Assembléia aprova uso medicinal de maconha em New Jersey
Na última segunda-feira (11), membros da Assembléia de New Jersey aprovaram um projeto de lei que legaliza o uso medicinal da maconha por 48 votos contra 14. Antes da votação, o membro da Assembléia Reed Gusciora (D-Mercer), criador da proposta, disse acreditar que a nova legislação agradaria o governador eleito Chris Christie, que expressou preocupação sobre a disponibilidade da droga conforme a proposta, e que ela serviria de modelo a outros estados.
“Esta será a lei mais rigorosa referente ao uso medicinal da maconha no país”, disse ele. “Temos uma boa proposta que será bastante rigorosa e não descriminalizará a maconha, mas permitirá que doutores prescrevam o melhor remédio para seus pacientes”.
Roseanne Scotti, diretora do Drug Policy Alliance New Jersey, disse que a medida será a única no país que proíbe o cultivo de maconha em casa. A proposta original permitia o cultivo de até 6 plantas nas residências. Apesar do compromisso, ela acrescentou que uma lei mais restrita representa um passo na tentativa de conseguir alívio médico para os pacientes.
“Haverão alguns pacientes que conseguirão algum alívio”, disse ela. “Achamos que uma vez que o programa esteja em pleno funcionamento e as pessoas perceberem que não existem problemas, poderemos voltar e incluir mais pacientes”.
“Um dos maiores problemas é o medo da prisão, o medo constante acima de qualquer coisa, apesar dos sérios problemas de saúde”, acrescentou Scotti. “Mas a qualquer hora, eles poderiam ser presos, perder sua casa, perder seus negócios, é terrível”.
Um grupo de proponentes organizou uma coletiva de imprensa na sede do Governo para pressionar os legisladores a aprovarem o projeto de lei. “Estou entusiasmada em estar viva e aqui nesse momento”, disse Diane Riportella, de 53 anos, residente em Egg Harbor Township.
Riportella foi diagnosticada com a doença Lou Gehrig em setembro de 2007 e recebeu uma média de vida entre 2 a 5 anos. Ela disse que o único medicamento que oferece alívio imediato para as dores é a maconha. “Dentro de poucos minutos, estou relaxada e sorrindo e, então, vou para a Disneylândia por alguns minutos e digo ‘não é tão ruim, posso viver por mais um dia”, comentou Riportella.
Mike Oliveri, “25 anos, que sofre de distrofia muscular, mudou-se de Oradell (NJ), no Condado de Bergen, para a Califórnia em novembro de 2008 para ter acesso legal à maconha. Ele disse que aspira um quarto de libra ao mês através de um vaporizador, que diminui um pouco a dor que sente nas pernas e costas, além de acalmar seu estômago.
“Eu já tomei toda medicação conhecida pela humanidade antes de experimentar a maconha”, disse ele, que comprava maconha ilegalmente antes de mudar-se para a Califórnia. “Eu sabia que existia o risco, mas era uma questão de vida ou morte”.
Oponentes alegam que a legalização do uso medicinal da maconha abrirá as portas para a legalização geral da droga. Eles também demonstraram preocupação de que as crianças tenham acesso fácil demais à maconha.
“Preocupo-me com o adolescente de 18 anos ou o formando de 18 anos recebendo um cartão de maconha medicinal”, disse Paul Stevenson, que disse que as 2 onças permitidas podem fazer 240 “baseados”.
“Você acha que ele irá fumar tantos baseados?” Acrescentou. “Ele irá vendê-los ou dar para os amigos”.
A Ordem Fraternal da Polícia Estadual (FOP) também se opõe ao projeto de lei, alegando que mudanças recentes, incluindo o dobro do estoque permitido e a permissão de que organizações sem fins lucrativos distribuam a maconha, “fará um projeto ruim ficar ainda pior”. A entidade também acredita que os pontos de distribuição se tornarão focos de crimes, onde os pacientes serão roubados e os locais ficarão vulneráveis ao crime.
“Isso resultará nos meus oficiais sendo postos ao risco sem necessidade”, disse Steven J. Demofonte, chefe do comitê legislativo da FOP.



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