“Dreamers” brasileiros temem fim do DACA e o risco de deportação

Foto12 Lucas Godognolla “Dreamers” brasileiros temem fim do DACA e o risco de deportação
Lucas Codognolla, de 27 anos, imigrou para os EUA aos 9 anos e graduou-se em Ciências Políticas pela Universidade de Connecticut
Foto12 Thais Marques “Dreamers” brasileiros temem fim do DACA e o risco de deportação
Thaís Marques, de 23 anos, imigrou para os EUA aos 5 anos e também graduou-se em Ciências Políticas pela Rutgers University

O mineiro Lucas Codognolla e a paraense Thaís Marques estão entre os cerca de 800 mil jovens que convivem diariamente com a incerteza

Atuando como diretor executivo do Connecticut Students for a Dream, Lucas Codognolla, de 27 anos, natural de Poços de Caldas (MG), é um dos quase 800 mil jovens indocumentados que foram trazidos aos EUA ainda na infância. Eles são conhecidos como “Dreamers” e uma considerável parte deles não fala fluentemente o idioma e sequer têm recordações do país nativo.

Lucas chegou aos EUA com a família aos 9 anos de idade, cresceu como uma criança tipicamente americana e graduou-se na Universidade de Connecticut. Entretanto, em setembro de 2017, o Presidente Donald Trump pôs o futuro dele e dos outros Dreamers em suspense, quando, através de um decreto de lei, anunciou o cancelamento do Deferred Action for Childhood Arrivals (DACA) em 5 de março desse ano. O programa afasta o risco da deportação e concede permissão de trabalho aos jovens indocumentados, mas, correndo contra o relógio, temem que as informações voluntariamente cedidas por eles possam ser usadas para deportá-los, caso o DACA seja extinto.

Ainda é incerto se o Congresso aprovará aquilo que os Dreamers querem: Um projeto de lei chamado DREAM Act, que regularizaria o status migratório dos jovens indocumentados e concederia a possibilidade de obtenção da cidadania americana. Codognolla, beneficiário  do DACA desde 2012, conversou em setembro do ano passado com o jornal CT Mirror e relatou como um Dreamer está lidando com esse futuro incerto.

“Para ser completamente honesto contigo, desde as eleições eu vinha antecipando o momento em que teríamos que tomar uma decisão sobre o DACA. Durante a campanha dele (Trump) ele mudou de ideia várias vezes, dizendo que acabaria com o programa e, então, disse que amava os Dreamers e novamente disse que cancelaria o programa”, disse Lucas na ocasião ao CT Mirror.

“No início do ano, havia um grande medo de que ele (Trump) cancelaria o DACA através de um decreto de lei e havia uma pressão grande sobre a administração para não cancelá-lo. Nós mantivemos o programa seguro até a última sexta-feira, pois havia muita pressão feita por diversos setores para nos manter seguros”, acrescentou. “Então, quando o Presidente cedeu às exigências conservadoras e extremistas para acabar com o programa, para mim, pensei que ele estava apoiando uma agenda baseada no ódio, xenofobia e racismo. Eu não fiquei surpreso que ele tenha feito com que o (Procurador Geral) Jeff Sessions fizesse o pronunciamento”.

A paraense Thaís Marques, de 23 anos, moradora em Newark, imigrou com a família aos EUA quando tinha 5 anos e enfrenta a mesma incerteza de Lucas. Como o conterrâneo, ela cresceu nos Estados Unidos, beneficiária do DACA, graduou-se na universidade e é a única indocumentada na família. A jovem cursou Ciências Políticas na Universidade Rutgers e trabalhara como gestora de projetos sociais na companhia ThePowerLab, em Nova York.

“Eu tenho família no Brasil, mas a última vez em que estive no país tinha 5 anos. Meu português não é tão bom como era antigamente. Não tenho tanto acesso à minha cultura, não tenho pessoas com quem posso conversar em português”, relatou ao UOL.com.

Trump concedeu aos legisladores no Congresso até o dia 5 de março para que eles votem numa solução definitiva para o programa. Entretanto, as exigências do Presidente para que a proposta inclua a verba para a construção de um muro ao longo de toda a fronteira dos EUA com o México, o final da Loteria do Green Card e restrições na imigração legal têm praticamente impossibilitado um acordo entre congressistas republicanos e democratas. Recentemente, 2 juízes federais suspenderam o cancelamento do DACA até que o caso seja resolvido nos tribunais.

 

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