Com medo da deportação, indocumentados se tornam “invisíveis”

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Devido ao risco da deportação, indocumentados se mudam para outras vizinhanças ou cidades, fecham contas bancárias, registram veículos, casas e até empresas em nome de outras pessoas

O impasse no Congresso tem gerado incerteza entre os beneficiados pelo DACA e indocumentados

Há poucos meses, Lorena Jofre planejava comprar um apartamento no Condado de Miami-Dade (FL) para finalmente mudar-se com a filha de 7 anos. Ela, que tem vivido a maior parte da vida na incerteza, também planejava em trocar o carro antigo por um novo; graças ao melhor salário. Ela até esperava voltar a universidade para se tornar professora ou assistente social, entretanto, os planos dela mudaram drasticamente.

Como inúmeros imigrantes no sul da Flórida e em outras partes do país, Jofre está tentando se tornar “invisível” depois que o Presidente Donald Trump ordenou o endurecimento do cumprimento das leis migratórias e a prisão de todos os imigrantes indocumentados.

“E se daqui a alguns meses eu não puder trabalhar? E se algum dia eles baterem à minha porta?”, Perguntou Jofre, que mora no sudoeste de Miami-Dade. “Você fica paralisada; você não quer fazer nada drástico com a sua vida. É um pensamento amedrontador”.

Jofre, natural do Chile, tecnicamente não é indocumentada, pelo menos até janeiro de 2019. Ela é protegida pelo Deferred Action for Childhood Arrivals (DACA), o programa que protege os jovens indocumentados que imigraram aos EUA ainda na infância. Em setembro de 2017, Trump cancelou o programa e deu ao Congresso até 5 de março  para que seja encontrada uma solução legislativa para o assunto. Atualmente, o DACA beneficia quase 700 mil jovens indocumentados. O prazo já venceu e sem nenhuma lei ou solução para o dilema.

O impasse no Congresso tem gerado incerteza entre os beneficiados pelo DACA, também conhecidos como “Dreamers”; assim como aqueles com Status de Proteção Temporário (TPS) e os indocumentados. Como resultado, inúmeros indocumentados ou aqueles que podem perder o status temporário, começaram a se mudar para outras vizinhanças ou cidades, fecharam contas bancárias, registraram veículos, casas e até empresas em nome de outras pessoas.

Jofre, que é mãe solteira, pensa em sair da Flórida, onde ela vive há quase 25 anos. Ela planeja mudar-se para um estado santuário, onde as autoridades locais não são obrigadas a colaborar com as autoridades migratórias na detenção de indocumentados. Antes do DACA, ela trabalhava como garçonete, recebendo o salário em dinheiro. O DACA permitiu que ela conseguisse empregos melhores e, assim, planejar um futuro melhor.

“Eu voltaria a viver nas sombras, como vivi a maior parte da minha vida neste país”, disse Lorena, acrescentando que nem pensa em retornar ao Chile, um país que ela se recorda muito pouco. “Eu iria somente se eles (autoridades) me expulsassem, mas iria chutando, gritando e brigando para ficar”.

Ao ouvir a mãe, Anabell chora. A menina gosta da escola e disse que não quer viver no Chile porque tem medo. Do que você tem medo? Terremotos, responde ela sem hesitar.

Vários imigrantes, ativistas e advogados disseram que a maioria dos indocumentados ou quem perderá a proteção temporária não pensa em sair dos EUA; pelo menos voluntariamente. “Para a maioria dessas pessoas aqui é o lar. Como dizer a alguém que ele tem que deixar a casa dele? Eles têm vivido aqui há 20, 30 anos. Eles compraram casas, constituíram famílias”, disse Santra Denis do Catalyst Miami.

“Você conhece alguém que esteja se preparando para ir embora? Porque eu não”, acrescentou ele, cuja organização ajuda famílias imigrantes.

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