Eleitores de Trump são os mais prejudicados com fim do Obamacare

Foto23 Comicio de Donald Trump Eleitores de Trump são os mais prejudicados com fim do Obamacare
Durante a campanha presidencial Trump prometeu ao seu eleitorado que cancelaria o Obamacare e o substituiria por um sistema melhor para “todos os americanos”

Entre aqueles que sofrerão mais com o projeto de lei republicano da Câmara dos Deputados são pessoas com 60 anos de idade e renda anual de US$ 30 mil

Os americanos que concederam a vitória ao Presidente Donald Trump, eleitores conservadores de baixa renda, idosos e em áreas rurais dos EUA, estão entre aqueles que mais perderão com plano republicano de substituir o “Affordable Care Act”, segundo uma análise feita pelo jornal LA Times. Entre aqueles que sofrerão mais com o projeto de lei republicano da Câmara dos Deputados são pessoas com 60 anos de idade e renda anual de US$ 30 mil, particularmente em zonas rurais onde os serviços de saúde são mais caros e os subsídios concedidos pelo Obamacare são mais altos. Em quase todos os 1.500 condados nos EUA, essas pessoas tendem a perder mais de US$ 6 mil anuais em subsídios anuais do seguro de saúde. Noventa por cento desses condados apoiaram Trump, revela a análise. Sessenta e oito dos 70 condados onde os eleitores terão as maiores perdas apoiaram Trump em novembro.

A maioria dos afetados pelo plano republicano de reforma do sistema de saúde seria em partes do Alaska, Arizona, Nebraska, Tennessee e Oklahoma, onde os subsídios do Obamacare têm sido crucial na aquisição de seguros de saúde. Todos os 5 estados apoiaram Trump. Também afetados de forma negativa serão partes dos estados que definiram a eleição ao apoiarem o presidente republicano, incluindo Pensilvânia, Carolina do Norte e Michigan. Residentes idosos e de baixa renda em algumas partes da Califórnia, incluindo condados rurais na parte norte do estado podem ter perdas substanciais, revelam os dados.

Em contraste, americanos mais jovens e de renda alta, muitos deles vivendo em áreas urbanas vencidas pela democrata Hillary Clinton, tendem a adquirir mais assistência na legislação republicana. Os mais beneficiados seriam os residentes mais ricos do país, que teriam cortes substanciais nos impostos com a eliminação de duas emendas na proposta republicana para os contribuintes de renda alta. Esses impostos, para indivíduos que ganham mais de US$ 200 mil e casais que ganham mais de US$ 250 mil, foram incluídos no Obamacare para aliviar os custos da assistência aos americanos de baixa renda.

O impacto desproporcional que o plano republicano da Câmara dos Deputados ameaça não cumprir a promessa de Trump de que ele substituiria o Obamacare com um plano que “cuidasse de todos os americanos”. Além disso, o plano pode se tornar em um sério prejuízo político para os legisladores republicanos, alguns deles não podendo se dar ao luxo de alienar parte da base eleitoral numa época em que Trump permanecesse profundamente não popular entre democratas e independentes.

“Os republicanos podem parecer bastante felizes em esbofetear seus eleitores ao mesmo tempo que metem a mão em seus bolsos”, disse Mark Mellman, consultor político e veterano democrata que tem trabalhado extensivamente em estados republicanos. “Entretanto, eu acho que se arrependerão do dia em que fizeram isso”.

Somente uma parte do eleitorado recebe subsídios do Obamacare, mas a perda de seguro de saúde poderá privar milhões de pessoas do seguro. “As pessoas não percebem que tudo o que precisa é um perder o emprego e o seu pato está assado”, disse John Thompson, de 59 anos, evangélico da Carolina do Norte. Ele disse que votou em candidatos republicanos durante mais de 3 décadas. Ele perdeu o emprego em 2013 e a única forma de conseguir seguro de saúde foi através do Obamacare, que abriu o mercado em 2014.

“Ele literalmente salvou a minha vida”, relatou Thompson, diagnosticado com câncer pouco tempo depois. Ele retornou ao trabalho, mas a ajuda recebida pelo Obamacare o fez repensar sobre o apoio político a um partido dedicado a retirar o sistema atual.

“Pessoas como eu serão prejudicadas”, disse ele com relação ao plano republicano. “Essa é a simples realidade”.

 

Sobre o autor

O jornalista Leonardo Ferreira é formado em Comunicação Social pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso – FACHA, sediada no Rio de Janeiro - RJ.

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