Coiotes serram partes do muro de US$ 10 bilhões de Trump

Foto28 Muro na fronteira  Coiotes serram partes do muro de US$ 10 bilhões de Trump
A maioria das passagens clandestinas utilizando cortes no muro ocorreu numa área movimentada próxima a San Diego (CA)

Os contrabandistas usam furadeiras sem fio que custam US$ 100 para cortar a estrutura por onde passam pessoas e drogas

Contrabandistas e imigrantes têm conseguido abrir fendas no muro “virtualmente impenetrável” do Presidente Donald Trump com ferramentas sem fio que custam US$ 100 cada nas lojas de ferragens, informaram agentes da Patrulha da Fronteira (CBP). Membros da administração de Trump admitiram ter tomado conhecimento de “alguns casos” nos quais traficantes de pessoas (coiotes) conseguiram fazer buracos nas seções reconstruídas do muro de US$ 10 bilhões que o Presidente prometeu historicamente que o México pagaria pela construção dele.

As furadeiras, fáceis de encontrar, cortam através das estruturas de aço em questão de minutos. Os painéis de 9 metros de altura podem então ser facilmente empurrados, permitindo que as pessoas passem. A maioria das passagens clandestinas utilizando cortes no muro ocorreu numa área movimentada próxima a San Diego (CA).

Trump se vangloria que o muro é praticamente impenetrável  e levou repórteres ao local onde ele foi instalado para mostrar o que ele considerou o “Rolls-Royce” dos muros. No sábado (2), ele ignorou os relatos de que contrabandistas estavam abrindo fendas no muro prometido por ele, alegando que “isso pode ser facilmente consertado”.

“Nós temos um muro bastante poderoso. Entretanto, não importando o quanto seja poderoso, você pode cortar qualquer coisa, sinceramente”, disse Trump aos repórteres antes da partida para Nova York. “Cortar é uma coisa, mas pode ser facilmente consertado. Uma das razões que nós fizemos dessa forma é que pode ser facilmente consertado. Você põe o pedaço de volta”.

Trump tem desviado bilhões do dinheiro dos contribuintes que o Congresso aprovou para outros usos para reconstruir partes do muro. Alguns dos danos aconteceram em áreas nas quais as equipes de trabalhadores ainda devem completar a instalações dos sensores eletrônicos que, uma vez em funcionamento, detectarão mais rapidamente as vibrações que as serras produzem na estrutura, informaram as autoridades. Eles acrescentaram que uma das principais vantagens do sistema de placas de aço é que os painéis danificados podem ser facilmente reparados ou substituídos.

Ronald Vitiello, ex-chefe do CBP e que atuou como diretor interino do Departamento de Alfândega & Imigração (ICE) até ser retirado do cargo em abril, interpretou os danos como “furando e inserindo” pelos membros dos cartéis de contrabando.

“O cartéis continuarão a inovar e eles não sairão de San Diego simplesmente porque o muro ficou melhor”, disse Vitiello. “Essa é a vida na fronteira”.

Na região de San Diego, os contrabandistas aprenderam a como cortar as placas e coloca-las em suas posições originais, disfarçando os buracos na esperança de que as fendas não sejam percebidas e possam ser reutilizadas. Os agentes do CBP relataram que a aprenderam a dirigir observando a base do muro e chutando qualquer imperfeição aparente com as botas. Caso seja detectado dano, a equipe de soldagem é acionada para resolver o problema. Entretanto, os contrabandistas retornam para a mesma seção do muro e fazem mais buracos, pois o metal é mais macio e o cimento na fundação já está comprometido.

Além disso, os contrabandistas aprenderam a utilizar uma substância cuja textura e cor são iguais a da solda, fazendo com que as estruturas com fendas pareçam intactas. A área de San Diego é uma das mais lucrativas para os traficantes de drogas ou transporte clandestino de imigrantes, que estão dispostos a pagar milhares de dólares para entrar nos EUA.

 

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