do dia”, disse Ed Reyes, membro do Conselho Municipal. “Alguns dizem que isso é um assunto federal e não um problema nosso. Bem, desculpe-me, mas eu discordo”.
Durante o período de um ano, legisladores e autoridades policiais têm posicionado Los Angeles à frente do debate migratório, ao tentarem a retirada de alguns obstáculos enfrentados pelos imigrantes ilegais, juntando-se à uma crescente lista de estados e cidades que tentaram resolver o problema migratório com as próprias mãos. Em virtude disso, uma verdadeira “colcha de retalhos” formada por políticas migratórias, com estados conservadores como o Arizona pressionando a deportação dos imigrantes ilegais, enquanto municípios mais liberais, como Los Angeles, tentam atraí-los.
Em 2007, New Haven se tornou a primeira cidade no país a emitir cédulas de identidade para os imigrantes ilegais. Outros municípios adotaram a ideia, incluindo Oakland e San Francisco, onde centenas de pessoas esperaram horas nas filas para adquirirem os documentos de identidade no primeiro dia que eles foram permitidos.
Basicamente, os documentos de identificação de Los Angeles, como em outras cidades, funcionarão como um cartão de débito pré-pago. As autoridades estimaram que mais de 12% dos residentes não guardam seu dinheiro em bancos e, em inúmeros casos, costumam portar grandes quantidades de dinheiro, o que os torna alvos preferidos de ladrões, alegaram ativistas.
“Isso significa muitíssimo para os operários diaristas”, disse Antônio Bernabe, imigrante mexicano que organiza vendedores ambulantes e diaristas. “Todos os dias, eles são vítimas de roubo, pois são obrigados a carregarem todo seu dinheiro. Eles não podem ir à uma agência bancária e depositar seu dinheiro ou sequer entrar em um prédio do governo, pois carecem de documentos de identificação”.
Na sede da prefeitura da cidade na terça-feira (16), dezenas de ativistas defensores dos direitos dos imigrantes, acompanhados de banqueiros e comerciantes, pediram ao Conselho Municipal que sigam adiante com a proposta de emissão dos documentos de identificação. Entretanto, Ira Mehlman, porta-voz do Federation for American Immigration Reform, um grupo que luta pelo endurecimento das leis migratórias, criticou o projeto de lei, considerando-o uma evidência de que a prefeitura tenta impedir o cumprimento das leis migratórias.
“Essa prefeitura se curvou para acomodar pessoas que estão ilegalmente no país”, disse Mehlman. “Caso Los Angeles emita documentos de identidade, como eles sabem a verdadeira identidade dessas pessoas? Eles (as autoridades) poderão estar ajudando indivíduos a estabelecer uma falsa identidade”.



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