Califórnia indica 1º indocumentado para cargo estadual

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A advogada de imigração, Lizbeth Mateo, nasceu em Oaxaca, México, e imigrou aos EUA com os pais quando tinha 14 anos

A advogada Lizbeth Mateo assumiu o cargo de membro do Comitê de Regras do Senado em 29 de junho de 2017

Pela primeira vez na história da Califórnia, o estado indicou um imigrante indocumentado para ocupar um cargo no governo. A notícia foi anunciada um dia depois que o Presidente Trump criticou a política liberal adotada pelo estado durante visita a San Diego (CA).

A decisão foi tomada pelo Comitê de Regras do Senado, na quarta-feira (14), de indicar a advogada de imigração e ativista Lizbeth Mateo, de 33 anos, para fazer parte do órgão. O convite teve o objetivo de ampliar o acesso às universidades para os estudantes de baixa renda e comunidades carentes.

Ao anunciar a decisão, o presidente interino do Senado, Kevin de León, demonstrou reconhecer a indicação como um ato de desafio à postura atual da administração Trump com relação ao combate à imigração.

“Enquanto Donald Trump está obcecado em muros, a Califórnia continuará a se concentrar em oportunidades”, disse León ao jornal The Sacramento Bee. “A senhorita Mateo é uma mulher jovem, corajosa, determinada e inteligente que desafiando riscos pessoais tem se dedicado a lutar por aqueles que buscam o seu lugar de direito nesse país”.

Mateo respondeu que agradece a oportunidade, dizendo ao jornal que “apesar do fato de que os estudantes indocumentados se tornaram mais visíveis em nosso estado, eles permanecem pouco representados em lugares onde as decisões que os afeta são tomadas”.

A advogada nasceu em Oaxaca, México, e imigrou aos EUA com os pais quando tinha 14 anos. Ela desenvolveu paixão pelo Direito e tornou-se a primeira pessoa na família dela a graduar-se numa universidade. Ela formou-se em Direito pela Santa Clara University em 2016 e foi aprovada pela Ordem Estadual dos Advogados (Bar) em 2017. Ela prestou juramento na presença de León em 29 de junho de 2017.

Em 2014, a Califórnia tornou-se o primeiro estado nos EUA a permitir que imigrantes indocumentados praticassem Direito, com Nova York aprovando o mesmo pouco tempo depois.

Durante a visita a San Diego, Trump alegou que a Califórnia estava “nos implorando para a construção de muros em determinadas áreas”.

“Eles não te dirão isso, mas nós dissemos não, nós não faremos até construirmos o muro inteiro”, disse o Presidente, acrescentando que certas áreas no estado estavam reclamando de “pessoas invadindo” a fronteira entre o México e os EUA.

Trump tem criticado com frequência o apoio dado pela Califórnia às cidades-santuário, postando no Twitter na quarta-feira (14) que “a política das cidades-santuário na Califórnia é ilegal e inconstitucional, além de pôr em risco a segurança de todo o nosso país”.

“Milhares de criminosos perigosos e violentos são liberados como resultado das políticas santuários; liberados para atacarem americanos inocentes. ISSO TEM QUE PARAR!” Postou Trump no Twitter.

Nas redes sociais, o Presidente também criticou o Governador Jerry Brown, alegando que o dirigente da Califórnia estava fazendo um trabalho “horrível”. Brown rebateu a crítica postando também no Twitter: “Obrigado pela propaganda, Donald Trump. Entretanto, pontes ainda são melhores que muros”.

 

 

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