Agentes realizam primeira batida migratória após posse de Obama
Esta semana, agentes de imigração realizaram a primeira batida após a posse do Presidente Barack Obama, entretanto, a ação foi novidade para a secretária do Departamento de Segurança Interna, Janet Napolitano, que na última quarta-feira (25) exigiu uma revisão do incidente. O órgão é responsável pelas ações dos agentes do Departamento de Imigração – ICE.
Batidas nos locais de trabalho, que resultaram na prisão de centenas de trabalhadores ilegais, tonaram-se quase rotina nos últimos anos da administração Bush. Mas a reação de Napolitano às detenções ocorridas numa fábrica em Bellingham, Washington, enfatizou a postura diferente da administração Obama com relação ao polêmico assunto.
Napolitano disse aos legisladores, durante um encontro em Washington - DC na última quarta-feira (25), que não tinha conhecimento da batida antes dela ter acontecido e que recebeu somente um breve comunicado no dia seguinte. Ela exigiu respostas ao Departamento de Imigração e Segurança (US Immigration and Customs Enforcement), que prendeu 28 imigrantes ilegais durante a batida.
“Quero chegar ao fundo disso”, comentou. Ela acrescentou que a fiscalização deve concentrar-se nos empregadores.
A batida realizada na Yamato Engine Specialists foi a primeira realizada pelo ICE depois que Obama assumiu o cargo, disse Sean Smith, porta-voz do Departamento de Segurança Interna em Washington – DC.
Através de um comunicado, representantes do ICE alegaram que o órgão conduziu a batida após a denúncia de dois “membros de gangues” que levaram agentes a iniciar uma investigação na empresa.
“Uma investigação posterior revelou um potencial grande número de trabalhadores ilegais. O ICE conduziu a operação em ordem de identificar e, se apropriado, deter qualquer trabalhador não autorizado e, posteriormente, determinar qualquer atividade criminosa”, disse a porta-voz do ICE, Kelly Nantel, através de um e-mail enviado de Washington – DC.
Obama, que indicou Napolitano, assinalou uma mudança na política migratória que será baseada menos em locais de trabalho e, ao invés disso, nos empregadores que contratam trabalhadores ilegais e numa reforma migratória ampla.
Os agentes do ICE prenderam 25 homens e 3 mulheres na loja de motores, quase todos de nacionalidade mexicana, com excessão de 1 hondurenho, 1 salvadorenho e 1 guatemalteco. Exceto por 3 trabalhadores libertados tendo como base motivos humanitários, todos os outros estão presos no Centro de Detenção de Tacoma, aguardando o processo de deportação.
Através de um comunicado divulgado na última terça-feira (24), representantes do ICE disseram que muitos dos trabalhadores obtiveram o emprego utilizando números falsos do Seguro Social e outros documentos de origem duvidosa.
Shirin Dhanani Makalai, cuja família é proprietária da empresa, disse que a batida migratória ocorreu meses após de cooperação com o ICE durante uma auditoria, que incluiu apresentar informações dos funcionários às autoridades federais. Ela disse que a empresa não defende a contratação de imigrantes ilegais.
“Tentamos seguir as determinações, conforme a lei”, disse Makalai na última terça-feira (24).
Makalai acrescentou que a companhia não sabia que estava contratando mão-de-obra ilegal e que os empregados não têm como verificar o status migratório dos empregados.
Marissa Graciosa, do Movimento para uma Reforma Migratória Justa, um grupo defensor dos imigrantes baseado em Washington – DC, disse estar extremamente desapontada que o ICE tenha efetuado a batida depois que Obama assumiu oficialmente o cargo. Ela considerou a ação destrutiva e ineficaz.
“Pedimos ao Presidente Obama que cumpra sua promessa de parar as batidas e transformar uma uma reforma migratória humana em lei”, comentou Graciosa.
Steven Camarota, do Centro de Estudos Migratórios, um grupo conservador a favor do endurecimento das leis de imigração, disse que o pedido de Napolitano de reavaliar a batida complementa a expectativa de que Obama suspenda as prisões nos locais de trabalho. Ele disse que tais batidas deveriam fazer parte do procedimento normal da política migratória.
“Acho que a expectativa é que (Obama) será muito menos rigoroso no que diz respeito ao cumprimento da lei, pronto”, disse Camarota.



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