Comissária de bordo é presa pelo ICE em retorno aos EUA

Foto13 Selene Saavedra Roman Comissária de bordo é presa pelo ICE em retorno aos EUA
Selene Saavedra Roman passou mais de um mês detida no centro de detenções em Conroe (TX)

Selene Saavedra Roman é beneficiada pelo DACA e foi informada pela companhia aérea em que trabalha que poderia viajar ao México

Uma comissária de bordo moradora no Texas, beneficiada pelo programa “Deferred Arrivals Childhood Act” (DACA), voou ao México a trabalho, mas foi parada na volta aos EUA pelas autoridades migratórias, que a forçaram a passar mais de 1 mês detida. Na sexta-feira (22), Selene Saavedra Roman, de 28 anos, que imigrou aos EUA ainda na infância, foi liberada do centro de detenções em Conroe (TX), segundo um comunicado do Departamento de Imigração (ICE).

“Ser liberada é um sentimento indescritível”, disse ela através de um porta-voz. “Eu chorei, abracei o meu marido e não queria soltá-lo mais. Eu sou muito grata às pessoas maravilhosas que lutaram por mim e isso enche o meu coração. Obrigado a todos que apoiaram. Eu estou bastante feliz de ter a minha liberdade de volta”.

Natural do Peru e casada com um cidadão americano, ela demonstrou preocupação junto à companhia aérea com relação ao status migratório dela, depois de ser convocada para um voo internacional, detalhou a advogada Belinda Arroyo. A empresa garantiu que tudo correria bem, mas a jovem foi detida pelas autoridades em 12 de fevereiro, quando retornou a Houston (TX). Ela foi enviada a um centro de detenções, onde ficou presa durante mais de um mês, acrescentou.

Logo depois que a advogada dela, esposo, a companhia aérea e um grupo de comissários de bordo exigiram publicamente a liberação de Selene, ela telefonou para o marido informando-lhe que seria liberada.

“Ela estava chorando e disse, ‘por favor, venha me pegar”, relatou David Watkins, marido da comissária de bordo.

O ICE informou que verificava o status migratório de Roman. Anteriormente, o órgão disse que a comissária de bordo não possuía um documento válido para entrar nos EUA e que ela foi detida enquanto aguardava os trâmites no tribunal de imigração. O Departamento de Cidadania & Serviços Migratórios (USCIS), o órgão que administra o DACA, evitou comentar o caso, entretanto, emitiu um comunicado alertando que os beneficiários que saírem dos EUA sem uma permissão especial não são mais cobertos pelo programa. O USCIS não emite mais tais permissões.

Os jovens beneficiados pelo DACA são conhecidos como “Dreamers”, devido a proposta conhecida como “DREAM Act”, que nunca foi aprovada no Congresso. A administração Trump tentou diversas vezes acabar com o programa, mas foi bloqueada pelos tribunais. Aplicações novas foram suspensas, mas as renovações continuam para aproximadamente 800 mil beneficiados.

Através de um comunicado, a Associação dos Comissários de Bordo e o chefe executivo da Mesa Airlines, Jonathan Ornstein, pediram desculpas à Selene e pediram às autoridades federais que a libertassem. Ele argumentou que era injusto manter alguém preso, pois “tratava-se simplesmente de um erro administrativo e mal entendido”.

“Ela nunca deveria ter sido informada que poderia viajar”, disse Arroyo. “Isso foi um erro enorme”.

Selene, que terá que comparecer perante um juiz de imigração em abril, estudou na Texas A&M University, onde conheceu o marido. Watkins disse que inicialmente não se preocupou com a viagem, pois o casal já tinha recebido a aprovação do USCIS para a obtenção do green card dela, por ser esposa de um cidadão americano. Ela não possui antecedentes criminais e há muitos anos declara o imposto de renda. Além disso, teve os antecedentes verificados pela companhia em que trabalha. Quando Selene foi detida, o marido dela pôde vê-la somente uma vez por semana e através de um vidro grosso. Ela parecia sem esperanças, relatou ele.

“Eu disse à ela, ‘mesmo que você seja deportada para o Peru, eu simplesmente vou com você”, disse Watkins aos repórteres. “Independente daquilo que aconteça no futuro, eu não irei desistir. Eu vou continuar lutando”.

Através de um comunicado, o sindicato que representa Roman disse que o incidente “enfatiza a urgência de uma reforma migratória sensata e a solução definitiva para o status migratório dos jovens que fazem parte do DACA”.

 

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