Cidade de New Jersey emite cartão de identificação de indocumentados

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Imigrante mostra cartão de identidade (ID) emitido por associação comunitária e reconhecido pelas autoridades locais

O documento, reconhecido pelas autoridades locais, pode ser utilizado em hospitais, comércio, entre outros fins

O grupo comunitário Angels for Action de Plainfield (NJ) está emitindo cartões (ID) para os residentes indocumentados da cidade que não possuem outra forma de identificação. O documento pode ser utilizado em hospitais, agências bancárias, comércio, entre outros fins locais.

Os cartões emitidos pelas entidades comunitárias já são reconhecidos por algumas cidades e ajudam na redução do temor que inúmeros imigrantes indocumentados sentem das autoridades de segurança locais. Além disso, os documentos podem facilitar interações cotidianas como, por exemplo, a ida a um hospital. Carmen Barbosa disse que se sentia invisível dsde que chegou aos EUA há 8 anos. A imigrante latina explicou que não possuía documentos oficiais de identificação, o que dificultava a sua interação na comunidade.

“Todo lugar que você vai é necessário um ID”, disse ela durante visita à sede da Latin America Legal Defense and Education Fund (LALDEF), em Trenton (NJ). “Eu sou rejeitada muitas vezes, até no hospital. Eu fui devido à uma emergência e não tinha sequer um ID para apresentar”.   

Barbosa esperava com outros imigrantes obter um cartão de identificação reconhecido pelas autoridades locais. O “Cartão Comunitário de Identificação” (CCI) emitido pela LALDEF é reconhecido pelo escritório do xerife do Condado de Mercer, a Promotoria Pública e aproximadamente 6 departamentos de polícia.

“Eu esperava ansiosa por esse dia”, disse Barbosa ao receber o seu cartão de identificação. “Estou bastante feliz”.

Os cartões, que ganharam versões similares em várias regiões do Estado Jardim, são reconhecidos pela polícia e aceitos como prova legal de identificação em bancos locais, provedores de serviços de saúde, proprietários de imóveis e outras entidades que exigem prova de identificação antes de realizarem transações comerciais e prestarem serviços.

As autoridades locais de segurança disseram que os documentos demonstram um certo nível de apoio e comprometimento por parte da polícia para com a comunidade imigrante, o que, consequentemente, beneficia os canais de comunicação e encoraja os indocumentados a confiarem na polícia e denunciar atividades criminosas ocorridas em suas vizinhanças.

Entretanto, os opositores aos cartões, como a Federação de Apoio à Reforma Migratória Americana (FAIR) e seus grupos afiliados em Nova Jersey, alegam que eles interferem localmente na política migratória federal. Os documentos facilitam a permanência dos imigrantes, enquanto os residentes legais pagam altos impostos e sofrem competição no mercado de trabalho, segundo eles. 

O Condado de Mercer é uma das três areas em Nova Jersey em que grupos defensores dos direitos dos imigrantes emitem o ID em conjunto com o apoio da polícia local. Asbury Park foi o primeiro a emiti-lo em 2008, seguida por Princeton em 2010 e a CASA Freehold, um grupo de ativistas sediado em Freehold (NJ), começou a emitir os documentos no outono de 2012. O modelo do documento emitido em Freehold foi inspirado no ID lançado no Condado de Mercer e funciona da mesma forma.

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“Nós não podemos negar as pessoas a sua existência”, disse Maria Juega da ALDEF. “Nós podemos até ter algumas exigências e formas de verificar informações, mas não podemos negar as pessoas o direito de existir”

Em Plainfield, a Angels for Action começou a emitir os cartões . Carmen Salavarrieta, membro do Conselho do grupo, disse que a polícia municipal, especialmente o prefeito e o chefe de polícia, apoiam o projeto e que eles visitaram o programa em Trenton para observar e receber algum treinamento antes de começarem. 

“Há um custo envolvendo isso”, disse Carmen, na aquisição de máquinas de ID e programas de computador. “Nós queremos nos certificar que tudo corra perfeitamente”.

Cidades maiores em várias partes do país, como Los Angeles, San Francisco (CA) e New Haven (CT), também emitem o ID municipal. A equipe do BV perguntou ao Vereador Augusto Amador, do bairro do Ironbound, onde se concentra a comunidade de língua portuguesa em Newark (NJ) sobre a possibilidade de a Prefeitura lançar um programa simuilar ao de Plainfield.

“É uma ideia excelente, entretanto, nada foi feito com relação a isso. Por enquanto, ainda não há nada de concreto”, disse Amador.

“Eu não estou particularmente feliz de que tantas pessoas necessitem desse cartão”, disse Maria Juega, diretora executiva da LALDEF. “Não é um bom sinal de que tantas pessoas estejam  vivendo nas sombras”.

“Nós não podemos negar as pessoas a sua existência”, disse Juega. “Nós podemos até ter algumas exigências e formas de verificar informações, mas não podemos negar as pessoas o direito de existir. É exatamente o que você faz quando nega a elas esse cartão pequeno de plástico”.

 

 

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