“Coiote” preso no Brasil é indiciado por tráfico humano nos EUA

Foto7 Saifullah Al Mamun “Coiote” preso no Brasil é indiciado por tráfico humano nos EUA
Em 30 de outubro, agentes da Polícia Federal em São Paulo prenderam Saifullah Al-Mamun (detalhe), acusado de liderar uma quadrilha de “coiotes”

Saifullah Al-Mamun foi oficialmente acusado pelo Tribunal de Laredo-TX, em 31 de outubro

Em 31 de outubro, a ação coordenada entre os EUA e as autoridades policiais brasileiras culminou com a Polícia Federal do Brasil (PF) conduzindo uma batida que visou interromper e desmantelar uma quadrilha transnacional de contrabando de estrangeiros. A operação ocorreu no tradicional bairro do Brás, na capital paulista. Como resultado, foi detido um imigrante natural de Bangladesh, que também foi indiciado nos EUA. Os contrabandistas estrangeiros alvos nesta operação são responsáveis pelo contrabando ilícito de dezenas de indivíduos oriundos do sul da Ásia e outros lugares para o Brasil e, finalmente, para os EUA.

O suspeito Saifullah Al-Mamun, também conhecido como Saiful Al-Mamun, de 32 anos, foi preso no Brasil. Ele foi oficialmente indiciado em 31 de outubro no Tribunal Distrital dos EUA, no Distrito Sul do Texas – Divisão Laredo. Ele enfrenta 8 acusações de conspiração e contrabando de estrangeiros. A operação incluiu a execução de vários mandados de busca e as detenções de 7 contrabandistas de seres humanos (coiotes)  que atuavam no Brasil: Saifullah Al-Mamun, de 32 anos; Saiful Islam, de 32 anos; Tamoor Khalid, de 31 anos; Nazrul Islam, de 41 anos; Mohammad Ifran Chaudhary, de 39 anos; Mohammad Nizam Uddin, de 28 anos; e Md Bulbul Hossain, de 36 anos.

De acordo com a acusação, Al-Mamun teria alojado estrangeiros em São Paulo capital e organizado a viagem deles através de uma rede de contrabandistas que operam fora do Brasil, através do Peru, Equador, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, Guatemala e México com destino aos EUA. Em troca do contrabando dos estrangeiros para os EUA, Al-Mumun e seus 2 comparsas teriam sido pagos no México, América Central, América do Sul, Bangladesh e outros lugares.

“A acusação de hoje demonstra o nosso compromisso de acusar judicialmente aqui nos Estados Unidos os contrabandistas de estrangeiros que colocam em risco a segurança pública de nosso país; tentando burlar nosso sistema de imigração legal”, disse o procurador-geral assistente, Brian A. Benczkowski, da Divisão Criminal do Departamento de Justiça. “Continuaremos a colaborar com nossos parceiros estrangeiros no cumprimento da lei para responsabilizar os contrabandistas internacionais pela ameaça que representam para a segurança nacional do Brasil, Estados Unidos e outras nações”.

“As organizações transnacionais de contrabando de seres humanos ameaçam a segurança dos Estados Unidos”, disse o agente especial encarregado Scott Brown, do Setor de Investigações (HSI) do Departamento de Segurança Nacional (DHS) em Phoenix (TX), e do Departamento de Imigração (ICE). “Por meio de um significativo esforço com nossos parceiros nacionais e internacionais, essas prisões significam outra vitória, à medida que continuamos a investigar e desmantelar aqueles que conspiram para burlar as leis de imigração do país visando próprio lucro”.

Milon Miah, um cidadão natural de Bangladesh que residia em Tapachula, no México, foi preso em 31 de agosto ao desembarcar no Aeroporto Intercontinental George Bush, em Houston, Texas, para enfrentar acusações decorrentes da participação dele na quadrilha de “coiotes” que enviava clandestinamente estrangeiros aos EUA. Moktar Hossain, de 31 anos, também natural de Bangladesh e que residia em Monterrey, México, se declarou culpado em 27 de agosto por seu papel no esquema de contrabandear estrangeiros para os EUA com o objetivo de obter vantagens comerciais ou ganhos financeiros.

Tanto a acusação contra Al-Mamun quanto à assistência prestada pelas autoridades americanas às autoridades brasileiras foram coordenadas sob o programa ECT (Extraterritorial Criminal Travel Strike Force), uma parceria entre a Seção de Direitos Humanos e Processos Especiais (HRSP) da Divisão Criminal do Departamento de Justiça e o HSI. O programa ECT concentra-se em redes de contrabando de seres humanos que podem apresentar riscos particulares à segurança nacional ou à segurança pública ou provocar preocupações humanitárias graves.

A ECT dedicou recursos de investigação, inteligência e Ministério Público, além de receber assistência de outras agências governamentais dos EUA e autoridades estrangeiras. O HSI Phoenix liderou os esforços de investigação dos EUA, trabalhando em conjunto com o HSI em Brasília (DF), HSI Laredo (TX), o programa ECT da Unidade de Contrabando Humano do HSI, o Setor de Operações e Deportações do ICE, o próprio ICE, o Centro Nacional de Proteção de Fronteiras dos EUA, o Setor de Contatos Internacionais do HSI com o Departamento de Defesa dos EUA, Comando Sul dos EUA, Operação CITADEL, BITMAP e o National Targeting Center. O Departamento de Justiça, o HRSP da Divisão Penal e o Escritório de Assuntos Internacionais, também prestaram assistência significativa no caso.

Os promotores públicos James Hepburn, Erin Cox e Mona Sahaf, da Seção de Direitos Humanos e Processos Especiais da Divisão Criminal, estão lidando com a investigação nos EUA, com a assistência do Gabinete do Procurador dos EUA no Distrito Sul do Texas.

As acusações que pesam sobre Al-Mamun são meramente alegações e presume-se que o réu é inocente até que se prove o contrário em um tribunal.

 

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