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Morte de imigrantes na prisão gera polêmica nos EUA

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image Jack Newbrough e sua esposa, Heidi, com a a foto do filho adotivo, Guido, que morreu de uma infecção cardíaca enquanto estava na prisão aguardando deportação

Ativistas questionam cuidados médicos prestados nas penitenciárias e centros de detenção de estrangeiros

Ele viveu 42 dos seus 48 anos de idade nos Estados Unidos e tinha a frase “Raised American” (Criado na América) tatuada em um dos ombros. Entretanto, Guido R. Newbrough nasceu na Alemanha e morreu em novembro do ano passado durante processo de deportação em um centro de detenção da Virginia. A causa da morte: uma massiva infecção cardíaca causada por bactérias.

Sua família e colegas de cela disseram que a infecção não foi tratada a tempo, mesmo depois de inúmeros apelos por cuidados médicos feitos durante os 10 dias que precederam sua morte. Ao invés disso, conforme aumentavam seus pedidos de ajuda, disseram os outros detentos, os guardas no Piedmont Regional Jail em Farmville, Virginia, o jogaram ao chão, o arrastaram enquanto ele gritava de dor e o puseram em confinamento.

Guido, um trabalhador da construção civil que foi condenado a vários anos de detenção por molestar a filha menor de idade de uma ex-namorada, foi encontrado inconsciente no último 27 de novembro e morreu no hospital no dia seguinte, sem recuperar a consciência. O resultado da autópsia, divulgado em meados de janeiro desse ano, revelou que a morte foi provocada por Endocardite (Uma inflamação da membrana que reveste o coração), geralmente curável com o uso de antibióticos.

O final trágico de Guido soma-se a outros casos de morte entre imigrantes ocorridos sob custódia das autoridades migratórias, incluindo um na mesma penitenciária em dezembro de 2006. O incidente provocou uma inspeção que revelou que a unidade médica estava tão deficiente que foi concluído: “Os cuidados de saúde dos detentos está ameaçado”.

Entretanto as autoridades migratórias nunca divulgaram os resultados da investigação, mesmo quando perguntadas sobre as alegações de negligência na morte de Abdoulai Sall, 50 anos, um mecânico nascido na Guiné sem histórico criminoso cujos rins pararam de funcionar ao longo de várias semanas. Ao invés disso, as autoridades defenderam os cuidados, enquanto o Congresso e a Mídia questionaram as práticas médicas nas penitenciárias dos condados, prisões particulares e centros de detenções federais sob contrato para abrigar não cidadãos norte-americanos, enquanto o Governo tenta deportá-los.

O relatório de 2006 - e um grupo de assuntos que o órgão produziu para seus porta-vozes para utilizarem quando comentarem mortes na prisão – foi somente recentemente obtido pelo American Civil Liberties Union – ACLU através de uma ação civil baseada no Freedom of Information Act; que passou cópias dos documentos ao The New York Times, que divulgou a morte de Sall.  

“Essas instalações falharam em vários níveis no que diz respeito ao fornecimento de supervisão básica e bem-estar aos detentos do ICE (Imigração)”, o relatório de 6 páginas concluído pouco tempo depois da morte. “A unidade de atendimento médico não atinge os padrões mínimos estabelecidos pelo ICE”.

Tom Jawetz, advogado do National Prison Project, disse que a última morte na mesma penitenciária ressalta a falta de responsabilidade de centros de detenções migratórias em todo o país.

“As instalações do Piedmont possui poucos funcionários e não atende as necessidades médicas”, disse Jawetz. “Os relatório sobre a morte de Newbrough levanta questões sérias se esses problemas foram resolvidos”.

Perguntado sobre que medidas foram tomadas depois da morte de Sall, o órgão não respondeu. A porta-voz Kelly A. Nantel disse que estava sendo realizada uma investigação sobre a morte de Guido.

A Penitenciária de Piedmont possui 780 leitos e atende 6 condados de Virgínia e geralmente abriga 300 detentos estrangeiros, entretanto, o número caiu para 150. Mas Nantel negou rumores que o órgão estava “tirando” os detentos, assim como fez um centro de detenção em Central Falls – RI, onde um engenheiro de computação chinês com câncer avançado e coluna fraturada não foi diagnosticado até pouco antes de sua morte em 6 de agosto.

No caso, investigadores da Agencia Federal de Imigração descobriram que o engenheiro Hiu Lui Ng não recebeu tratamento médico apropriado e foi arrastado de sua cela até uma caminhonete enquanto gritava de dor, 6 dias antes de sua morte.

“Estamos sentados aqui, sem forças”, comentou Jack Newbrough, 70 anos, padrasto de Guido, um ex-sargento da Força Aérea que conheceu a mãe de Guido, Heidi, quando seu filho adotivo tinha 2 anos de idade e ele servia na Alemanha.

“Estou muito desapontado com meu país; este sistema de segurança interna que eles montaram”, disse Jack.

Heidi, de 65 anos, disse que seu filho, que possui uma ex-esposa e três filhos norte-americanos, deixou de beber depois de servir 11 meses na prisão por molestar uma menor e, durante a liberdade condicional mudou-se para a sua residência de infância em Manassas (VA).

“Ninguém sabia que ele não era norte-americano”, disse sua mãe. “Nem ele mesmo sabia. Ele descobriu isso somente o dia em que foi pego”.

Apesar de possuir a residência permanente (Green Card), sua prisão em fevereiro, conforme registros migratórios, foi resultado da “Operação Coldplay”, que analisa arquivos de indivíduos em liberdade condicional acusados de abusos sexuais cujo status migratório os torna “deportáveis”.

Guido, que não falava alemão, teria automaticamente tornado-se cidadão se o seu pai norte-americano o tivesse adotado oficialmente quando ainda era uma criança ou se sua mãe tivesse naturalizado-se norte-americana quando ele era menor de idade; e não há apenas 4 anos atrás. 

 

Acompanhe este comentário em Comentários (1 Incluído):

Yoham Sebastian em 08/02/2009 18:19:06
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Bem, enquanto estava sendo mal tratado, tudo bem, teria que ser medicado e isso chamasse racismo, perante os policiais, mas depois, ao lêr por completo a matéria ao qual informa que ele molestou uma filha menor de idade de uma ex-namorada, ai sim, o que aconteceu com ele foi pouco. Tinha que morrer mesmo. E por favor não me venha os pastores e padres me dizerem que estou infectado que é mentira, vagabundo como este molestador tem mesmo é que morrer mesmo.
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