Caso Szczepanik: Filho de Jacqueline Szczepanik acusa justiça americana de ajudar “esposas de bandidos”

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Até o momento, somente os restos mortais de Christopher Szczepanik foram encontrados no leito do rio

O filho de Jacqueline Szczepanik alega que foi “deixado de fora” no julgamento dos suspeitos de matarem sua família em Nebraska

A trágica morte de três membros da família missionária Sczepanik na cidade de Omaha, Nebraska, ainda gera polêmica. Os brasileiros Vanderlei Szczepanik, sua esposa Jacqueline e o filho de 7 anos do casal, Christopher, foram covardemente assassinados pelos próprios empregados que trabalhavam no trabalho de reforma do centro missionário que construíam. Vanderlei foi espancado até à morte assim que chegou em casa e jacqueline e Christopher foram enforcados no interior do centro, onde moravam. Todos os cadáveres tiveram o abdômem cortado e as visceras expostas, para evitar que boiassem e foram jogados em meio ao rio que corta a cidade. Na ocasião, os suspeitos negaram o crime, mas imagens do caixa eletrônico registraram os operários José Oliveira Coutinho, Valdeir Gonçalves dos Santos e Elias Lourenço Batista, todos naturais de Ipaba (MG), utilizando o cartão magnético de Vanderlei. O motivo da crime: os trabalhadores queriam mais dinheiro do patrão. 

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No final de outubro, Wanderlúcia, cujo testemunho no Tribunal do Condado de Douglas contra o seu próprio namorado ajudou a fazer com que ele confessasse o crime, esperava se reencontrar com os filhos na base aérea de Eppley Airfield

Testemunho principal

Durante o julgamento nos EUA, o testemunho de Wanderlúcia Oliveira de Paiva foi fundamental para que o namorado e pai de seus dois filhos, Valdeir, confessasse o crime, sendo condenado a 10 anos de prisão. O segundo acusado, José Oliveira Coutinho, pivô da chacina, também foi julgado e condenado à prisão perpétua. Já o terceiro suspeito, Elias Lourenço Batista, fugiu para Ipaba (MG) e possui uma ordem de prisão emitida nos Estados Unidos por seu envolvimento no caso, informou Rod James, investigador criminal da Promotoria Pública do Condado de Douglas, Nebraska.

Por participarem ativamente na resolução do caso, Wanderlúcia e seus 3 filhos, Patrícia Oliveira e seus filhos, que testemunhou contra Coutinho, e Tatiane Klein, que representou a mãe, o meio irmão e o padrasto assassinados conquistaram o direito de permanecerem legalmente nos EUA, pois correm o risco de sofrerem represálias se voltarem ao Brasil. O programa especial de vistos protege testemunhas estrangeiras de crimes ocorridos nos Estados Unidos e que correm risco de vida se retornarem ao seus países de origem.

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“A Jacqueline também era minha mãe, portanto, também corro riscos. O que me irrita profundamente é que a justiça americana ajudou as esposas de bandidos”, desabafou Klein
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Tatiana Klein em frente ao poster com as imagens de Vanderlei, Jacqueline e Christopher Szczepanik, durante o julgamento

Darcy: ajuda à esposas de bandidos

Aparentemente, a decisão judicial não agradou Darcy Klein, de 22 anos, irmão de Tatiana e também filho de Jacqueline, que, na segunda-feira (25), em entrevista exclusiva à reportagem do BV, alegou não achar justo que as ex-mulheres dos condenados adquirissem a estadia legal nos EUA, enquanto que ele “ficasse de fora” do processo.

“A Jacqueline também era minha mãe, portanto, também corro riscos. O que me irrita profundamente é que a justiça americana ajudou as esposas de bandidos. Nunca fui chamado, nunca fui comunicado e não tenho contato com a minha irmã”, desabafou Klein, que cursa Ciências da Computação em Santa Catarina e trabalha como fiscal na construção civil. “Ninguém entrou em contato comigo para saber como eu estava psicologicamente”.

O jovem alega que tudo que sabe sobre o andamento do caso é através do Google. “Até agora não recebi nenhuma ajuda, por isso, me frusto em ver que esposas de bandido recebem ajuda. Esposas desses que mataram a minha família e minha irmã nem se fala, ela nunca mencionou meu nome. Praticamente, ninguém sabe de mim por causa dela e ela não me ajuda, queria ir aí, mas ela me esnobou e quando precisou de mim eu estendi as mãos à ela. Sei de coisas, mas ninguém nunca veio me perguntar nada por causa dela que impede”, acrescentou Darcy.

Vida nova nos Estados Unidos

No final de outubro, Wanderlúcia, cujo testemunho no Tribunal do Condado de Douglas contra o seu próprio namorado ajudou a fazer com que ele confessasse o crime, esperava se reencontrar com os filhos na base aérea de Eppley Airfield. Ela não os via  pessoalmente aproximadamente há 2 anos e meio. Paiva e as crianças foram separadas desde que ela chegou aos Estados Unidos para relatar que Valdeir Gonçalves Santos, pai de 2 de seus filhos, confessou-lhe sobre o seu envolvimento no assassinato do patrão em Omaha. O réu confessou em agosto de 2011, depois do testemunho da, então, namorada. Ele admitiu ter participado do homicídio do missionário Vanderlei Szczepanik e sua esposa, Jacqueline, e o filho de 7 anos do casal, Christopher. Ele foi condenado a 10 anos de prisão.

A Promotoria Pública do Condado e a Serviços para as Famílias Luteranas de Nebraska (LFS) se uniram para ajudar Wanderlúcia e seus filhos. Carlson detalhou que a sua entidade recebeu de doadores aproximadamente US$ 2 mil para cobrir os honorários advocatícios para que as crianças pudessem sair do Brasil e se reencontrarem definitivamente com a mãe em Nebraska. Além disso, o LFS adiantou que ajudará a matricular as crianças na escola, obter os números do Seguro Social, entre outros serviços.

James detalhou que as crianças se beneficiarão do status migratório atual da mãe, que possui um visto pendente com a possibilidade de adquirir a cidadania.

A Promotoria Pública do Condado ajudou Paiva a conseguir emprego e habitação. Outra brasileira, Patrícia Oliveira, que também testemunhou contra os réus, também recebeu algum tipo de assistência, como ter seus filhos, trazidos com ela em 2011.

O advogado do Condado, Don Kleine, disse que ambas as mulheres “foram corajosas o suficiente de virem até aqui e testemunharem”. Ele acrescentou que Wanderlúcia Já havia recebido ameaças no Brasil.

Carlson comentou que ajudar Paiva faz parte da missão da LFS. “A nossa visão enquanto organização é a segurança, esperança e bem-estar de todas as pessoas e isso tem abrangido todos os temas”, disse ele.

A delegada Tereza Negron, que participa das investigações, fez um apelo ao governo brasileiro para que se sensibilize e aceite a extradição de Elias Lourenço, quando o pedido chegar às autoridades, para que o suspeito seja julgado nos EUA. Em 2011, a polícia local realizou buscas no rio Missouri, ainda na expectativa de que fossem encontrados os restos mortais de Vanderlei e Jaqueline. Até o momento, somente os restos mortais de Christopher foram encontrados no leito do rio.

Apesar de o caso estar praticamente encerrado, pois ainda falta Elias Lourenço Batista, foragido no Brasil, prestar depoimento em Nebraska, Klein ainda nutre esperanças de conseguir a permanência legal nos  EUA.

“Ainda sou bastante jovem e a esperança é a única que morre”, concluiu ele, que frequenta aulas de inglês em um curso local.

 

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