Deportação de vizinho “abala” chefe de polícia em Washington

Foto29 Flint Wright Deportação de vizinho “abala” chefe de polícia em Washington
“Escolha, qualquer pessoa gostaria de tê-lo como vizinho”, disse Wright sobre o vizinho Mário Rodriguez (Foto: Seattle Times)

Eleitor de Trump, Flint Wright disse que ficou “chocado” com a prisão de Mário Rodriguez

Um chefe da Polícia Estadual de Washington que votou em Donald Trump porque queria um presidente que aumentasse a segurança nas fronteiras está “em choque” depois de ver agentes do Departamento de Imigração (ICE) deter e deportar um imigrante que morava na vizinhança há mais de 1 década. Flint Wright, chefe de polícia em Long Beach, disse ao jornal Seattle Times que ficou abalado com a prisão e deportação de Mário Rodriguez, que vivia no mesmo bairro há 12 anos.

“Ele era realmente a favor do cumprimento das leis”, comentou Wright sobre Rodriguez. “Escolha, qualquer pessoa gostaria de tê-lo como vizinho”.

Mário tinha visto de turista vencido e foi pego durante uma batida migratória. Ele trabalhava na área de educação bilíngue e estudava para ser professor. Além disso, ele ajudava a polícia denunciando as áreas problemáticas na cidade. Os agentes do ICE realizaram, somente esse ano, 3.100 prisões no Oregon, Washington e Alasca, os três estados que estão sob a jurisdição de Seattle.

Há uma diferença significativa, aprendeu Wright, entre a retórica de Trump que apresenta os imigrantes indocumentados como a causa principal da crise econômica e criminalidade no país e a realidade em ver alguém conhecido ser deportado, apesar de não ter feito mal a ninguém. “Eles estão trazendo drogas. Eles estão trazendo a criminalidade. Eles são estupradores. Alguns deles, eu imagino que sejam pessoas boas”, disse Trump repetidamente em seus discursos exaltados que atraíam simpatizantes fervorosos. O problema é que as autoridades estão tendo dificuldade em separar “o joio do trigo”.

Até mesmo cidadãos americanos foram detidos no combate à imigração clandestina. Um exemplo foi a saga vivida por Lorenzo Palma, um cidadão americano que não tinha certidão de nascimento porque nasceu no México, mas o pai é cidadão americano. Palma viveu nos EUA quase toda a vida, mas depois de ser preso por agressão física, ele foi transferido para um centro de detenção da imigração e quase deportado.

Zahrija Purovic, de 50 anos, não tem antecedentes criminais, viveu e pagou impostos nos EUA durante 30 anos. Ela foi deportada para Montenegro semana passada. Ela não possui mais laços de família no país de origem, pois imigrou para os EUA quando tinha 19 anos. Ela está proibida de reentrar nos EUA durante 10 anos.

Pessoas boas?! Bad hombres?! A política migratória atual ignora essas distinções e as consequências são sentidas muito além pelos parentes imediatos e amigos dos deportados. No Condado de Pacific, em Washington, as batidas do ICE e deportações estão provocando efeito dominó na indústria que processa frutos do mar; a principal atividade econômica em cidades como Long Beach.

“Nós não temos Nike. Nós não temos Boeing. Isso é o que nós temos aqui”, disse Steve Gray, proprietário de uma fábrica de enlatados. “Tire a fonte principal de mão-de-obra e você perderá indústrias inteiras”.

 

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